Sunça no Cinema – Guardiões da Galáxia Vol.02 (2017)

Agora já conhecidos como os Guardiões da Galáxia, os guerreiros viajam ao longo do cosmos e lutam para manter sua nova família unida. Enquanto isso tentam desvendar os mistérios da verdadeira paternidade de Peter Quill (Chris Pratt).

136 min – 2017 – EUA

Dirigido e roteirizado por James Gunn. Com Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker, Kurt Russell, Karen Gillan, Pom Klementieff, Sylvester Stallone, Elizabeth Debicki.

Texto originalmente publicado no site Cinema e Cerveja.

Em 2014 a Marvel trazia aos cinemas uma aposta. “Guardiões da Galáxia” foi um risco, adaptar personagens desconhecidos do grande público considerados de terceiro escalão podia ter mudado o rumo das produções da Casa das Idéias. O longa foi um acerto e rendeu uma das maiores bilheterias do Universo Cinematográfico da Marvel, além de ser um sucesso de crítica. James Gun acertou em cheio em construir um universo colorido, divertido, oitentista, habitado por criaturas estranhas e exóticas e regido por uma trilha sonora inspirada. Gun entregou sua ótima “space opera” e definiu o universo cósmico da Marvel. Em “Guardiões da Galáxia Vol.02” o diretor/roteirista foca na construção de seus personagens e na interação entre eles, em um universo mais colorido, mais vibrante, mais frenético e mais divertido. James Gun expande sua saga “Star Wars” com mais um ótimo longa que sabe ao mesmo tempo não se levar a sério e se levar a sério.

“Guardiões da Galáxia Vol.02” é um filme sobre família. O foco narrativo vai além da trama principal que diz respeito a Peter Quill (Chris Pratt) e Ego (Kurt Russell), seu pai.  No primeiro longa acompanhamos a formação do grupo, agora, presenciamos seus esforços para se manter juntos e os personagens aprendendo a conviver uns com os outros. A trilha sonora, mais uma vez acertadíssima, ajuda a guiar a obra. A música “Father and Son” é literalmente a temática apresentada e rende uma ótima cena. “Brandy You’re a Fine Girl” descreve perfeitamente uma sequência do filme. E o que dizer da fantástica sequência inicial focada em Baby Groot dançando ao som de “Mr. Blue Sky” enquanto o grupo enfrenta uma incrível besta rosa cheia de tentáculos. A trilha sonora, o design dos personagens, naves, planetas, a fotografia  tudo é utilizado em prol da narrativa.

No longa, os Guardiões são contratados para impedir o roubo de poderosas baterias e logo de início enfrentam uma criatura (A besta rosa cheia de tentáculos). Devido a uma atitude impensada de Rocket (Bradley Cooper) o grupo acaba sendo perseguido. Quando se encontram sem saída, são salvos por Ego (Kurt Russell) o planeta vivo e pai de Starlord (Chris Pratt). O grupo se separa, Peter, Gamora (Zoe Saldana) e Drax (Dave Bautita) partem junto com Ego e Mantis (Pom Klementieff) até seu planeta de origem. Rocket e Groot (Vin Diesel) acabam envolvidos com Yondu (Michael Rooker) e os saqueadores. Problemas acontecem e eles acabam salvando a galáxia novamente. O importante mesmo são os laços familiares dos personagens. A rivalidade das irmãs Nebulosa (Karen Gillan) e Gamora, Peter e seu pai Ego, Yondu e seu mentor Stakar (Sylvester Stallone), a amizade entre Rocket  e Yondu e o relacionamento de Drax e Mantis que é um dos pontos fortes do filme. Vale um destaque para o elenco, Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Karen Gillan, Michael Rooker, Bradley Cooper e Vin Diesel retornam muito bem e mostram mais uma vez que foram uma escolha certeira. Acertada também são as novas adesões Kurt Russell, Pom Klementieff, Elizabeth Debicki e Sylvester Stallone responsáveis por ótimas cenas e constroem personagens fortes e interessantes. Dá gosto de ver o cuidado que os atores e o roteiro de James Gun têm com seus protagonistas.

O roteiro aliás, traz mais uma vez um humor honesto, em alguns momentos beira o besteirol, com situações exageradas mas que funcionam muito bem com seus personagens. O longa é uma brincadeira, que quando necessário sabe se levar a sério e aprofundar em determinados assuntos. Essa nova aventura dos Guardiões apresenta efeitos visuais excelentes, são coloridos, abusados e criam uma experiência única. Mais uma vez esconde diversos easter eggs e é repleto de referências, desde o design de naves evocando Flash Gordon até menções diretas a David Hasselhoff, o seriado “A Super Máquina”, Mary Poppins e Pac Man. A participação de Stan Lee é ótima e traz personagens importantes para o universo Marvel. A falha aqui fica para o vilão que poderia ter uma motivação melhor, algumas piadas fora de lugar e como um todo o filme parece desnecessariamente (Um pouco) longo demais.  

