Sunça no Cinema – Homem-Aranha no Aranhaverso (2018)


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Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

117 min – 2018 – EUA


Dirigidor por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman. Roteirizado por Phil Lord, Christopher Miller. Com Shameik Moore, Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Jake Johnson, Liev Schreiber, Nicolas Cage, John Mulaney, Lily Tomlin.

“Qualquer um pode usar a máscara!”

Essa é a fala de Miles Morales que vai te fazer chorar. Pelo menos para mim, esse foi um dos vários momentos em que chorei ao assistir o melhor filme do aranha: Homem-Aranha no Aranhaverso. Muitos dirão que eu sou clubista ao falar sobre o Homem-Aranha, e talvez eu seja mesmo. Mas isso não desmerece o fato de estarmos diante de uma das melhores adaptações de quadrinhos dos últimos tempos. Visualmente linda e com um roteiro forte a obra acerta em cheio no cerne do personagem. É engraçada, é triste, é aventuresca e emocionante.

O que difere o aranha dos demais super-heróis são seus problemas do cotidiano, alguém imperfeito recebe o “chamado ao heroísmo” e devido ao seu senso de responsabilidade e força de vontade tenta fazer o melhor com o que têm em mãos. É aí que nos identificamos. Somos e queremos ser ele. E, é nesse espírito de amor ao personagem que o longa é certeiro e nos mostra que qualquer um pode ser o Homem-Aranha. Algo já dito pelo próprio mestre Stan Lee, quando disse que o fato de o herói estar todo coberto nos permite imaginar que estamos por de trás da máscara. Não importando o gênero e a etnia. Todos podemos estar no uniforme. (A participação de Stan é outro momento em que chorei no filme)

O Rei do Crime (Liev Schreiber) abre uma fenda interdimensional no meio de Nova Iorque. Várias dimensões se alinham e Homens-Aranhas de diferentes realidades acabam juntos no mundo em que Miles Morales (Shameik Moore) foi picado pela aranha radioativa. Nessa dimensão Peter Parker (Jake Johnson) é um herói consagrado, mas acaba morrendo. E em meio a tudo isso Miles tenta lidar com seus poderes, seus problemas pessoais na escola e o relacionamento com o pai. E a responsabilidade de deter o Rei do Crime cai em suas mãos. Para impedi-lo recebe a “ajuda” de outras versões do Homem-Aranha.  O filme adapta a história de origem de Miles Morales do Universo Ultimate da Marvel e a mescla com a recente saga Aranhaverso. A narrativa é muito bem roteirizada e rapidamente somos imersos naquela história.

Um garoto que ainda está se descobrindo como pessoa, e agora como Aranha é a porta de entrada dessa nova adaptação. Morales têm várias peculiaridades diante das demais versões do herói, o que o torna único. Um ponto forte é seu relacionamento com o Peter Parker (Johnson) que acaba sendo seu mentor, em sua própria dimensão Parker é um herói vivido, porém em decadência. Que encara seus próprios dilemas. É o mestre em decaída e o aprendiz desorientado. A voz original desse filme é outra de suas qualidades, por isso, fica a recomendação de assistir no idioma original. Hailee Steinfeld apresenta uma Gwen Stacy forte, sua personagem têm uma ligação imediata com Morales e posso garantir que a Mulher-Aranha vai ser a favorita de muitos espectadores. O Spider-Ham de John Mulaney e suas ações e animações estilo Looney Tunes merece aplausos e rende muitas risadas. A Peni Parker, personagem de Kimiko Glenn e seu estilo anime não deixa a desejar. O Homem-Aranha Noir com a voz de Nicolas Cage é impagável. Melhor filme de herói de Cage. Vale um destaque também para a Tia May (Lily Tomlin) que está longe de ser uma velhinha indefesa.

O que torna Homem-Aranha no Aranhaverso uma ótima animação, além de um ótimo filme de super-herói e um ótimo longa do Aracnídeo, é seu visual. A obra é linda, dinâmica e ágil. Além dos diferentes designs das versões do Aranha, a forma como os personagens são animados é diferente. Com exceção de Peter e Morales que seguem o mesmo padrão. Fica fácil perceber por exemplo o estilo Tex Avery do Spider-Ham. E o mais interessante é que nada é gratuito e tudo auxilia a trama, ajuda a história a se mover adiante e caracterizar as diferentes dimensões. São cores espetaculares que remetem aos quadrinhos, o uso de balões de pensamento junto com os cortes e enquadramentos deixam tudo dinâmico. A trilha sonora é certeira e uma peça chave em toda condução do longa. É uma experiência de quadrinhos no cinema, são páginas animadas que vão além e trazem o melhor dos dois mundos. O que permite uma batalha genial no clímax do filme.

Homem-Aranha no Aranhaverso faz referência a todos os filmes que o herói já estrelou e, é claro, traz os famosos easter eggs tão divertidos de procurar e encontrar. Uma obra que acerta em todos os quesitos, ainda que seu roteiro conte com algumas coincidências. Os diretores Peter Ramsey, Bob Persichetti e Rodney Rothman fazem um ótimo trabalho e trazem um novo patamar para o gênero super-herói. Os roteiristas Phil Lord e Christopher Miller estão de parabéns por evocar durante vários momentos um sentimento heroico apenas sentido antes na cena do metrô de Homem-Aranha 2 de Sam Raimi.  E vale repetir, pois o maior acerto de Aranhaverso é o soco no coração do espectador em especial do fã de longa data do herói.

“Qualquer um pode usar a máscara!”

Obs. Fique durante os créditos, eles são ótimos. A cena pós-créditos também.

Nota do Sunça:

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