Sunça no Cinema – Top Gun – Ases Indomáveis (1986)

Em Top Gun – Ases Indomáveis, Pete Mitchell (Tom Cruise), um jovem piloto, ingressa na Academia Aérea para se tornar piloto de caça. Lá, ele se envolve com Charlotte Blackwood (Kelly McGillis), uma bela mulher, e enfrenta um competidor à sua altura (Val Kilmer).

110 min – 1986 – EUA

Dirigido por Tony Scott. Roteirizado por Jim Cash, Jack Epps Jr. (baseado em artigo de Ehud Yonay). Com Tom Cruise, Kelly McGillis, Val Kilmer, Anthony Edwards, Tom Skerritt, Michael Ironside, John Stockwell, Tim Robbins, Whip Hubley, Meg Ryan.

Quinze de julho “Top Gun: Ases Indomáveis” chegou ao acervo da Netflix. O longa é uma das mais influentes e celebradas produções dos anos oitenta.  Engraçado pensar que cresci assistindo, nas “tardes de cinema”, esse filme que chegou às telonas em 1986, o mesmo ano em que eu nasci. Trinta e três anos se passaram e chegamos a 2020. Ano em que temos trailer e a estreia marcada, vinte e cinco de dezembro, para a tão aguardada continuação “Top Gun: Maverick”. Dessa maneira se tornou obrigatório reassistir e escrever sobre “Top Gun”. Se é que eu precisava de alguma desculpa para isso. Depois de rever a produção, que transformou Tom Cruise em um astro, me pergunto: Será esse o motivo de todos os meus óculos escuros terem o modelo aviador? Aliás, o óculos de grau que uso neste momento é um modelo aviador.

O diretor Tony Scott apresenta sequências de ação bem filmadas e empolgantes. São manobras radicais de caças bem executadas. Em terra temos rixas e desavenças no vestiário masculino e um romance proibido entre aluno e instrutora. Efeitos sonoros de qualidade e uma trilha eficaz e inesquecível, pontuam a obra. Não foi atoa que “Take My Breath Away” da banda Berlin, ganhou o Oscar de melhor canção original. Junto a ela temos uma ótima seleção: “Danger Zone” de Kenny Loggins, Tom Cruise cantando “You’ve Lost that Lovin’ Feelin” e o que dizer de “Great Balls of Fire” de Jerry Lee Lewis, em um momento de união dos personagens. Creio que nem preciso mencionar aqui “Top Gun Anthem”. Está bem, preciso sim! Uma música instrumental com um solo de guitarra que balança o coração já no primeiro acorde. Completando todo esse cenário, a fotografia de  Jeffrey L. Kimball constantemente coloca em tela silhuetas ao pôr do sol alaranjado em praias, aeroportos e porta aviões. Sim, é brega. E é o brega bem feito.

Na trama acompanhamos Pete “Maverick” Mitchell (Tom Cruise) e seu parceiro Nick “Goose” Bradsaw (Anthony Edwards) que recebem uma chance de entrar na escola para pilotos de elite, projeto conhecido como “Top Gun”.  Na academia existe uma disputa interna, para ver quem vai atingir a melhor pontuação na formatura e ganhar o título de piloto “Top Gun”. Aí surge uma das mais famosas rivalidades do cinema, Maverick enfrenta Iceman (Val Kilmer) que é apontado como o melhor piloto da academia. Em meio a isso o protagonista se envolve romanticamente  com a instrutora  Charlotte Blackwood (Kelly McGillis). Um elenco famoso que ainda conta com uma pequena e boa participação de Meg Ryan como Carole Bradshaw, a esposa de Goose. 

O trabalho de atuação se resume a poses descoladas e sedução. São vários os diálogos e interações que não parecem naturais. As conversas entre Maverick e Iceman se resume a troca de frases de efeito em meio a vários sorrisos e uma aparentemente tensão sexual. Um exemplo da preocupação do longa com a sensualidade, é a famosa sequência de vôlei na praia. A cena pode até servir um propósito narrativo de mostrar os pilotos interagindo ou de evidenciar a rivalidade entre o protagonista e antagonista também fora da academia. Mas na prática parece uma manobra de roteiro para colocar jovens sarados, suados e sem camisa em mais uma demonstração de uma boa fotografia de Kimball. A cena acaba se mostrando necessária, apenas por nos apresentar um aperto de mão maneiro e descolado. O roteiro de Jim Cash e Jack Epps Jr. coloca Maverick como um piloto perigoso, um gênio imprevisível que pode colocar seus colegas em risco. Tenta relacionar isso a um drama pessoal. Seu pai, que também foi piloto, desapareceu durante uma missão. Mas esse trauma apenas aparece em cena quando necessário, não é desenvolvido a ponto de criarmos uma conexão com o personagem. Nem serve para impulsionar o arco narrativo de Maverick. Surge como uma muleta para ajudar a trama a caminhar adiante.

“Top Gun – Ases Indomáveis” têm como ponto forte as ótimas cenas de ação. Câmeras dentro e fora dos caças nos colocam no meio dos vôos e combates. A direção e  fotografia impressionam ainda hoje, trinta e três anos depois. São sequências de ação e suspense produzidas praticamente sem a ajuda de efeitos de computação gráfica. Sentimos a adrenalina e uma sensação de perigo real. Junte isso a um protagonista carismático, que permitiu Tom Cruise mostrar ao mundo que ele poderia carregar um filme. Uma trilha sonora inspirada e eficaz. Fechando com tretas de homens de cueca em vestiário masculino. É um sucesso. Brega, mas um brega bem feito.     

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Sunça no Streaming – The Old Guard – Netflix (2020)

Em The Old Guard, Andy (Charlize Theron) e seus companheiros formam um grupo de soldados que possuem a inestimável virtude da vida eterna. Eles vivem através dos anos oferecendo seus serviços como mercenários para aqueles que podem pagar, se passando como seres humanos comuns dentre os demais. No entanto, tudo muda com a descoberta de que existe uma outra imortal que atua como fuzileira naval.

118 min – 2020 – EUA

Dirigido por Gina Prince-Bythewood. Roteirizado por Greg Rucka (baseado em HQ de Greg Rucka e Leandro Fernandez). Com Charlize Theron, KiKi Layne, Matthias Schoenaerts, Marwan Kenzari, Luca Marinelli, Chiwetel Ejiofor, Harry Melling, Van Veronica Ngo, Natacha Karam, Mette Towley, Anamaria Marinca, Micheal Ward, Shala Nyx, Majid Essaidi, Joey Ansah, Andrei Zayats, Olivia Ross.