“Guardiões da Galáxia Vol.02” é um filme sem vergonha. Sem vergonha do que é, de seus personagens, seu visual, suas referências e suas piadas. É uma brincadeira, é um “papo sério”, é uma aventura, é desajustado. Assim como as relações familiares que tanto presa. Com a confirmação de um terceiro longa também dirigido e roteirizado por James Gun, ficamos com a alegria de que teremos mais dessa linda Space Opera da Marvel.

Obs. Existem cenas antes, durante e depois dos créditos. Um total de cinco.

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – Logan (2017)

Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine, para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Debilitado fisicamente, esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men. Ao mesmo tempo em que ele se recusa a voltar à ativa, Logan é confrontado por um mercenário, Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina Laura Kinney / X-23, sob a guarda de Gabriela.

128 min – 2017 – EUA

Dirigido por James Mangold, roteirizado por Michael Green, Scott Frank. Com Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Richard E. Grant, Elizabeth Rodriguez, Eriq La Salle.

“Joey, năo há vida com um assassinato. Não há volta de um. Certo ou errado, é uma marca. Uma marca que fica. Não há como voltar.” Assim diz Shane no final do ótimo “Os Brutos também amam” demonstrando que por mais que um homem queira se esquecer de seu passado e das coisas ruins que ele fez, o fato é, que não há como fugir. Essa citação presente em “Logan” ilustra bem a situação em que encontramos o protagonista. Que, assim como Shane, é um homem que em seu passado fez coisas ruins e agora busca uma vida normal, não quer lembrar de seus feitos mas acaba atormentado por eles. E no fim a “marca” é mais forte, a vida de violência o alcança e tudo termina com o que tanto tentou evitar. Não foi atoa que James Mangold escolheu essa alegoria para o ótimo “Logan”.

Wolverine está velho e doente. Debilitado fisicamente, tosse o tempo inteiro, manca, é um homem fragilizado que busca na bebida um conforto e uma arma para esquecer quem ele foi. Estamos no ano de 2029, Logan (Hugh Jackman) é um chofer de limousine e se esforça para cuidar do nonagenário e descontrolado Charles Xavier (Patrick Stewart). Até que é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez) e então a garota Laura Kinney (Dafne Keen) entra em sua vida. Sem querer se envolver em mais violência mas querendo proteger a menina do mercenário, Donald Pierce (Boyd Holbrook), Logan acaba voltando a “ativa”.

Jackman faz um ótimo trabalho, pela primeira vez vemos um Wolverine esgotado emocionalmente, os olhos sempre vermelhos e as mãos sempre trêmulas. É comovente ver a emoção tomar conta do personagem a ponto de não conseguir dizer “É um bom lugar… Perto da água…” para depois se descontrolar em um surto de raiva/emoção. Stewart nos apresenta muito bem um Xavier “caduco” um homem arrependido que não parece o forte professor Xavier de outrora. E fechando a trinca de protagonistas temos a impressionante Dafne Keen interpretando a ameaçadora Laura, sempre intensa, agressiva quando precisa ser e perigosa. Laura, a X-23, de fato parece capaz de todas as proezas que executa no filme, chegando a decapitar cabeças. Em determinado momento, demonstrando a badass que é, leva um tiro e retira a bala do próprio braço com a boca para na sequência cuspi-la no chão. Ela literalmente “bota” mais medo que nosso querido carcaju. Os três formam uma família, e isso é muito interessante. Nos quadrinhos os mutantes sempre foram retratados dessa maneira. X-men é aceitação, é superação,  é família. Logan e Xavier são dois homens que juntos passaram por muitas coisas, agora em um mundo sem mutantes (e sem os X-men) tudo o que têm são um ao outro. Eles se amam, e cada um à sua maneira cuida um do outro. Charles percebe em Laura uma possibilidade de redenção para Logan, que inicialmente apenas vê na garota a ameaça de voltar para uma vida de violência. Aos poucos, e de forma bem trabalhada eles acabam avô, pai e filha, com direito a uma linda cena em um jantar que emociona e comove.

