Sunça no Cinema – Viúva Negra (2021)

Em Viúva Negra, acompanhamos a vida de Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) após os eventos de Guerra Civil. Se escondendo do governo norte-americano devido a sua aliança com o time do Capitão América, Natasha ainda precisa confrontar partes de sua história quando surge uma conspiração perigosa ligada ao seu passado. Perseguida por uma força que não irá parar até derrotá-la, ela terá que lidar com sua antiga vida de espiã, e também reencontrar membros de sua família que deixou para trás antes de se tornar parte dos Vingadores.

133 min – 2021 – EUA

Dirigido por Cate Shortland. Roteirizado por Eric Pearson (baseado em história de Jac Schaeffer e Ned Benson). Com Scarlett Johasson, Florence Pugh, David Habour, Rachel Weisz, Ray Winstone, Ever Anderson, Violet McGraw, O-T Fagbenle, William Hurt, Olga Kurylenko, Michelle Lee, Liani Samuel, Nanna Blondell, Ray Winstone.

“Viúva Negra” é um filme que chega tarde ao universo cinematográfico da Marvel. Após o final de sua personagem em “Vingadores: Ultimato” Scarlett Johansson volta a interpretar a espiã em um filme flashback. A produção funciona como um interlúdio entre os filmes “Capitão América: Guerra Civil” e “Vingadores: Guerra Infinita”. Natasha Romanoff é conhecida no contexto da Marvel, logo, a opção foi explorar seu lado mais humano e vulnerável. O que é um acerto, já que é nesse aspecto onde reside a força da personagem. Porém, os acontecimentos do passado retratados na obra, não mostram seu treinamento na Sala Vermelha ou missões antigas quando ainda era uma agente russa. Também não aborda o momento em que ela deserta para a SHIELD. A trama no passado tem como objetivo contextualizar a personagem na sequência dos filmes e busca também apresentar a nova Viúva Negra daquele universo.  

Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) após os eventos de Guerra Civil está foragida do governo americano e busca refúgio no exterior. Surge então uma conspiração ligada ao seu passado, forçando Natasha a lidar com sua antiga vida de espiã e reencontrar membros de sua “família”. O reencontro com sua irmã Yelena Belova (Florence Pugh) vem com a missão de resgatar outras mulheres vítimas dos abusos ocorridos na Sala Vermelha. É assim que o roteiro de Eric Pearson constrói um paralelo sobre abuso contra a mulher. A violência, manipulação, tortura física e psicológica aparecem no contexto da tranformação dessas jovens em agentes. Porém remetem a abusos diários sofrido pelas mulheres. Agentes que não são livres nem mesmo em seus pensamentos. Essa construção está no longa, mas não é aprofundada.   

Yelena é teimosa, impulsiva e humana. É uma boa apresentação da personagem que junto a Natasha protagonizam as melhores cenas da obra. Seja nas cenas de ação, como na ótima luta entre as duas na cozinha, ou em cenas íntimas e sentimentais.  A química entre Florence Pugh e Scarlett Johansson funciona. Natasha perde a “família” Vingadores e têm de lidar com problemas de sua “família” do passado, enquanto enfrenta um vilão que imita seus movimentos. O Treinador é a materialização de suas atrocidades do passado.  Alexei Shostakov (David Harbour) é o Guardião Vermelho, uma espécie de Capitão América soviético. Ele é a figura paterna das irmãs e o alívio cômico do filme. Melina Vostokoff (Rachel Weisz) é uma figura materna e uma Viúva importante para o funcionamento da Sala Vermelha. A trama nos oferece boas sequências com a “família”, porém os personagens Alexei e Melina pouco tem a acrescentar. 

A diretora Cate Shortland cria um visual diferenciado para o filme. São vários planos de plongée, uma fotografia preocupada em marcar sequências, cores que ajudam na narrativa e cenas de ação tem o cuidado de deixar tudo claro. “Viúva Negra” é o segundo longa da Marvel com uma protagonista, que venham mais. Natasha Romanoff ganha sua despedida mostrando sua força e seu lado humano, e introduz a nova Viúva do Universo Cinematográfico da Marvel.

 

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Sunça no Streaming – A Vingança de Lefty Brown – Amazon Prime Video (2017)

Lefty Brown (Bill Pullman) é um ajudante de 63 anos que toda a sua vida ficou ao lado da lenda do faroeste Eddie Johnson (Peter Fonda). Johnson foi apontado como senador de Montana e, apesar das objeções da esposa Laura, planeja deixar Lefty em cargo do rancho. Quando um ladrão mata Johnson, Lefty é confrontado pela sombra do parceiro e das feias realidades da justiça na fronteira.