O novo longa original da Netflix, mais uma vez, aposta na adaptação de um gibi. “The Old Guard” é baseado em uma hq, de mesmo nome, escrita pelo talentoso quadrinista Greg Rucka, que assina o roteiro do filme, e desenhada por Leandro Fernández. A obra traz como protagonista Andrômaca de Cítia ou “Andy” como é chamada a personagem de Charlize Theron. Em 2015 a atriz impressionou no excelente “Mad Max: Estrada da Fúria” e em 2017 se consagrou como uma estrela de ação no ótimo “Atômica”.  Theron brilha mais uma vez em um filme do gênero, mesmo que dessa vez, a obra apresente um resultado que não atinge seu potencial.

Em uma trama interessante e com potencial para sequências, spin-offs e filmes derivados. Somos apresentados a Andy uma guerreira que lidera um grupo de imortais. Os protagonistas lutaram em várias guerras ao longo da história, tentando sempre proteger os indefesos e ajudar a humanidade. No presente, atuam como um esquadrão de operações especiais trabalhando em missões e buscando fazer o bem no mundo. A líder Andy é a mais antiga do grupo, junto a ela temos Brooker (Matthias Schoenaerts) um sobrevivente das guerras napoleônicas, Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli) ambos foram cavaleiros das Cruzadas, porém de lados opostos na batalha. O grupo passa a ser perseguido por uma empresa farmacêutica que pretende descobrir o segredo da imortalidade. No meio disso surge uma nova imortal, Nile (Kiki Layne) uma fuzileira do exército norte-americano.  

A personagem de Charlize Theron têm mais destaque, sua a performance e dedicação as cenas de luta elevam o filme. Sabemos um pouco mais sobre seu passado, seus traumas e seus objetivos. Mas sabemos muito pouco sobre os demais imortais. Suas origens e algumas informações do passado são reveladas e se mostram interessantes. São poucos elementos que acabam fazendo falta para os arcos e narrativas dos personagens. Não compreendemos suas motivações o que atrapalha a dinâmica do filme. Os antagonistas são ainda mais rasos, o ex-agente da CIA Copley (Chiwetel Ejiofor) têm propósito e motivações apresentadas, ainda que suas ações e crenças mudem conforme seja necessário na trama. Já Merrick (Harry Melling) é o vilão caricato e unidimensional. O roteiro de Greg Rucka apresenta uma história imersiva e curiosa. O longa propõe uma discussão sobre a imortalidade tentando abordar o lado emocional de se viver centenários. Reflete sobre as dores, o sofrimento e as inúmeras perdas que uma existência prolongada pode trazer.  Porém a falta de informações importantes e alguns arcos dramáticos incompletos atrapalham a narrativa do filme. Ao terminar a projeção a impressão é de assistir a um primeiro capítulo de uma série. O que de fato se comprova com o gancho narrativo proposto.

A violência é explícita, mortes gráficas e sanguinolentas, com efeitos especiais bem trabalhados. As cenas de luta merecem destaque, são bem filmadas e enquadradas pela diretora Gina Prince-Bythewood. Ela nos mantém com uma boa noção espacial durante as lutas e, em alguns planos estáticos, nos permite ver a ação de forma contínua. Aqui entra um outro elogio a coreografia das lutas e ao trabalho de dublês. A dedicação de Theron é perceptível, está muito bem nas cenas o que permite menos cortes e mais ação em suas lutas. 

“The Old Guard” é um bom filme de ação que consegue alcançar esse patamar devido ao carisma e talento de Charlize Theron. A coreografia de lutas e trabalho de dublês também são um ponto forte. Apresenta uma história interessante e uma boa discussão sobre a imortalidade e sobre a humanidade. Suas reflexões são rasas e a trama é apressada. A intenção criar uma nova franquia é explícita. O que não me parece algo ruim. O mundo criado é imersivo e, em uma possível sequência, aprofundar na mitologia dos imortais, no passado de seus personagens e na origem de seus poderes. É algo promissor.

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Sunça no Cinema – Toy Story 4 (2019)

Agora morando na casa da pequena Bonnie, Woody apresenta aos amigos o novo brinquedo construído por ela: Forky, baseado em um garfo de verdade. O novo posto de brinquedo não o agrada nem um pouco, o que faz com que Forky fuja de casa. Decidido a trazer de volta o atual brinquedo favorito de Bonnie, Woody parte em seu encalço e, no caminho, reencontra Bo Peep, que agora vive em um parque de diversões.

100 min – 2019 – EUA

Dirigido por Josh Cooley. Roteirizado por Andrew Stanton, Stephany Folsom. Com Tom Hanks, Tim Allen, Annie Potts, Tony Hale, Keegan-Michael Key, Madeleine McGraw, Christina Hendricks, Jordan Peele, Keanu Reeves, Ally Maki, Jay Hernandez, Lori Alan, Joan Cusack, Bonnie Hunt, Kristen Schaal, Emily Davis, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Blake Clark, June Squibb, Carl Weathers.

Em 1995 “Toy Story” chegou aos cinemas. Com nove anos de idade, me identifiquei com Woody e seus dilemas. Em sua primeira “aventura” o cowboy aprendia a lidar com as mudanças da vida, novos relacionamentos e amizades. Quatro anos depois nosso amado xerife aprendeu sobre o valor de seu passado e conheceu novos brinquedos. Tudo isso, enquanto buscava por seu lugar no mundo. Onze anos se passaram, e eu, já aos vinte e quatro anos de idade e formado na faculdade, me peguei chorando com Woody quando ele lidava com a efemeridade da vida, lutava por suas crenças e ideais e tentava manter sua família unida. Em 2019 assisti pela primeira vez a busca de autoconhecimento e a tentativa do cowboy de descobrir seu real propósito na vida. Aos trinta e dois anos de idade “Toy Story 4” me mostrou que eu cresci e amadureci ao lado do meu amigo Woody. E que a franquia “Toy Story” não é sobre a saga dos brinquedos de Andy. É sobre a história de Woody, sua devoção a Andy e a seus amigos. Acompanhamos suas tentativas em encontrar e cumprir a sua função no mundo.     