É um longa violento. Muitos palavrões, pernas, braços e cabeças cortadas. Mas nada de forma gratuita, não têm apenas a finalidade de agradar os fãs. O objetivo aqui é mostrar o perigo e o porque do complexo de Logan com as atitudes de toda uma vida, assassinos como Laura e Wolverine deixam rastros e precisamos ver os resultados de suas ações para fortalecer o impacto daquele “estilo de vida”. Não considero “Logan” um filme de super-herói. É a história de um homem, sua família, sua redenção e um recomeço. Nas falas do próprio protagonista: “Não seja aquilo, que eles fizeram de você!” Para mim a obra é um Western, acompanhamos o peso e a consequência de uma longa vida de violência, perdas e derrotas. Tudo isso se confirma em falas como “Um homem não pode fugir do que ele é”, “Coisas ruins acontecem com as pessoas que eu me importo” e em um dos melhores diálogos do filme entre Logan e Laura:

  • Eu machuco pessoas.
  • Eu também machuco pessoas.
  • Você têm que aprender a viver com isso.
  • Mas eram pessoas ruins.
  • É tudo igual.          

Como Will Munny disse no ótimo “Os Imperdoáveis”, que certamente é uma das influências de Mangold, “É uma coisa horrível matar um homem. Você tira tudo o que ele têm… e tudo que ele um dia poderia ter.”

Fechando a alegoria, e o longa, Laura diz “Não temos mais armas no vale!”, encerrando a trajetória de Wolverine. “Logan” é uma obra que respeita os filmes anteriores do personagem e da franquia x-men, evoca nostalgia ao lembrar os acontecimentos do primeiro filme na estátua da liberdade e quando o protagonista mais uma vez defende um grupo de crianças. Emociona em vários momentos, confesso que em mais de uma ocasião me colocou lágrimas nos olhos, no fim com apenas um “X” faz seu coração pular um batimento e nada mais justo do que encerrar com “The Man Comes Around” do “fodástico” Johnny Cash. Nem o vacilo do roteiro de Michael Green e Scott Frank que em alguns momentos traz informações importantes de forma muito expositiva, tira a glória dessa obra que após dezessete anos encerra com chave de ouro o Wolverine de Hugh Jackman.     

Obs. Na cabine de imprensa não foi exibida cena pós-créditos.

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no cinema – X-Men: Apocalipse (2016)

275648.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

En Sabah Nur, o Apocalipse, (Oscar Isaac) é considerado por muitos como o mutante original. Após milhares da anos adormecido, ele retorna disposto a garantir sua supremacia e acabar com a humanidade e seu mundo corrompido. Ele seleciona quatro Cavaleiros, Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp). Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com uma série de novos alunos, Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-McPhee), além de caras conhecidas como Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

144min – 2016 – EUA

Dirigido por Bryan Singer, roteirizado por Bryan Singer , Dan Harris , Michael Dougherty , Simon Kinberg. Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Oscar Isaac, Sophie Turner, Nicholas Hoult, Rose Byrne, Olivia Munn, Evan Peters, Alexandra Shipp, Hugh Jackman, Ben Hardy, Tye Sheridan, Lana Condor, Kodi Smit-McPhee, Lucas Till, Monique Ganderton, Josh Helman, Tomas Lemarquis e Anthony Konechny.

 

X-Men: Apocalise é o sexto filme dos mutantes no cinema, isso, se não levarmos em consideração os dois filmes (fracos) do Wolverine e o ótimo filme do Deadpool. Nesse sexto filme o objetivo é tentar corrigir a linha do tempo desconexa dos longas anteriores e apresentar uma nova equipe para as próximas aventuras. Um grande desafio para Bryan Singer.

Começamos a 3.600 anos no passado, com a apresentação do Apocalipse e seus cavaleiros. Ali já percebemos sua força e sua presença messiânica, é um personagem poderoso, bem explorado e uma grande ameaça. Seu visual incomoda em alguns momentos mas é um ótimo trabalho de Oscar Isaac. Na sequência Scott Summers, o Ciclope (Tye Sheridan), é apresentado. O personagem mal aproveitado nos três primeiros filmes aqui é bem mais interessante, tem sua personalidade bem construída e entendemos bem como ele encara tudo o que está acontecendo com ele. Jean Grey também ganha sua devida importância e desde o início a vemos com um grande poder e também como uma grande ameaça. É bem desenvolvida na trama e a Sophie Turner faz um bom trabalho. Noturno (Kodi Smit-McPhee) tem uma boa construção mas ganha menos importância na trama e até menos tempo de tela. Ainda assim é bem apresentado e seus poderes bem explorados nas sequências de ação. A nova equipe promete e deixa a esperança de boas aventuras no futuro. O filme dedica muito de seu tempo para as sequências de ação, que são cada vez mais grandiosas e exageradas, e dedica menos tempo para a relação entre seus personagens e seus conflitos e isso é um erro. Quando vemos aqueles adolescentes interagindo, entrando em conflito, conhecendo seus poderes uns aos outros e a si mesmos, é a melhor parte do filme. Lutar por seu lugar no mundo, buscar por aceitação e a cumplicidade entre os mutantes é X-men. O filme podia e deveria ter dedicado mais tempo no desenvolvimento dos personagens e dado menos prioridade para a ação.

