Sunça no Streaming – A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas – Netflix (2021)

Em A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, Katie Mitchell é aceita na faculdade de cinema dos seus sonhos e seu pai decide aproveitar para realizar uma viagem em família para levá-la à universidade. Porém, seus planos são interrompidos por uma revolução robótica e agora os Mitchells terão que unir forças em família para trabalhar juntos para salvar o mundo.

113 min – 2021 – EUA

Dirigido e roteirizado por Michael Rianda, Jeff Rowe. Com Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Michael Rianda, Eric André, Olivia Colman, Fred Armisen, Beck Bennett, Chrissy Teigen, John Legend, Charlyne Yi, Blake Griffin, Conan O’Brien, Doug the Pug, Melissa Sturm, Doug Nicholas, Madeleine McGraw.

Em 2009 Phil Lord e Christopher Miller escreveram e dirigiram “Tá Chovendo Hambúrguer” a animação chamou atenção com seus personagens interessantes em uma trama louca e cativante. Suas participações em longas animados sempre são inventivas, bem humoradas e impulsionam a mídia para novas possibilidades. Um bom exemplo é o excelente “Homem-Aranha no Aranhaverso” de 2018. O qual eles escreveram e produziram. Agora em 2021 a dupla produz o filme “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” que é escrito e dirigido por Michael Rianda e Jeff Rowe. Seguindo a linha das animações mencionadas encontramos um visual que impressiona, personagens cativantes com designs interessantes e uma linguagem ousada que mescla referências com interferências visuais e a estética das redes sociais e aplicativos de interação dos smartphones. A dupla de diretores, que fez parte da equipe da ótima série animada “Gravity Falls: Um Verão de Mistérios”,  é hábil em trabalhar com referências. Sabendo incorporá-las na história e nos arcos narrativos.  

Com personagens excêntricos e uma estética e identidade própria, a obra utiliza diversas técnicas para trazer a linguagem e os formatos da internet para a trama. A combinação entre animação 2D e animação 3D junto com os grafismos que vemos na tela deixa tudo com um tom novo, jovial e inventivo. Grafismos que muitas vezes fazem link direto com filtros e máscaras muito utilizados na internet.   Katie Mitchell (Com a voz original de Abbi Jacobson) é aceita na faculdade de cinema da Califórnia. Seu pai Rick (Com a voz original de Danny McBride), em uma tentativa de se reaproximar da filha, organiza uma viagem em família para levá-la à universidade. Durante o percurso acontece uma revolta das máquinas e os membros da família Mitchell são os únicos humanos não capturados. Cabe a eles resolverem seus conflitos e salvar o mundo. A assistente pessoal PAL (Com a voz original de Olivia Colman) é a vilã do longa. Porém, o apocalipse é apenas pano de fundo para uma história íntima, pessoal e um debate sobre a dificuldade de comunicação entre as pessoas. 

Katie é fã de cinema e viciada em internet, é através dela que são trabalhadas a maioria das referências. Ela procura seu lugar no mundo e a sua “tribo”. Um comportamento comum dos jovens adultos, aliás, um comportamento comum para humanos de todas as idades. Katie não se dá bem com o pai e fica aliviada com a possibilidade de ir para longe da família. Rick se esforça para interagir com a filha mas eles não conseguem se comunicar. Katie e o irmão Aaron (Com a voz original de Michael Rianda) se dão muito bem, já na relação com sua mãe, Linda (Com a voz original de Maya Rudolph), o diálogo existe apesar de acontecer alguns conflitos. É na dificuldade do diálogo e de entendermos uns aos outros que está o foco da trama. Um debate que se estende por toda a obra. O desentendimento da vilã PAL com seu criador Mark Bowman (Com a voz original de Eric André) nasce de uma falha de comunicação. Os robôs não conseguem compreender o cachorro pug da família Monchi (Com a voz original de @itsdougthepug). O caçula da família, Aaron, só se dá bem com dinossauros e não consegue interagir com a vizinha. Esses são alguns dos vários exemplos de elementos, arcos e sequências que refletem a dificuldade na comunicação. A Família Mitchell têm que salvar o mundo, mas o principal é não perder a relação entre eles e se entenderem melhor uns com os outros.

Uma animação divertida, inventiva e atual. Que apresenta um visual inovador com uma linguagem ousada em ritmo frenético. São muitas as referências à cultura pop e ao cinema. A obra também traz um debate e uma crítica às grandes empresas de tecnologia que visando lucro e crescimento comercializam nossos dados, criam algoritmos, assistentes pessoais e inteligências artificiais que interferem diretamente em nossa sociedade. As empresas não se preocupam com nosso bem estar e a tecnologia que poderia facilitar nossas relações pessoais, acaba dificultando nossa capacidade de entender o outro.                      