Quando Andy doou seus brinquedos para Bonnie (Madeleine McGraw), na época, soou como o final perfeito. Mas não demoramos a perceber que nosso protagonista está com problemas. Woody (Tom Hanks) tem ficado “esquecido” no armário nos momento em que a garota inventa suas histórias e cria seus mundos. A heroína de Bonnie é Jessie (Joan Cusack) que chega até a usar o distintivo de Woody durante suas brincadeiras. O cargo de líder dos brinquedos naturalmente ficou para a boneca Dolly (Bonnie Hunt) um brinquedo mais antigo da menina. Aqui já percebemos que está acontecendo um importante, e necessário, crescimento nas lideranças femininas. Um reflexo de nossa sociedade que têm caminhado nessa direção. Tudo isso se comprova com o retorno de Betty (Annie Potts) a mocinha indefesa das brincadeira de Andy, é agora um brinquedo sem dono. Ela é independente, forte e segura de si. Alguém que encontrou seu lugar  no mundo. E dessa vez, é Betty que resgata Woody. Literalmente, emocionalmente e psicologicamente.   

Mesmo deixado de lado por Bonnie o xerife não desiste de sua “função” e luta de forma obstinada pela felicidade da menina. Ele acaba encontrando refúgio em uma outra obrigação, cuidar do novo queridinho da menina, o Garfinho (Tony Hale). Personagem que chega trazendo ainda mais crises existenciais para a obra. Ele que não se considera nada mais do que lixo se une ao complexado e inseguro Duke Caboom (Keanu Reeves), a obcecada em ser amada Gabby Gabby (Christina Hendricks) e o perdido Woody.  O cowboy tenta convencer Garfinho que ele é mais do que apenas lixo. E assim, entra em uma jornada de autodescobrimento que vai envolver todas essas discussões existenciais mencionadas. Sempre com bom humor e sem perder a leveza de uma produção destinada a toda família.  

O diretor Josh Cooley é inventivo e conduz a narrativa de forma dinâmica, com boas gags visuais, piadas verbais, humor de repetição e subversão. Sabe trazer referências visuais e de estilo das obras anteriores e também o momento certo de subverter conceitos antigos. Faz acenos a clássicos do cinema, como por exemplo “O Iluminado” não apenas com a canção “Midnight, the Stars and You” no antiquário, mas também com todo o clima de terror e medo nas sequências que envolvem os terríveis bonecos ventríloquos. O roteiro de Andrew Stanton e Stephany Folsom merece destaque por saber não só dar sequência a principal franquia da PIXAR, mas por conduzi-la a novos caminhos, introduzir novas ideias e evoluir. Ainda assim ele perde força em alguns momentos, a obrigação de encontrar funções narrativas para os inúmeros personagens secundários criam sequências que não justificam seu tempo em tela.  

É triste perceber que personagens importantes como por exemplo Buzz Lightyear (Tim Allen) não ganham papel de destaque neste quarto capítulo. O arco dramático de Buzz se resume a ouvir sua própria voz, o que gera boas piadas, mas seria bom ver mais do patrulheiro espacial. Vale destacar que enquanto Buzz tenta escutar sua “voz interior”, Woody abre mão da sua em prol de sua obstinação para recuperar Garfinho, Betty entoa sua voz firme e forte ao longo de toda a projeção e a “vilã” busca apenas encontrar sua própria voz. Os novos personagens são ótimos e vêm para agregar. Além do maravilhoso Duke Caboom temos o Ducky (Keegan-Michael Key) e o Bunny (Jordan Peele) que roubam a cena sempre que lhes é dada a oportunidade. E o que dizer do insano unicórnio Buttercup (Jeff Garlin)? 

“Toy Story 4” nos emociona com força em seus momentos finais. É difícil segurar as lágrimas diantes dos inevitáveis acontecimentos e encerra com maestria mais um de nossos ritos de passagem. Woody percebe o erro em sua excessiva devoção. Ele aprende que sua função e o que o define não deve ser vinculado aos desejos de outros, ou ao reconhecimento dado por outros. 

Sigo fascinado pelos quatro filmes da franquia e espero poder continuar crescendo e amadurecendo com o meu amigo Woody. 

Nota do Sunça:

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Sunça no Streaming – Last Days of American Crime – Netflix (2020)

Em The Last Days of American Crime, num futuro não muito distante da realidade, o governo dos EUA inventa a transmissão de um sinal que impossibilita a prática de atos ilegais. Pensando nisso, um grande assalto é planejado por um ladrão de bancos antes desse novo sistema entrar em ação.

148 min – 2020 – EUA

Dirigido por Olivier Megaton. Roteirizado por Karl Gajdusek (baseado em graphic novel de Rick Remender e Greg Tocchini). Com Édgar Ramírez, Anna Brewster, Michael Pitt, Sharlto Copley, Sean Cameron Michael, Alonso Grandio, Daniel Fox, Robert Hobbs.

“Last Days of American Crime” se passa em um futuro distópico, no qual os EUA está prestes a ativar uma nova tecnologia de controle da criminalidade. Utilizando um dispositivo capaz de emitir um sinal que controla as ondas cerebrais de seus cidadãos o país pretende acabar com a corrupção, violência e o crime. O sinal impede as pessoas de agir quando estão prestes a executar ações, nas quais elas têm consciência de ser contra a lei. É neste contexto que  Graham Bricke (Edgar Ramírez) aceita fazer um último grande assalto. Essa é a premissa do novo longa da Netflix, que apesar de exigir uma grande suspensão de descrença, é sim interessante e promissora. Mas o que parece ser instigante, cativante e inovador para por aqui. Acompanhamos uma trama preguiçosa, sem imaginação e maçante. São duas horas e meia de projeção que não passam despercebidas. Nelas o enredo se dedica a interessante premissa inicial durante apenas quarenta minutos (Talvez menos). 

Na obra o irmão de Bricke morre de forma injusta. Como não temos tempo de conhecê-lo ou ver sua relação com o protagonista, pouco nos importa. Mas ainda assim ele resolve vinga-lo. Bricke se envolve romanticamente com Shelby Dupree (Anna Brewster) uma hacker (mágica) cheia de segredinhos. O noivo dela, Kevin Cash (Michael Pitt), é quem o recruta para o assalto. Kevin é também filho de um grande chefe do crime que está atrás da cabeça de Bricke. O roteiro reúne o máximo de elementos e situações de longas de ação. É inchado e cheio de sequências desnecessárias e confusas. 