No longa En Sabah Nur, o Apocalipse, retorna depois de anos adormecido. Ele condena a humanidade, seus lideres e o mundo corrompido que foi construído. Considerado por muitos como o mutante original o vilão forte e poderoso seleciona quatro cavaleiros e utiliza seus poderes para fortalecer suas habilidades. Junto com seus cavaleiros ele pretende destruir o mundo e a partir de suas cinzas construir um novo e melhor, onde apenas os fortes vão sobreviver. Do outro lado, o professor Charles Xavier (James McAvoy) conta com seus novos  alunos, Jean Grey, Ciclope e Noturno, além de personagens já conhecidos como a Mística (Jennifer Lawrence), Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters), para tentar impedir o vilão.

Os quatro cavaleiros tem um visual interessante, no início Magneto está aposentado em paz com a humanidade e consigo mesmo. Porém, mais uma vez, os humanos lhe tiram sua esperança e oportunidade de uma vida pacífica. Michael Fassbender novamente entrega uma performance poderosa, é fácil entender seus traumas, suas motivações e suas atitudes. Magneto além de ser o cavaleiro mais poderoso tem um importante papel na trama. Psylocke (Olivia Munn) está com o visual idêntico dos quadrinhos e se mostra uma vilã forte e temivel. Anjo (Ben Hardy) um personagem mal aproveitado no terceiro longa da franquia têm uma participação melhor e algumas boas cenas de lutas. A Tempestade está muito bem. A personagem é construída de forma descente e satisfatória, suas motivações são claras ela é poderosa e um visual impressionante. Um bom trabalho de Alexandra Shipp. Fera (Nicholas Hoult) e Mercúrio (Evan Peters) estão bem no filme, e sim, Mercúrio continua extremamente overpower. A Mística também tem grande importância na trama, Jennifer Lawrence repete suas boas atuações anteriores. A crítica aqui fica para o pouco tempo de tela em que de fato a vemos em sua forma azul. Certamente para ganhar público com a fama de Lawrence ela aparece quase que em todo o filme de “cara limpa”. Charles Xavier (James McAvoy) é um bom antagonista para Apocalipse, já que ele nunca perde a esperança nas pessoas e na humanidade. Como sempre têm uma boa performance e é um bom líder e professor para esses jovens mutantes.

X-Men: Apocalise é repleto de referências aos filmes anteriores. Falas, trajes e equipamentos retirados do primeiro filme, ligações diretas com o X-Men: First Class e menções aos demais filmes têm o objetivo de religar, reunir e recriar a confusa cronologia criada pela FOX. Até é bem sucedido em ligar vários pontos, recriar e arrumar a trama daqui para a frente, mas para isso continua (sabiamente) ignorando algumas decisões e acontecimentos anteriores. Temos a participação de vários mutantes, uma delas em especial chama a atenção e é um dos momentos mais empolgantes do personagem no cinema. É um filme bem construído, um pouco mais violento que os demais e que impressiona ao trabalhar bem seus inúmeros personagens. Incomoda por se importar mais com as cenas de ação/destruição em detrimento de desenvolver melhor seus personagens e o roteiro em si. Em alguns momentos os efeitos especiais se mostram falhos e incomodam. O sexto de uma franquia repleta de altos e baixos que agora “sacode a poeira” e aponta uma direção para seguir. Só espero que percam a necessidade de a cada filme ter uma destruição cada vez maior, imensa e monumental.         

Obs. Na cabine de imprensa foi exibida uma cena pós-créditos.

Nota do Sunça:

nota3_suncanocinema_fantasticomundodesunca

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – Capitão América: Guerra Civil (2016)

363874.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx
Steve Rogers (Chris Evans) é o atual líder dos Vingadores, super-grupo de heróis formado por Viúva Negra (Scarlett Johansson), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Visão (Paul Bettany), Falcão (Anthony Mackie) e Máquina de Combate (Don Cheadle). O ataque de Ultron fez com que os políticos buscassem algum meio de controlar os super-heróis, já que seus atos afetam toda a humanidade. Tal decisão coloca o Capitão América em rota de colisão com Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem de Ferro.