111 min – 2017 – EUA

Dirigido e roteirizado por Jared Moshé. Com Bill Pullman, Kathy Baker, Jim Caviezel, Peter Fonda, Tommy Flanagan, Diego Josef.

Eu adoro faroestes. O bangue-bangue, como carinhosamente chamo os filmes do gênero, me fascina. Além de reassistir grandes clássicos presentes em minha coleção de dvds e blu-rays, é comum me encontrar pesquisando por obras de western nas plataformas de streaming. E foi assim, “garimpando ouro” que encontrei no Amazon Prime Video “A Vingança de Lefty Brown”. Filme de 2017, inédito no Brasil e que chegou a plataforma em fevereiro de 2020.

Já em seus primeiros minutos o longa enquadra a entrada de um saloon em uma noite chuvosa. Um tiro ecoa e um homem cai morto. A uma dupla se aproxima e um deles entra pela porta da frente e o outro fica de vigia na saída. O clima clássico de um bom velho oeste está posto. Após a resolução do assassinato, na lei cruel daqueles tempos, os homens cavalgam de volta para casa. O primeiro é o lendário xerife Eddie Johnson (Peter Fonda) e o segundo é seu parceiro, companheiro e amigo a quarenta anos, Lefty Brown (Bill Pulman).

A obra que traz uma nova perspectiva ao gênero, é repleta de referências aos grandes clássicos. E faz constantes acenos aos fãs do oeste selvagem. Presenciamos a chegada do “progresso”, e junto a ele, novas ambições, novos perigos e a necessidade de se adaptar.  Eddie foi eleito senador e está a caminho de Washington, vai abandonar sua carreira de xerife e pretende deixar seu rancho para Lefty. O que não agrada nenhum pouco a sua esposa Laura (Kathy Baker) que não acredita no potencial do ajudante desajeitado. Lefty Brown reconhece que não é inteligente ou esperto e se mostra envergonhado por nunca ter aprendido a ler. Seu caminhar é desajeitado e manca constantemente. Sua voz é rouca e esganiçada e o tom dela assume toques levemente cômicos. Mas sua lealdade e honestidade é inquestionável, por isso a decisão de seu amigo Eddie. Mas todo o cenário muda quando o lendário herói é assassinado.  

Lefty parte em busca de vingança e justiça. No caminho encontra o garoto Jeremiah Perkins (Diego Josef), o jovem sonha em se tornar pistoleiro e logo se mostra um fã dos grandes nomes do Oeste. Um leitor das revistinhas e baladas sobre as lendas do faroeste. Um personagem como Lefty nunca aparece nesses relatos fantasiosos, por isso o título original do filme “The Ballad of Lefty Brown”. Dois amigos antigos de Eddie e Lefty tentam ajudar Laura nesse momento difícil e acabam se envolvendo na busca. Jimmy Bierce (Jim Caviezel) atual governador de Montana e o xerife Tom (Tommy Flanagan). Saindo da posição de ajudante e coadjuvante e assumindo o protagonismo, Lefty Brown têm que enfrentar diversas reviravoltas, tiroteios, interesses maldosos e corrupção política.  Ele é injustiçado, ridicularizado e humilhado. Seu protagonismo é colocado a prova. O diretor e roteirista Jared Moshe é cuidadoso ao não alterar as características de Brown, ele assume as rédeas da trama e passa a controlar a narrativa mas sem nunca deixar de ser o desajeitado que é. O que não o impede de se mostrar um herói e uma lenda do oeste.  

Acompanhamos essa saga com a linda fotografia de David McFarland, as paisagens de Montana são belas e bem utilizadas. Os cenários se tornam um dos personagens que ajuda no clima épico de toda a trama que presenciamos. Nos demais personagens arquétipos clássicos estão presentes. O jovem que pretende ser pistoleiro, o herói que afoga suas mágoas em uma garrafa de uísque e o político inescrupuloso. Tudo isso afina o clima de bangue-bangue. Para melhorar o acerto as performances são ótimas, Peter Fonda em seus poucos minutos como Eddie consegue evocar uma figura forte e virtuosa. Kathy Baker apresenta Laura como uma mulher forte e decidida. Diego Josef é o jovem aprendiz que passar a perceber em Lefty todas as virtudes que Eddie vê e aprecia. Porém o mais importante para o sucesso da obra é a performance de Lefty Brown, e Bill Pullman faz um trabalho incrível. Lefty tem uma personalidade própria, é carismático e cativante. Um personagem leve e cômico cheio de excentricidades e com coração.