Graham apanha, leva tiros, participa de perseguições automotivas, é queimado vivo, transa e assalta sempre com a mesma expressão de tédio. Edgar Ramírez parece completamente desinteressado com o filme (Sentimento com a qual me identifiquei). Shelby Dupree é a mulher objeto do longa, cheia de clichês em sua sensualização e em suas motivações. O que impressiona é o fato de Anna Brewster conseguir mostrar personalidade com o pouco que a obra lhe oferece. Seu noivo, Kevin Cash, é um louco com ações incoerentes e o retrato de uma atuação exagerada e caricata. A sequência no escritório do pai de Kevin em que a família “lava a roupa suja” merece destaque por ser uma das piores que eu já assisti. Um momento que têm a intenção de ser dramático, uma cena ação e tensão. Mas que o resultado final é uma mistura de comédia pastelão com vergonha alheia. É um show de interpretações exageradas e movimentos de câmera mal planejados.                

O Diretor Olivier Megaton, que também dirigiu “Busca Implacável 2” e “Busca Implacável 3”, não têm controle do elenco e nem de seus enquadramentos, planos e sequências. São cenas de ação monótonas, desinteressantes e mal planejadas. O roteiro de Karl Gajdusek é um festival de subtramas que só servem para aumentar o tempo de duração da obra.  Um bom exemplo é o personagem sem nome de Sharlto Copley, que ganha um grande destaque ao longo do filme e que não exerce função narrativa. É completamente descartável.

“Last Days of American Crime” é um festival de diálogos expositivos, atuações artificiais e sequências de ação extensas, desinteressantes e monótonas. 

Nota do Sunça:

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Sunça no Cinema – Turma da Mônica: Laços (2019)

Floquinho, o cachorro do Cebolinha (Kevin Vechiatto), desapareceu. O menino desenvolve então um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fiéis amigos Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira). Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver grandes aventuras para levar o cão de volta para casa.

96min – 2019 – Brasil

Dirigido por Daniel Resende, roteirizado por Thiago Dottori. Com: Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo, Gabriel Moreira, Mônica Lozzi, Paulo Vilhena, Ravel Cabral e Rodrigo Santoro.

A maioria das crianças brasileiras da minha geração, aprendeu a ler com os gibis da turma da mônica. Comigo não foi diferente. Aliás, é um dos motivos pelo qual hoje sou quadrinista e cartunista. Ouso dizer, que até hoje a turminha é extremamente popular com as crianças e jovens em geral. A ideia de ver a criação de Maurício de Souza na telona, inicialmente, desagradou muitos fãs. Mas não a mim. A escolha de adaptar a Graphic MSP “Turma da Mônica – Laços” dos amigos Vitor e Lu Cafaggi, para mim era acertadíssima. A HQ de 2013 foi um grande sucesso de crítica. E trazia um conto de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali no melhor estilo “Goonies” e “Conta comigo”. Uma história de crescimento e amadurecimento que fortalecia os laços da turma. Outra escolha que me deixava confiante era o diretor. Daniel Rezende que após anos de carreira como um ótimo montador em longas diversos como: Cidade de Deus, Água Negra, Diários de Motocicleta, Tropa de Elite 1 e 2 e Ensaio Sobre a Cegueira. Só para citar alguns. Estreou na direção com o ótimo “Bingo – O Rei das Manhãs”. Fico muito feliz de “Turma da Mônica: Laços” ter atendido as minhas expectativas. E não tenho palavras para dizer como foi especial poder assistir ao filme na mesma sessão que o Vitor, Lu e o Maurício de Souza.  

Floquinho, o “cacholinho” do Cebolinha (Kevin Vechiatto), é sequestrado. Então Cebolinha, Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) partem juntos em busca do cãozinho. Para isso, a turminha enfrenta grandes desafios e vive uma aventura recheada de planos infalíveis e amigos fiéis. O roteiro de Thiago Dottori segue a base da HQ do Vitor e da Lu, mas traz consigo novos personagens, situações e acontecimentos.  O universo criado no filme remete sim a Graphic MSP, mas se parece mais com os gibis clássicos dos personagens. A direção de arte é linda, um visual colorido que cria uma ambientação analógica e atemporal, assim como nas hqs. Temos vendedores de rua, muitas praças, árvores e parques. Vale uma menção para a participação de Leandro Ramos como vendedor de balões. Participações e easter eggs são o que não faltam. Temos a presença de Maurício de Souza e do Vitor e Lu Cafaggi. Menções a Turma do Penadinho, as aparições de Cranicola e do Louco (Rodrigo Santoro). A sequência do encontro entre o Louco e o Cebolinha é inventiva, usa de truques de montagem e representa bem o personagem. Além de trazer um “resumo” do aprendizado do Cebola. Temos também vários bonecos e objetos que são menções e representações de outros personagens. Um outro elemento essencial da obra é a trilha sonora, que além de pontuar cenas específicas, acentuando momentos importantes, cria uma atmosfera única para toda a projeção. É impressionante como a trilha sonora de Fabio Góes é respeitosa e inovadora. E como ajuda a narrar a história.

Certamente outro ponto forte é o elenco. Giulia Benite (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão) ficaram perfeitos nos papéis. São talentos mirins promissores. Todos eles se destacam individualmente e coletivamente. A caracterização deles e dos demais personagens também está impecável. O tom escolhido para o filme não é tão lúdico como nos gibis iniciais, é mais emotivo, nostálgico e dramático. Porém sem perder o viés divertido e cômico, afinal, o público alvo da obra é o infantil. No início a Mônica é coadjuvante de seu próprio filme. Cebolinha é desrespeitoso e irritante com seus amigos. E o que parece ser um comportamento tóxico na tela, é na verdade posto em discussão. Destaco aqui a surpreendente, e emotiva, cena com a Mônicas e seus olhos cheios de lágrimas após uma discussão da turma na floresta. É um grande aprendizado para o próprio Cebolinha e seu arco dramático mostra a importância de valorizar seus amigos, e suas diferenças. O que rende a ótima sequência de resgate do Floquinho. Todos eles têm que fazer “sacrifícios” e confiar uns nos outros para garantir o sucesso da missão. A importância da amizade e seus “laços” é nítida e representada de forma literal na floresta. 