148min – 2016 – EUA

Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, roteirizado por Christopher Markus e Stephen McFeely. Com: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Don Cheadle, Paul Bettany, Chadwick Boseman, Anthony Mackie, Jeremy Renner, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Tom Holland, Marisa Tomei, Emily VanCamp, Daniel Brühl, William Hurt, Martin Freeman, John Kani, John Slattery, Alfre Woodard, Jim Rash, Hope Davis.

A presença ilustre e importante de um Fusca, uma citação de “O Império Contra-Ataca” e a estreia de um Homem-Aranha, que promete ser a melhor adaptação do personagem para o cinema, em uma trama bem construída que sabe dosar o tom de sua narrativa e como dar espaço a seus personagens. Esse é o novo filme de Steve Rogers.    

Capitão América: Guerra Civil dá continuidade aos acontecimentos de “Capitão América: Soldado Invernal’ e isso fica claro em sua cena inicial. Nela acompanhamos o próprio Soldado Invernal (Sebastian Stan) em uma de suas missões do passado. O filme mantêm a equipe criativa de seu antecessor, o roteiro de Chritopher Markus e Stephen McFeely trabalha bem seus personagens e consegue manter uma leveza apesar da seriedade da trama. Várias sequências nos divertem, toda a apresentação do Aranha por exemplo, enquanto algumas nos tocam e emocionam e percebemos a dor dos personagens ali presentes. Cenas importantes do Tony Stark (Robert Downey Jr.) e também da Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) ilustram bem. É um longa do Capitão, mas conta com a presença de diversos personagens do universo cinematográfico da Marvel. E um dos desafios do filme é justamente o de apresentar novos e importantes personagens o Pantera Negra (Chadwick Boseman) e o Homem-Aranha (Tom Holland). Outro desafio é demonstrar e justificar o posicionamento de cada personagem. Podemos afirmar que ambos os desafios foram compridos e de maneira bem sucedida.

O Pantera negra é um dos pontos fortes do filme, sua apresentação é ótima entendemos bem seu posicionamento e nos empolgamos com suas cenas de ação e luta. O mesmo pode ser dito para o Aranha, vale lembrar aqui que sou um fã de longa data do herói, que é bem apresentado e adicionado a esse universo. Na trama o aracnídeo acabou sendo muito utilizado como um alívio cômico, o que faz sentido já que o personagem funciona bem nesta função. O que não o impediu de “chutar as bundas” dos demais heróis (Quase todos eles) e de exibir seus superpoderes (inclusive o sentido aranha). Podemos conhecer rapidamente o Peter Parker de Tom Holland e sua relação com a tia May (Marisa Tomei),  e fica claro que esse garoto está deslumbrado e em êxtase por estar no meio daqueles heróis. Já T’Challa tem bem mais tempo de tela e demonstra sua seriedade e sobriedade aparentando ser o personagem mais adulto do longa.    

Em Guerra Civil a ONU decide controlar as ações dos Vingadores, para isso utiliza como argumento as mortes de inúmeros civis devido aos combates do grupo. Uma ação catastrófica dos Vingadores na cidade de Lagos é a gota d’água para o governo que impõe o “Tratado de Sokovia” uma forma de registro e uma maneira de controlar a equipe, que ate então funcionava como uma organização privada. Logo os super-heróis se dividem, Steve Rogers (Chris Evans) se recusa a assinar e Stark lidera os que aceitam. Em meio a tudo isso Bucky Barnes se torna um procurado da justiça.  

É bacana que o filme não assume um posicionamento, ou melhor não nos força a assumir/escolher um lado. As motivações do capitão estão ali, são coerentes com seus princípios e sua personalidade, o mesmo pode ser dito para o Homem-de-Ferro e para todos os demais. É fácil compreender ambos os lados e ver seus méritos e suas falhas. A formação dos times é bem construída e explorada. Todos os personagens tem um bom tempo de tela e todos eles têm sua chance de brilhar. O vilão principal o (Barão?) Zemo têm motivações válidas e bastante compreensíveis. Ele é também uma vítima e um afetado por toda a discussão incitada na trama de Capitão América: Guerra Civil. Entender bem os personagens e suas motivações é muito importante, já que, é essa construção que nos faz importar e preocupar com os personagens.