“A Vingança de Lefty Brown” é a balada de Lefty.  A canção e relato de seu grande feito, uma forma de relembrar e celebrar essa grande figura do oeste e seus atos de coragem. Uma obra divertida e emocionante. Carregada de referências aos clássicos e com um clima e sensação do velho oeste. Um longa que apresenta elementos do gênero e que sabe também subvertê-los. O eterno coadjuvante, o acompanhante do herói é colocado como protagonista e mostra que é uma das grandes lendas do faroeste.

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Sunça no Streaming – Vigiados – Amazon Prime Video (2020)

Em Vigiados, dois casais em um retiro à beira-mar começam a suspeitar de que o dono da casa alugada, aparentemente perfeita, pode estar espionando-os. Em pouco tempo, o que deveria ser uma viagem comemorativa de fim de semana se transforma em algo muito mais sinistro, à medida que segredos bem guardados são expostos e os quatro velhos amigos passam a se ver sob uma luz totalmente nova.

88 min – 2020 – EUA

Dirigido por Dave Franco. Roteirizado por Dave Franco, Joe Swanberg e Mike Demski. Com Dan Stevens, Jeremy Allen White, Alison Brie, Sheila Vand, Toby Huss, Connie Wellman.

Um grupo de jovens viaja para um lugar paradisíaco e isolado. Algo parece estranho e paira uma sensação de que eles não deviam estar ali. Coisas misteriosas acontecem e pequenas atitudes e decisões são tomadas. Elas iniciam uma “bola de neve” fatal. Essa é uma premissa muito conhecida dos cinéfilos e tão utilizada que já existem clássicos até mesmo em jogos de tabuleiro e vídeo  game. “Vigiados” é a primeira empreitada do diretor Dave Franco, que além de ser uma bonita homenagem ao gênero terror, traz algumas atualizações a uma mistura com o subgênero slasher.  

Na primeira parte da obra, que se estende durante a primeira hora, a atmosfera é de incerteza. Dave não poupa tempo para nos apresentar os ambientes e seus personagens. Desenvolve as relações entre eles e vai construindo a tensão pontualmente com pistas, movimentos de câmera e pequenas aparições. É comum assistirmos aos personagens enquadrados de longe o que sugere a todo momento que alguém os está observando. Charlie (Dan Stevens), sua esposa Michelle (Alison Brie), seu irmão Josh (Jeremy Allen White) e sua sócia, e namorada de Josh, Mina (Sheila Vand), alugam uma casa de luxo a beira mar para um fim de semana de descanso, festa e curtição. Por lá, coisas estranhas acontecem.   

É interessante perceber como desde o ínicio existem sinais claros de que o final de semana não iria acabar bem, tanto no aspecto pessoal, social e íntimo do grupo. Quanto no aspecto sinistro de toda a viagem. Em alguns momentos a trama sugere que o potencial desastre vai ser causado pelo próprio grupo de jovens. E em boa parte é. Decisões erradas são tomadas, delitos são cometidos e todas as ações têm consequência e não são perdoadas pelo roteiro.  Durante a atmosfera de incerteza que reina no o início da obra o terror vêm das mentiras, manipulações e falhas humanas. Até que de fato surge, na segunda metade do filme, a grande ameaça. Que pode até soar como punição. Como tivemos um bom tempo com esses personagens, antes dessa revelação, nos importamos com eles o que é fundamental para que toda a etapa final seja eficaz. 

“Vigiados” é uma bonita homenagem e um bom filme de terror. Dave Franco têm uma estreia bem sucedida na direção, é possível perceber suas influências apesar de seu filme ter uma personalidade própria.

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Sunça no Cinema – Venom (2018)

San Francisco, Estados Unidos. Eddie Brock (Tom Hardy) é um jornalista investigativo, que tem um quadro próprio em uma emissora local. Um dia, ele é escalado para entrevistar Carlton Drake (Riz Ahmed), o criador da Fundação Vida, que tem investido bastante em missões espaciais de forma a encontrar possíveis usos medicinais para a humanidade. Após acessar um documento sigiloso enviado à sua namorada, a advogada Anne Weying (Michelle Williams), Brock descobre que Drake tem feito experimentos científicos em humanos. Ele resolve denunciar esta situação durante a entrevista, o que faz com que seja demitido. Seis meses depois, o ainda desempregado Brock é procurado pela dra. Dora Skirth (Jenny Slate) com uma denúncia: Drake estaria usando simbiontes alienígenas em testes com humanos, muitos deles mortos como cobaias.