“Turma da Mônica: Laços” cumpre a sua difícil missão. Representa bem os personagens de Maurício de Souza, traz a tela a ótima história de Vitor e Lu Cafaggi e apresenta uma produção nacional que transborda carisma, qualidade técnica e comprometimento com os fãs. A direção de Daniel Rezende é cuidadosa, carinhosa e talentosa. Seus enquadramentos ajudam a contar a história. Em vários momentos refletem as angústias, alegrias, tristezas e teimosias (No caso do Cebolinha) de seus personagens.  No fim, vemos que os “planos” nem sempre são “infalíveis”. Mas os “laços” da amizade são.

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Sunça no Cinema – Te Peguei! (2018)

Desde a primeira série na escola um grupo de cinco amigos têm um hábito curioso, que realizam pelo menos uma vez ao ano: brincar enlouquecidamente de pega-pega, correndo em uma partida alucinante para ser o último homem de pé ao final da brincadeira, arriscando seus empregos e relacionamentos. Neste ano, que coincide com o casamento do jogador invicto da trupe, eles farão de tudo para derrubá-lo no momento de vulnerabilidade.

101 min – 2018 – EUA

Dirigido por Jeff Tomsic , roteirizado por Rob McKittrick e Mark Steilen. Com: Ed Helms, John Hamm, Jeremy Renner, Hannibal Buress, Jake Johnson, Isla Fisher, Rashida Jones e Leslie Bib.


“Você não para de brincar porque envelhece. Você envelhece porque para de brincar.”

Pessoalmente acho difícil discordar ou não se identificar com o argumento acima. Frase que é o lema de um grupo de amigos que há décadas jogam a mesma partida de pega-pega. E essa é a linha guia de “Te Peguei!”, longa inspirado em uma história real, e que utiliza como base um artigo de Russell Adams do “Wall Street Journal”. (“It Takes Planning, Caution to Avoid Being I’t”) Os amigos seguiram com suas vidas, se mudaram, casaram, porém uma vez por ano, no mês de maio, eles se perseguem para brincar. Afinal, ninguém quer ser o “pega” pelo ano inteiro.

Bob (John Hamm), Hogan (Ed Helms), Chilli (Jake Johnson), Kevin (Hannibal Buress) e Jerry (Jeremy Renner) são amigos de infância que não medem esforços para manter a sua tradição do pega-pega. Os protagonistas elaboram planos mirabolantes, com situações inusitadas e estratégias malucas que vão até às últimas consequências, o jogo não pode parar. A trama é simples, Jerry planeja se aposentar da brincadeira depois da atual edição. Ele tem o recorde perfeito e nunca foi pego. Invicto há décadas, ele é muito bom no que faz e consegue sempre escapar das investidas dos colegas. O jogo coincide com o casamento de Jerry e Hoagie decide que antes da aposentadoria do amigo eles têm que conseguir pegá-lo.

O grande desafio de “Te Peguei!” é utilizar essa interessante premissa, expandi-la e manter o espectador interessado durante toda a obra. E, é claro, fazer rir durante o percurso. E nisso, o filme é bem sucedido. O roteiro de Rob McKittrick e Mark Steilen cria bons personagens, com os quais nos identificamos,  e com relações críveis. Acreditamos de fato que aquele é um grupo de amigos de infância. No meu caso, (Tenho um grupo de amigos desde os três anos de idade) a empatia com o grupo e suas rixas, suas piadas, brincadeiras e ,como vemos no final, o amor um pelo outro foi imediata. Tudo isso em grande parte devido ao elenco principal que faz um ótimo trabalho. A produção ainda conta com Isla Fisher, Leslie Bibb, Annabelle Wallis e Rashida Jones, que também fazem um bom trabalho. O roteiro não é perfeito, é frágil e possui vários problemas. Um deles é a personagem Rebecca Crosby (Annabelle Wallis), inicialmente seu papel é de ajudar o espectador a entender aquele mundo, acompanhando os acontecimentos de perto. Porém rapidamente é esquecida e colocada em segundo plano. Passando até mesmo a ser desnecessária para o enredo.

O diretor Jeff Tomsic também é um grande responsável por fazer as piadas e a trama funcionar. Os momentos do jogo são filmados como se fossem grandes cenas de ação, com um interessante apelo visual. Cortes rápidos e movimentos de câmera nos colocam em sequências que parecem ter saído de um filme de ação. Destaque para as cenas em que Jerry é atacado pelos amigos e passa a antever seus movimentos. O ritmo narrativo é dinâmico e varia entre comédia, ação e até mesmo o  drama. Em sua maioria as cenas são atraentes e engraçadas.

“Te Peguei!” é uma comédia. Logo, seu propósito principal é fazer rir. Comédia é um gênero difícil de fazer e de analisar. O senso de humor de cada pessoa varia muito. Uma mesma cena causa gargalhadas em uns e asco em outros. Contando a seu favor o filme tem seus personagens e temas da infância com forte identificação. Uma boa premissa, que evoca nostalgia e traz a tona nossas lembranças de meninez. O longa é divertido, cativante e problemático assim como as amizades de longa data. E sim, ele faz rir e é engraçado.        

Obs. Nos créditos inciais vemos vídeos dos amigos reais brincando.

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Sunça no Cinema – Tomb Raider: A Origem (2018)

Aos 21 anos, Lara Croft (Alicia Vikander) leva a vida fazendo entregas de bicicleta pelas ruas de Londres, se recusando a assumir a companhia global do seu pai desaparecido (Dominic West) há sete anos, ideia que ela se recusa a aceitar. Tentando desvendar o sumiço do pai, ela decide largar tudo para ir até o último lugar onde ele esteve e inicia uma perigosa aventura numa ilha japonesa.

118min – 2018 – EUA

Dirigido por Roar Uthaug e roteirizado por Patrick Massett e John Zinman. Com Alicia Vikander, Domic West, Walton Goggins, Daniel Wu, Kristin Scott, Hannah John-Kamen, Derek Jacobi e Josef Altin

Em 2013 Lara Croft passou por um, bem sucedido, reboot em sua franquia de games. Era de se esperar que sua carreira cinematográfica sofresse o mesmo processo. Foram dois filmes, um em 2001 e outro em 2003, ambos estrelados por Angelina Jolie.  Agora em 2018, Alicia Vikander assume o papel de Lara e protagoniza uma adaptação do game de 2013.