As cenas de luta merecem destaque, são muito bem coreografadas e exploram bem os poderes dos personagens. No combate inicial contra o Ossos Cruzados a equipe se mostra forte, unida e preparada. A famosa cena do aeroporto têm um combate sério, emocionante e até visceral mas com a leveza e sutileza que os filmes da Marvel nos proporcionam. É interessante como o filme coloca a Feiticeira Escarlate como uma ameaça e como ela mesma se relaciona com seus poderes. Nas cenas de combate fica claro a especialidade de cada herói e como cada um pode fazer a diferença. O Elenco como um todo está muito bem, conseguem demonstrar o conflito de seus personagens, o que estão sentindo e evoluir mais com a personalidade e característica de cada um. Paul Rud está muito bem e nas oportunidades que têm rouba a cena, o mesmo pode ser dito para Tom Holand e Chadwick Boseman. Scarlet Johanson, mais uma vez, está bem como a Viúva Negra e em suas ótimas cenas de ação mostra que, nesse grupo, é a especialista no combate corpo-a-corpo. Chris Evans está bem como o Capitão e consegue passar a firmeza e convicção necessária, Robert Donwey Junior têm a oportunidade de protagonizar cenas emocionais e de impacto, e ele entrega. A obra confia em seus atores e em muitos momentos troca um diálogo por uma expressão corporal e/ou facial.

Tramas inteligentes, reviravoltas e surpresas. Boa caracterização dos personagens, ótimas sequências de ação, e a duração necessária para amparar todos os personagens na trama. Suas duas horas e meia duração nos mantêm interessados o tempo todo e passam rápidas e despercebidas. Em Guerra Civil não existe um lado certo ou errado, os conflitos são complexos e os diferentes pontos de vista são bem elaborados. É mais um bom trabalho de Anthony Russo e Joe Russo, e certamente é um dos melhores longas da Marvel.   

Obs. Existem duas cenas pós créditos. Recomendo muito que fique até o final.

Nota do Sunça:

nota4_suncanocinema_fantasticomundodesunca

Últimas críticas:

Últimos textos:

https://jizzrain.com/cats/81/

Sunça no Cinema – Deadpool (2016)

teaser-one-sheet

A história de origem do ex-oficial das Forças Especiais transformado em mercenário Wade Wilson, que depois de se submeter a um experimento para ganhar fator de cura, adota o nome de Deadpool. Armado com as suas novas habilidades e um senso de humor negro, Deadpool vai caçar o homem que quase destruiu a sua vida.

108min – 2016 – EUA

Dirigido por Tim Miller e roteirizado por Paul Wernick e Rhett Reese. Com: Ryan Reynolds, , Morena Baccarin, T.J. Miller, Ed Skrein, Gina Carano e André Tricoteux.

Deadpool é o que espera de um filme de um personagem tão controverso. Desde sua criação o anti-herói causa polêmica e confusão. Como fã de quadrinhos estou familiarizado com suas características. E quem acompanha a área, certamente, já testemunhou uma de suas divertidas aparições em produções de outros personagens, como por exemplo, a atual série animada do teioso (Ultimate Spiderman).

O filme é uma zoeira do início ao fim, Tim Miller equilibra bem comédia, violência e momentos emotivos. Os créditos iniciais já deixam claro a zombaria que estamos prestes a assistir, neles a própria equipe do filme é alvo de piadas. É um ótimo plano estático no meio de uma cena de ação. É a famosa cena teste que vazou na Internet em 2014. (Cena que devido a seu sucesso deu origem ao filme.) O longa opta por uma construção não linear, temos flashbacks narrados por Deadpool, e é assim que vamos conhecendo o personagem e sua origem.

Assim como nas hqs ao longo do filme temos piadas pesadas, interação com o público, quebra da quarta barreira (Com direito até a quebra da quarta barreira ao quadrado), palavrões, violência, sangue, nudez e sexo. O sexo inclusive é utilizado para construir uma interessante sequência que demonstra a passagem do tempo. É muito divertida a forma como o longa brinca com os outros filmes de herói e até mesmo com o seu estúdio. Cornetas com a cronologia dos filmes dos X-men, piadas com a falta de verba da FOX para adquirir mais personagens, referências ao Deadpool do filme Wolverine Origins, uma alfinetada no Lanterna Verde de Reynolds, um plano detalhe de um relógio da Hora da Aventura e muitas outras referencias a cultura pop e aos anos oitenta permeiam todo o filme.

