Sunça no cinema — As Tartarugas Ninjas (1990)


Sunça no cinema -- As Tartarugas Ninjas II - O Segredo de Ooze (1991)

 

As Tartarugas Ninjas (1990)

Depois de ser atacada por trombadinhas, a repórter April O’Neil (Judith Hoag) é salva por tartarugas mutantes, que passaram a se dedicar a combater o crime desde que foram contaminadas por uma substância radioativa nos esgotos de Nova York e se tornarem guerreiros após serem treinados pelo mestre Splinter. Aliadas a Casey Jones (Elias Koteas), elas combatem a organização Foot, que lança uma onda de crimes na cidade sob o comando do perigoso Demolidor.

93min – 1990 – EUA

 

Dirigido por Steve Barron  com David Forman, Judith Hoag, Elias Koteas, Skeet Ulrich e Sam Rockwell. Roteiro: Peter Laird

As Tartarugas Ninja são um fenômeno. Ainda me lembro de minha lancheira e pasta estampadas pelo grupo que usei durante todo o colégio. Criadas por Peter Laird e Kevin Eastman na década de 80, as Tartarugas originadas dos quadrinhos ganharam games, séries de tv (tanto animadas quanto em live action), e até três longas-metragens super divertidos produzidos no início da década de 90.  E é com o longa de Steve Barron roteirizado por Peter Laird que o grupo estreou nas telonas, neste primeiro longa o bom humor é marcante e se repete em suas sequências.

Ao rever o filme o sentimento de nostalgia é impossível de ser evitado, afinal cresci com Leonardo, Raphael, Michaelangelo, Donatello e Mestre Splinter e, é claro, assisti ao filme com a dublagem original de minha época. Ok! Também não gosto de filmes dublados, muito das atuações e um pouco do sentido original são perdidos na tradução. Mas certos filmes que nos marcam na infância, devem sim, ser vistos da mesma maneira que nos impactaram anos atrás.

Um plano geral da cidade Nova Iorque marca o início do filme, logo os quadros se aproximam das ruas, dos cidadãos nova-iorquinos e já introduz os altos índices de criminalidade da cidade. Vemos, em um aparelho de TV, uma reportagem de April O’Neil (Podia ter sido uma atriz mais gata, neh?) que fala de criminalidade na sequência um jornal reafirma, em sua manchete, os altos índices de criminalidade. Se ainda não ficou claro com todos esse planos, a sequência seguinte é o roubo da carteira do leitor do jornal mencionado e a carteira passando pela mão de vários adolescentes ate parar nas mãos do Destruidor. Pronto! Problema principal apresentado.

Após apresentar a “Onda do crime silêncioso” o longa começa a nos apresentar seus personagens, April O’Neil saindo do trabalho à noite se assusta com um rato e dá de”cara” com assaltantes. A mocinha é salva pelas Tartarugas Ninjas que entram derrotam os bandidos e saem sem serem vistos, mas Raphael deixa um de seus sais para trás. A câmera então faz um tour pelos esgotos de Nova Iorque e nos apresenta nossos heróis acompanhados de sua logo. As Tartarugas sempre empolgadas e felizes, com exceção de Raphael, retornam ao esconderijo e somos apresentados ao sábio Mestre Splinter e informados de que essa foi a primeira luta do grupo. O roteiro lembra as hqs que eram mais adultas e sérias porém é esperto e mescla o bom humor e diversos elementos da série animada.

O filme não se leva a sério e nos proporciona momentos divertidíssimos como o primeiro encontro de Casey Jones (Ótimo), e Raphael, com direito à personagem jogado de cabeça para baixo no lixo. Ou então April na estação de metrô sozinha em uma cena com plano fechado e imediatamente no plano aberto seguinte diversos ninjas a cercam. Mas em momentos específicos e muito bem escolhidos somos presenteados com cenas bem elaboradas e marcantes o travelling que a câmera tremendo faz em torno de Raphael, quando ele encontra o esconderijo destruído, culminando em um grito nervoso “SPLINTER” representa bem um desses momentos. A apresentação do Destruidor também é um grande momento, sua sombra grande e ameaçadora preenche toda a tela e depois no plano seguinte um movimento de câmera de baixo para cima nele nos revela o rosto mascarado desse poderoso vilão.

É claro que o filme tem problemas, o roteiro é simples e previsível. Existem algumas sequências que parecem perdidas das demais e o romance entre April e Casey um pouco forçado. Quando estão refugiados na fazenda a narrativa do filme se modifica e passamos a ter April que escreve em seu diário e narra essa “temporada”. E Raphael machucado se recuperando em uma banheira com água não é exatamente um momento grandioso, alias, arranca umas boas risadas que creio ser o maior objetivo do longa.

Se o bom humor reina no filme e nos faz rir com funerais de pizza, porradas com taco de golfe e adolescentes bêbados, fumantes jogando fliperama, em alguns momentos temos soluções interessantes para cenas mais sérias. As cenas de flashback elas acontecem em um fundo preto sem cenário, creio que para economizar mas uma solução que casou com o tom caricato do filme. No início dessas cenas a luz se “apaga” e no fim se “acende” lembrando até alguns recursos do teatro.

Semelhanças com os quadrinhos e com a série de desenho animado é que não faltam. Os cenários são o maior exemplo lembram muito as hqs e as animações das Tartarugas Mutantes. As lutas em geral possuem um tom caricato, mas sem se esquecer de que são baseadas em artes marciais, ainda que bastante estilizadas. A luta final também lembra bastante a série animada e em alguns momentos até parece um game de RPG por turno, com direito a uma troca de ideia entre nossos heróis enquanto o Destruidor aguarda tranquilamente o reinício da luta. A sequência final é boa Mestre Spliter mostra porque é o mestre e Casey Jones mais uma vez demonstra sua fodacidade.

O filme é um passeio pela nossa infância, um divertido entretenimento que faz jus às hqs e a série animada. Um bom exemplo de porque a turtlemania tomou conta dos anos 90, um filme para adultos e crianças. E não existe outra forma de me despedir, senão:

– COWABUNGA!

Nota do Sunça: nota_tartarugasninjas_fantasticomundodesunca

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