Em “Tomb Raider: A Origem” Croft é uma jovem que trabalha como entregadora em Londres. Ela não aceita a morte de seu pai Richard Croft (Dominic West), desaparecido a sete anos, e se recusa a assumir os negócios da família e a herança deixada por ele.  Quando descobre indícios do paradeiro de seu pai ela parte para a ilha de Yamatai e acaba se envolvendo com a lenda de Himiko. Nesta nova empreitada Lara é retratada como uma mulher comum que acaba em uma situação de sobrevivência e passando por vários acontecimentos ruins. Uma pena que essa abordagem interessante seja deixada de lado e o foco real passe a ser as cenas de ação (Muitas vezes genéricas) e seu drama familiar, explorado através de (diversos) flashbacks. Inicialmente o longa se esforça em mostrar a protagonista lutando boxe, pedalando habilmente pelas ruas de Londres e até em uma perseguição ágil no porto de Hong Kong. Isso, para no futuro justificar suas habilidades nos momentos de dificuldade. Ainda que quando necessário ela receba uns poderes adicionais do roteiro. Ferida, machucada e perdida Lara consegue realizar proezas como escaladas difíceis, saltos gigantes e maestria em armadilhas mortais.

Alicia Vikander é convincente no papel e traz consigo um peso dramático. Sua personagem é mais humana, porém a trama não ajuda e a deixa Croft um pouco rasa e superficial. A performance da atriz salva vários diálogos ruins que poderiam soar ridículos. O mesmo não acontece com Dominic West que é protagonista de falas risíveis. O vilão Mathias Vogel (Walton Goggins) também é salvo pelo carisma do ator já que é um personagem raso e caricato que pouco tem a oferecer. O enredo até tenta humanizá-lo, mas não é bem sucedido nesse aspecto. Seu único aliado Lu Ren (Daniel Wu) pouco têm a fazer e acaba sendo “esquecido” pelo enredo. Com uma direção fraca e preguiçosa a narrativa segue desinteressante e previsível. Para fechar com chave de ouro em seus minutos finais “Tomb Raider” sugere que tudo o que presenciamos foi um grande trailer da próxima aventura de Lara.

“Tomb Raider: A Origem” têm força em sua personagem principal, Vikander entrega proezas físicas ao mesmo tempo que consegue transmitir o impacto de ter matado alguém pela primeira vez, ou a dor de ter o abdômen perfurado. Mesmo que o longa ignore tudo minutos depois. Seria mais válido uma trama que desse mais espaço para a história de sobrevivência de Croft, suas transformações físicas e psicológicas enquanto persegue o “fantasma” do pai e a lenda de Himiko. Mas tudo isso é pano de fundo para cenas de ação exageradas e a tentativa de iniciar uma franquia. Não é um desastre, mas Lara Croft merecia mais.

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Sunça no Cinema – Thor: Ragnarok (2017)

Trinta anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, um novo Blade Runner desenterra um segredo que tem o potencial de transformar em caos o que resta da sociedade.

164 min – 2017 – EUA

Dirigido por Denis Villeneuve e roteirizado por Hampton Fancher e Michael Green. Com Ryan Gosling, Harrison Ford, Jared Leto, Ana de Armas, Sylvia Hoeks, Robin Wright, Dave Bautista, Mackenzie Davis e Carla Juri.

Texto originalmente publicado no site Cinema e Cerveja.

Dois mil e dezessete têm sido um bom ano para os filmes de super-herói. Começamos o ano com o excelente western “Logan” e na sequência a ótima “space opera” de humor “Guardiões da Galáxia Vol.02”. Também fomos surpreendidos por um deslumbrante filme de guerra e origem de personagem, “Mulher-Maravilha”. Um ótimo longa adolescente, no melhor estilo John Hughes, reimaginou um consagrado herói, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”. É nesse cenário, de experimentação e inovação no gênero, que chega o terceiro longa solo do Deus do Trovão, “Thor: Ragnarok”.

Além da concorrência de qualidade Thor também enfrenta seus fracos filmes anteriores, “Thor” e “Thor: O Mundo Sombrio”. Eis que o diretor Taika Waititi nos apresenta o melhor filme da divindade, que pode até não superar os demais longas de herói do ano, mas acerta o tom e entrega uma boa comédia. “Thor: Ragnarok” se rende ao humor, é irônico, envolvente e diverte. A obra sabe fazer rir sem abandonar as cenas de ação. (Duas delas são grandiosas e épicas, ao som de “Immigrant Song” do “Led Zeppelin”). De fato, é uma grande mudança no personagem que antes era  sisudo, formal e com filmes mais pretensiosos. Logo no início o Deus do Trovão protagoniza várias piadas e na sequência uma rápida cena de ação, demonstrando o caminho que a aventura vai seguir. Os apreciadores de um filho de Odin mais sério e clássico podem não gostar dessa nova versão nitidamente inspirada por “Guardiões da Galáxia

Thor (Chris Hemsworth) descobre que seu irmão Loki (Tom Hiddleston) está vivo, ambos vão em busca do pai, Odin (Anthony Hopkins) que está moribundo. Em meio a isso Hela (Cate Blanchett) ressurge e pretende escravizar Asgard e os demais reinos. O Deus do Trovão acaba exilado no planeta Sakaar onde têm que lutar como gladiador para conquistar sua liberdade e retornar para seu planeta natal. Seu objetivo é evitar o Ragnarok, o apocalipse de seu mundo. Em Sakaar o herói reencontra Hulk (Mark Ruffalo).