Wade wilson (Ryan Reynolds) é um ex soldado das forças especiais que trabalha como um mercenário. Ele conhece a prostituta Vanessa (Morena Baccarin) e o casal desenvolve um relacionamento. Tudo ia muito bem ate Wade ser diagnosticado com um câncer terminal. Ele então, aceita participar de um experimento que promete curar seu câncer e também desenvolver habilidades especiais. Ele é enganado e então parte para uma sanguinolenta vingança contra o homem que destruiu sua vida.

Apesar de ser uma história de origem e seguir a estrutura de filmes de herói o Deadpool consegue brincar com isso e deixar a experiência interessante e original. Em determinado momento o protagonista nos diz que estamos em uma historia de amor e de fato o longa assume essa estrutura, quando ele nos diz que estamos em uma história de horror a estrutura passa a ser de um filme de terror.  E sempre que começamos a acreditar que Wade Wilson é um super herói, ele instantaneamente faz questão de nos confirmar o contrário.

Coadjuvantes interessantes, Colossus é um show a parte, apesar de ser um dos motivos de piada do filme, vilões interessantes e um par romântico que funciona na personalidade bizarra do casal. Uma história de super-herói dentro dos padrões clássicos, mas que não cansa e nem parece desgastado. Em sua sequência final o filme utiliza muitos clichês de filmes de herói mas não compromete sua investida bem sucedida. A montagem do filme, a empatia com o protagonista e narrador do filme, o humor, o deboche e as constantes interações do personagem com o público e com a câmera (Sim ele move a câmera) são pontos fortes e ajudam o longa a cumprir seu objetivo.

Obs. Têm uma ótima cena pós-créditos. Não é importante para a história, mas recomendo ficar até o final.

Nota do Sunça:

nota4_suncanocinema_fantasticomundodesunca 

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – O Espetacular Homem-Aranha: A Ameaça de Electro

amazing-spider-man-2

 

A vida de Peter Parker anda movimentada. Entre capturar ladrões e passar um tempo com Gwen Stacy, ele ainda precisa lidar com a sua formatura. Peter não se esqueceu da promessa que fez para o pai de Gwen, mas manter-se afastado da garota dos seus sonhos é praticamente impossível. As coisas começam a se complicar para Peter quando um novo vilão, Electro, surge e um velho amigo, Harry Osborn, reaparece em sua vida. Além claro, de novas pistas sobre o seu próprio passado.

140min – 2014 – EUA

 
Dirigido por Marc Webb. Com roteiro de James Vanderbit, Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner. Com Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Paul Giamatti, Dane Dehaan, Sally Field, Felicity Jones e Chris Cooper.

 

Quando pequeno meu sonho sempre foi me tornar o Homem-Aranha. (E ainda é!) Sou apaixonado pelo herói. A recordação mais antiga que tenho do meu laço com o teioso é uma foto de quando eu tinha dois anos de idade fantasiado de Homem-Aranha. Desde muito novo acompanho o herói nos quadrinhos, nos games, nos desenhos animados e mais recentemente, nos longas de Sam Raimi e nos atuais longas de Marc Webb. Digo isso porque para mim um filme do Aranha sempre vai ser algo especial. Até o ruim Homem-Aranha 3 de Sam Raimi e o fraco O Espetacular Homem Aranha de Marc Webb têm um lugar especial em meu coração. O que não vem ao caso quando se trata do O Espetacular Homem-Aranha: A Ameaça de Electro.

A cena inicial do filme é um flashback sobre os pais do herói. O passado obscuro deles continua sendo explorado neste novo longa e ainda é uma fixação do protagonista. A necessidade do longa anterior de explorar o passado dos pais de Peter e torná-lo um predestinado a se tornar o Homem-Aranha me incomodava, porém os flashbacks presentes neste novo filme parecem perder essa pretenção de predestinação e apenas responder questionamentos de Peter. É muito elegante que a cena inicial que é sobre sofrimento, perda e morte se inicie nas engrenagens de um relógio. Que no final do longa termina sua rima visual em outra cena de perda e sofrimento em meio a engrenagens de um relógio.

Após o flashback já entramos em uma cena de ação onde o Aranha se balança pelos prédios de Nova Iorque até encontrar uma perseguição policial. Aqui já percebemos o visual fantástico que o longa vai ter e em especial o visual das cenas de ação. É incrível perceber a movimentação do herói, enquanto atira suas teias e salta pelos prédios o Aranha passa a teia de uma mão para a outra, escala prédios, escala um pouco a teia para ganhar altitude antes dar seu próximo tiro, luta com seus adversários e dispara piadas para todos os lados. Tudo isso ao mesmo tempo e sempre com um trejeito “amador” de combate ao crime. A impressão é de que o Homem-Aranha está vivo. E os destoantes planos subjetivos presentes no primeiro filme dão lugar a planos subjetivos visualmente bonitos e bem encaixados nas cenas de ação. Na primeira luta contra o Electro em uma cena em câmera lenta onde o Homem-Aranha se esforça para evitar que pessoas sejam atingidas por um carro ao mesmo tempo em que evita que pessoas sejam eletrocutadas. Marc Webb nos mostra visualmente como o “sentido aranha” desperta no herói uma grande percepção dos acontecimentos ao seu redor.