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Sunça no Cinema – Frozen II (2020)

De volta à infância de Elsa e Anna, as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

104 min – 2020 – EUA

Dirigido por Jennifer Lee e Chris Buck e roteirizado por Allison Schroeder, Jennifer Lee. Com Kristen Bell, Idina Menzel, Jonathan Groff, Josh Gad, Sterling K. Brown, Evan Rachel Wood, Ciarán Hinds, Jason Ritter, Rachel Matthews, Alfred Molina, Jeremy Sisto, Martha Plimpton, Alan Tudyk, Santino Fontana, Jessica DiCicco, Scott Menville, Fred Tatasciore, Kari Wahlgren, Phil LaMarr, Antonio Raul Corbo.

Sete anos depois de um dos maiores sucessos da Disney, chega aos cinemas sua aguardada continuação, Frozen II.  Jennifer Lee e Chris Buck retornam a direção e optam por olhar para o passado de Elsa (Idina Menzel), Anna (Kristen Bell) e Arendelle. A narrativa explora mistérios não revelados do primeiro longa e a história por de trás dos poderes de Elsa. Um ponto positivo é mostrar que os personagens que conhecemos evoluíram e aprenderam com suas vivências. Elsa está mais confiante, porém inconformada de ter que seguir o caminho que lhe foi imposto pela família e sociedade e Anna busca seu lugar no mundo sem deixar que qualquer outro personagem e/ou instituição a limite de ter opinião ou de tomar alguma atitude e/ou ação. Assim como no longa anterior o empoderamento feminino é um dos aspectos mais importantes da obra. 

A trama segue um conto incompleto que os pais de Anna e Elsa as contavam quando crianças. É a história sobre um desentendimento entre povos, que acaba ameaçando Arendelle em uma aventura que envolve a fúria dos elementos. Água, ar, fogo e terra. E aqui está o fator mais importante e que mais me tocou ao assistir o novo capítulo da vidas das irmãs. Em um mundo onde o discurso de ódio prevalece e a falta de informação e os Fake News guiam os rumos de várias nações. A dupla de diretores opta por estabelecer um paralelo com a realidade e mostrar que o amor pode unir as diferenças, conectar terras e povos. O verdadeiro vilão de Frozen II é a não aceitação do outro, o medo e o ódio contra o diferente e a mentira como ferramenta para guiar o destino de reinos e povos. É por levantar discussões como o uso do medo para controlar pessoas, a exclusão do diferente e o separatismo para com o outro (Representado aqui pela construção de uma barragem) que essa continuação ganha força e que mostra a que veio. Até Olaf (Josh Gad) o boneco de neve, que tem como função principal o alívio cômico, passa a questionar sua própria existência. É um discurso existencialista da perspectiva de uma criança. São assuntos importantes em uma produção infantil para toda a família.    

Os elementos mitológicos ganham um visual fascinante, as folhas e o vento, os gigantes de pedra, o cavalo de água e a salamandra de fogo são visualmente bonitos e demonstram a qualidade gráfica da animação. A fotografia e gráficos visuais do filme são criativos e impactantes o uso das cores é inteligente e auxilia no desenrolar da trama. Frozen II é visualmente lindo. Além de utilizar pequenos toques visuais para ressaltar a evolução de seus personagens, um exemplo é como o visual da Elsa se modifica na medida em que ela se liberta do papel que lhe foi imposto. Assim como seu antecessor, Frozen II é um musical que segue ainda mais as estruturas e características do gênero. Traz novas canções e novas inspirações visuais a canção “Lost in the Woods” e a “Reindeers are Better than People” são influenciadas pelos videoclipes da década de oitenta. “Into the Unknown” mostra o inquietamento de Elsa e “When I’m Older” retrata o existencialismo de Olaf em uma sequência muito bem humorada. Acredito que nenhuma delas vai ter o impacto de “Let it Go!” mas funcionam bem na obra, são cuidadosamente planejadas e executadas. 

Elsa e Anna se empoderam e quebram preceitos antigos e assim resolvem problemas ocultos do passado. Trazendo paz e equilíbrio entre povos, famílias e reinos. É uma história corajosa que traz discussões relevantes e amplia o universo em que as irmãs vivem. 

Nota do Sunça:

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