Chris Hemsworth está bem, é engraçado e têm um ótimo timing para o humor. Tom Hiddleston sempre se mostra bem como Loki, mas são nos personagens coadjuvantes que o filme demonstra força. O Hulk de Mark Ruffalo é uma criança brigona e birrenta, Jeff Goldblum se destaca como o Grandmaster que trata a tudo e a todos de forma cômica e risonha. E Cate Blanchett visivelmente se diverte com sua vilã unidimensional, consegue fazer rir e ser ameaçadora quando necessário. É uma pena que no final fique a impressão de que a vilã foi pouco aproveitada. Valquíria (Tessa Thomson) é forte, independente, boa de briga e beberrona. Vale uma menção para o ótimo personagem Korg, um gigante de pedra dublado pelo próprio diretor Taika Waititi. Pòrém os personagens não estão alí para filosofar e/ou levantar questionamentos, o objetivo é a jornada. O que importa é a aventura e a piada. Não existe peso emocional para as atitudes e decisões tomadas. Outro aspecto negativo é a nova equipe, os “Revengers”, que não funciona como um time. Os integrantes têm seus melhores momentos quando estão sozinhos e/ou em duplas. Um bom exemplo são as cenas entre Hulk e Thor que sempre funcionam muito bem. O primeiro encontro entre os heróis rende uma sequência bem executada, engraçada e surpreendente.

A opção por uma comédia é acertada, mas traz problemas e algumas incoerências. O Ragnarok é o apocalipse, a destruição de Asgard. E devido as constantes piadas o evento não evoca perigo, não temos a sensação de urgência e seriedade da situação. O roteiro poderia ser mais objetivo e direto, em alguns momentos as situações parecem deslocadas e perdemos o interesse em alguns elementos da trama. A presença de diálogos expositivos e longas explicações também não ajuda. Algumas participações de personagens da Marvel, apesar de legais, parecem desnecessárias. O visual do filme é outro acerto, e fica claro as referências a Jack Kirby quadrinista responsável por grandes histórias do Deus do Trovão. As texturas, cores, figurinos de Sakkar e do longa como um todo remetem a seu trabalho. Alguns exageros visuais e até mesmo efeitos especiais (Raios e energias cósmicas) lembram diretamente os traços do ilustrador. Porém é lamentável que uma das cenas visualmente mais bonitas, seja um rápido flashback com a história da Valquírias.

Até os anos sessenta os gibis de super-heróis eram aventuras despretensiosas, histórias fechadas que funcionavam em si. E assim é “Thor: Ragnarok” um filme divertido e que não se leva a sério. Uma comédia que desenvolve o universo do personagem, entretém e causa boas risadas.

Obs. Temos duas cenas pós-créditos. Uma logo após ao filme e outra no final de todos os créditos.

Nota do Sunça:

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Sunça no Cinema – As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras (2016)

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Auxiliado pelo dr. Baxter Stockman (Tyler Perry), o Clã do Pé planeja libertar o vilão Destruidor (Brian Tee) exatamente quando ele é transferido para a prisão. Após o plano de resgate ser descoberto por April O’Neal (Megan Fox), as tartarugas ninja entram em ação para impedi-lo – só que fracassam graças à iniciativa de Krang, um ser alienígena que planeja invadir a Terra. Para enfrentá-los, as tartarugas contam com a ajuda de um novo combatente: Casey Jones (Stephen Amell), um policial que estava no camburão que conduzia o Destruidor quando conseguiu escapar.

  112 min – 2016 – EUA

Dirigido por Dave Green, roteirizado por André Nemec  e Josh Appelbaum. Com Pete Ploszek, Jeremy Howard, Alan Ritchson, Noel Fisher, Tony Shalhoub, Megan Fox, Stephen Amell, Will Arnett, Laura Linney, Alessandra Ambrosio, Brian Tee, Tyler Perry, Brad Garrett, Pete Ploszek, Gary Anthony Williams e Stephen Farrelly.

Diferente de seu antecessor As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras, é um filme despretensioso, divertido e alegre. Não que o filme anterior fosse chato e/ou triste, mas a necessidade de ter um lado sombrio e colocar a história com o “pé no chão” foram elementos que não agradaram e que aqui, estão ausentes. Sou um grande fã das Tartarugas Ninjas, cresci acompanhando suas aventuras nas animações, nos games e nos quadrinhos. Também acompanhei seus longas e até já escrevi sobre eles. Apenas nos quadrinhos que percebemos nossos adolescentes mutantes com um viés mais “dark”. Então, acredito que sim, o filme das tartarugas deve ser divertido e despretensioso. Até porque foi exatamente como um contraponto, uma crítica e até como uma paródia aos super-heróis, que Kevin Eastman e Peter Laird criaram os personagens.  E dessa vez, é exatamente isso o que nos aguarda nos cinemas.

Sem a necessidade de explicar tudo e amarrar tudo a obra é frenética e insana. O Furgão das Tartarugas (Um caminhão de lixo no filme), teletransporte, portal para a dimensão X, a base Technodrome de Krang, o próprio Krang, Bebop e Rocksteady, dr. Baxter Stockman (Idêntico desing das hqs) além do retorno do Destruidor, vão deixar os fãs, que como eu, acompanhavam nossos heróis na década de 90, felizes. O longa não se leva a sério e seu roteiro não se empenha em explicar tudo o que acontece ele segue seu rumo sem nunca parar e/ou recuar. A franquia parece ter entendido seu lugar e foca na personalidade de Leonardo, Donatello, Raphael e Michelangelo, sabe utilizar mestre Splinter (Tony Shalhoub) em seus momentos sábios e cômicos. Casey Jones está de volta. Um dos personagens mais queridos é introduzido na nova versão e é bem colocado pela trama dentro desse universo, aos poucos vemos sua personalidade, entendemos seus motivos e até ganhamos uma cena de luta com taco de hóquei e patins.

Logo no início acompanhamos a tentativa, bem sucedida, do Clã do Pé de resgatar o Destruidor (Brian Tee) enquanto ele é transferido para prisão. Eles são auxiliados pelo dr. Baxter Stockman (Tyler Perry). April O’Neal (Megan Fox) descobre os planos de resgate e as tartarugas ninja entram em ação. Ao acionar um poder que não conhece por completo Stockman acaba colocando o Destruidor em contato com Krang (Brad Garrett), um ser alienígena que planeja invadir a Terra e os dois acabam formando uma aliança. Com a ajuda de Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Stephen Farrelly), Destruidor precisa reunir três peças de uma máquina capaz de abrir um portal para a dimensão X e tornar a invasão de Krang possível.  Então sobra para Leonardo (Pete Ploszek), Donatello (Jeremy Howard), Raphael (Alan Ritchson), Michelangelo (Noel Fisher) e Casey Jones (Stephen Amell), perseguir Bebop e Rocksteady e acabar com os planos do vilão.