A primeira cena de ação também nos mostra como é um constante conflito para o protagonista ser o Homem-Aranha e cumprir seus deveres ao mesmo tempo (literalmente) que lida com seu relacionamento com Gwen. A relação entre os dois é bem construida, seus momentos desajeitados e meigos dão a dimensão complexa e forte de seu relacionamento. Andrew está ótimo como Peter e Emma também ótima nos mostra como é fácil se apaixonar por Gwen. De forma objetiva e rápida o filme nos mostra relação entre Harry e Peter, já em seu primeiro encontro temos Harry no topo das escadas com o rosto imerso na escuridão e Peter abaixo na base das escadas com seu rosto iluminado em uma conversa fria e distante, nos mostrando o potencial contraste entre os personagens, até que Harry desce alguns degraus seu rosto se ilumina Peter se aproxima e a conversa se torna amigável e íntima. Mostrando o laço de amizade que ainda existe entre os dois. Tia May e Peter também tem seus momentos, alguns divertidos e outros mais profundos que nos mostram como é cada vez mais forte a relação entre os dois.

Os três vilões do longa são interessantes. O Rino tem uma pequena e boa participação que rendem cenas visualmente lindas, o Duende Verde têm a sua origem e a construção de seu rancor e ódio pelo teioso, o Harry aqui é mais do que apenas um garoto mimado. Já o Electro, esse sim é a verdadeira ameça do filme. Max, o personagem de Jamie Foxx antes de se tornar o Electro, é caricato, pastelão e louco, já Electro é um vilão temivel e multifacetado. É interessante ver o seu amor pelo amigão da vizinhaça, sua fixação e carência, se tornar em ódio e rancor. O filme em nenhum momento coloca Harry ou Max como personagens maus que querem ser criminosos, são persoagens que se sentem magoados e traídos e apelam para a maldade como último recurso. O personagem Max é um bom exemplo de como o tom desse filme é diferente. Ele é mais caricato e engraçado. Os momentos dramáticos também estão presentes, não tenho vergonha em admitir que fiquei com lágrimas nos olhos em determinado momento do filme. Mas o drama e o humor ocilam de forma harmônica durante o filme.

Com os já confirmados filmes do Sextto Sinistro, Venom e o terceiro e quarto Espetacular Homem-Aranha fica perceptivel a necessidade do longa de introduzir vários personagens e ampliar o universo aracnídeo e fornecer protagonistas para os próximos longas. É uma pena, porque personagens interessantes dos quadrinhos acabam tendo uma pequena participação nesse filme, como por exemplo a Felicia (Felicity Jones), o Rino (Paul Giamatti) e o Norman Osborn (Chris Cooper). E a cena final na Oscorp acaba sendo um grande gancho para as continuações do longa.

Algumas opções do filme/franquia não agradam, tornar a Oscorp numa grande corporação do mal de onde saem todos os problemas do teioso é uma delas. A insistência na história passada dos pais de Peter também não ajuda e eliminar rapidamente um personagem importante como o Norman Osborn é um pecado. Além é claro de mais uma vez Gwen saber fazer tudo necessário para resolver os problemas no climax do filme. E é triste a impressão de que a cada filme dessa nova franquia a importância do Tio Ben é menor.

Bons personagens com relações bem construidas em uma trama bem mais coerente do que a do primeiro filme e visualmente fantástico com ótimas cenas de ação. Um Aranha mais bem humorado e mais confiante em seu dever. Percebe-se claramente que Peter adora ser o cabeça de teia.  E como abrir a uma HQ e ver os amores, temores, problemas e as complicações do teioso que tanto nos divertiram e entreteram durante a infância. E a opção por colocar o Homem-Aranha como um símbolo de esperança e como um protetor dos cidadãos, é para mim, a decisão mais acertada do filme. Esse não é o meu filme favorito do teioso, mas definitivamente conquistou seu espaço em meu coração.

Obs. Na cabine de imprensa não foi exibida a cena pós créditos. Norma adotada em todo o Brasil.

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

https://jizzrain.com/cats/81/