Focando em cenas de ação grandiosas e surtadas, o filme se supera criando situações cada vez mais frenéticas e intensas. O amor pelas pizzas está de volta e também as referências a cultura pop que são um marco de nossos ninjas. Quando em determinado momento os heróis têm que saltar de um avião para outro em pleno voo somos agraciados com Raphael se perguntando o que Vin Diesel faria. Na sequência já partimos para uma cena grandiosa nas cataratas do Iguaçu, o filme faz questão de evidenciar o Brasil em vários momentos, até conta com a modelo Alessandra Ambrósio em seu elenco. Tudo isso certamente devido ao sucesso que seu antecessor teve em nosso país. Vale mencionar uma divertida referência a Transformers. Seria legal ver mais cenas de luta entre as tartarugas e Bebop e Rocksteady, faltou também o Destruidor tentar sua vingança. A nova adição ao elenco é boa, Stephen Amell é bom com Casey Jones e Gary Anthony e Stephen Farrelly lembram bem o Bebop e Rocksteady da antiga animação. Megan Fox e Will Arnett, que reprisa seu personagem Vern Fenwick, têm bem menos espaço na trama, o que para mim é um acerto.  Mestre Splinter, a chefe de polícia Vincent (Laura Linney) e Casey Jones (Em alguns momentos) parecem existir apenas para fazer a ligação entres as diversas cenas de ação.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras sofre com excesso de reviravoltas, de personagens e de cenas de ação. Muitos personagens têm suas cenas justificadas apenas como objetivo de mover a trama adiante, e muitos deles parecem prever e entender tudo de imediato. Tudo acontece rápido, uma situação já nos leva a próxima que nos entrega para uma nova cena de ação que já nos apresenta um novo personagem que nos leva a um novo conceito e assim uma nova situação. Um filme surtado com situações gigantescas, personagens intensos e ação frenética. Acerta na personalidades de seus personagens principais e por ser despretensioso, divertido e alegre. É um bom filme das tartarugas e o caminho no qual a franquia deve sim seguir. É um bom contraponto aos super heróis complexados e sombrios da DC e da complexa e interminável conectividade do Universo Cinematográfico da Marvel.

Obs. Na cabine de imprensa não foi exibida cena pós créditos

Nota do Sunça:

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Sunça no cinema – Truque de Mestre: O Segundo Ato

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Um ano depois de enganar o FBI e ganhar o carinho do público com os seus espetáculos, os Quatro Cavaleiros ressurgem para se encontrar cara a cara com um inimigo que fará com que eles criem o seu truque mais perigoso até agora.

  115 min – 2016 – EUA

Dirigido por Jon M. Chu, roteirizado por Ed Solomon e Pete Chiarelli. Com Lizzy Caplan, Mark Ruffalo, Daniel Radcliffe, Dave Franco, Woody Harrelson, Michael Caine, Jesse Eisenberg, Sanaa Lathan e Jay Chou

Truque de Mestre: O Segundo Ato aparentemente é o que chamamos de uma sequência desnecessária, até mesmo a equipe do original parecia não esperar uma continuação utilizando do enredo do longa atual para alterar diversos aspectos do anterior. A obra relembra constantemente o primeiro filme, contestando seus acontecimentos, personagens e ate mesmo suas decisões. Nesse sentido, até é bem sucedida conseguindo boas saídas para as novas situações que aparentemente antes não foram planejadas e ate justificando de forma decente a mudança no elenco e os novos rumos a serem tomados. Para os fãs é uma boa oportunidade para revisitar os personagens fazendo variações dos truques utilizados e novamente ser enganado pelo roteiro.

O monologo inicial deixa claro um foco maior na organização “The Eye”, ela de fato tem mais participação na trama, passamos a entendê-la um pouco melhor mas sem compreender com plenitude do que trata. A nova personagem é bem apresentada e explorada, já em sua cena inicial fica claro sua personalidade e o estilo de seus truques. Lizzy Caplan substitui bem a “cavaleira mulher” e em alguns momentos rouba a cena, como quando um dos personagens a coloca como o sexo frágil, rapidamente ela responde: “Você também vai perguntar isso para os caras, ou só para mim?”. A equipe funciona bem junta, Jesse Eisenberg, Dave Franco, Woody Harrelson reprisam seus papeis e se mostram com uma boa química. Woody Harrelson, sempre bom, têm mais oportunidade de mostrar a que veio. Mark Ruffalo que também reprisa seu papel têm ainda mais destaque neste longa, e quando dada a oportunidade se mostra um bom mágico e um bom líder. É nítida a preocupação em explorar melhor os dramas pessoais de cada um.

Em Truque de Mestre: O Segundo Ato os Quatro Cavaleiros ressurgem para expor um empresário, mal intencionado, da área de informática e ciência. Isso um ano depois de terem enganado o FBI e ganhado o carinho do público com os seus espetáculos. Tudo se mostra mais difícil quando em seu espetáculo de retorno sofrem um golpe e perdem o controle da situação. Então encontram um inimigo que faz com que eles criem o seu truque mais perigoso até agora. Como no primeiro filme, temos cenas mirabolantes e exageradas, um bom exemplo é uma longa e interessante cena com um truque de cartas durante um roubo. Também encontramos várias reviravoltas de roteiro e mais uma vez um personagem sofre uma grande mudança em seus objetivos e características. A todo momento o longa tenta nos enganar, mas consegue nos entreter e divertir mais do que seu antecessor. Parte disso, está em seus atores que dessa vez tem uma oportunidade um pouco maior para desenvolver seus personagens, vale mencionar aqui a performance, propositalmente exagerada, de Daniel Radcliffe que rende um bom vilão.   

Repetindo alguns erros de seu antecessor, mas “arrumando a casa” em certos aspectos Truque de Mestre: O Segundo Ato é despretensioso e vai satisfazer os fãs entregando exatamente o que esperamos dele. Mágicas mirabolantes em cenas grandiosas e ilusionistas que nos enganam a todo momento, com uma ajudinha do roteiro é claro. Vários truques formam um golpe, cada vez mais complexo, só que aqui a preocupação em mostrar como tudo funciona revelando os segredos é maior. É um filme que não tem vergonha de esconder que está te enganando o tempo todo. E como é comum hoje em Hollywood, o terceiro longa parece garantido só vai depender do desempenho do “O Segundo Ato” nas bilheterias.

Nota do Sunça:

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