112 min – 2018 – EUA

Dirigido por Ruben Fleischer , roteirizado por Jeff Pinkner, Scott Rosenberg, Kelly Marcel e Will Beall. Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Reid Scott, Scott Haze, Jenny Slate, Michelle Lee e Wayne Pére.

No mesmo ano em que os fãs de quadrinhos e de cinema de heróis, foram presenteados com os ótimos “Deadpool 2” e “Vingadores: Guerra Infinita”. Chega às telas o medíocre “Venom”. O longa da Sony relembra os anos dois mil, um momento em que os estúdios apenas queriam lucrar com seus “produtos”, sem se preocupar com a qualidade dos filmes baseados em quadrinhos. Vide “Demolidor (2003)”, “Mulher-Gato (2004)” e “Elektra (2005)”. De início o longa já têm uma enorme limitação, contar a história de um vilão do Homem-Aranha sem a presença do aracnídeo. A obra foi produzida apenas pela Sony sem o envolvimento da Marvel. E por isso, toma algumas liberdades com a origem do personagem. Nas hqs um simbionte alienígena se une a Peter Parker que ao perceber os malefícios que o ser de outro planeta está causando, se esforça para separar dele. O simbionte acaba com Eddie Brock um jornalista sem escrúpulos que teve uma matéria desmentida por Peter. O ódio que ambos sentem pelo Aranha acaba os unindo e assim se tornam o Venom, que inicialmente apenas quer matar o herói. Mas tudo isso é ignorado, uma vez que a obra não se passa no mesmo universo de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”.

Nunca escondi meu fascínio e admiração pelo Homem-Aranha, isso fica claro em meus textos. Logo, seria possível dizer que apenas a desconstrução do personagem Venom seria o suficiente para me desagradar. Porém a descaracterização do vilão é apenas um dos vários problemas dessa nova adaptação cinematográfica. Algumas modificações na origem do protagonista são acertadas. Eddie Brock (Tom Hardy) é um jornalista investigativo celebridade, seu programa o “The Brock Report” ataca os poderosos. Para conseguir isso, Eddie não mede esforços. Vivendo em São Francisco com sua noiva Anne Weying (Michelle Williams) somos informados de um passado ruim em Nova Iorque. Uma óbvia referência a origem de Eddie nos quadrinhos. O jornalista é intimado a entrevistar Carton Drake (Riz Ahmed) empresário e dono da Fundação Vida. Brock tira proveito de sua proximidade com Anne, que é advogada do escritório que defende a empresa, e descobre que estão acobertando mortes de voluntários para experimentos. Ao expor isso ele acaba causando sua demissão e a de sua noiva que termina o relacionamento com o anti-herói. Após perder tudo Eddie é caracterizado como um fracassado patético. Meses depois o jornalista recebe a informação de que a fundação está fazendo experimentos com humanos e simbiontes alienígenas coletados no espaço.

Um problema grave em “Venom” é a falta de tom na narrativa. De início temos a impressão de assistir a um longa de terror e suspense. A fotografia é sombria e as “possessões” dos seres de outro planeta aterrorizantes. Aos poucos o roteiro parece ir deixando de se levar a sério e passamos a ter uma sensação de despretensão. Situações extremas são facilmente resolvidas, as ações dos personagens perdem credibilidade e a narrativa ganha características de comédia. Outro problema é o excesso de diálogos expositivos ao longo de toda a trama. O que é escancarado quando o simbionte e Brock passam a dividir o corpo.  Eles então passam a conversar com diálogos risíveis. Alguns deles até parecem realmente ter o único propósito de divertir e fazer rir. Em determinado momento Venom “ensina” Anne como derrotá-lo, apenas porque essa informação é necessária ao final do longa.

Apesar da falta de coerência nas características dos personagens, Tom Hardy consegue fazer muito com o pouco que lhe é dado. Hardy têm carga dramática, timing cômico e trejeitos físicos exagerados que funcionam bem na narrativa. Outro acerto é o visual do vilão, a criatura parece ter saídos dos gibis. Exceto pela aranha branca no peito, por motivos óbvios. Já os demais personagens não apresentam o carisma e energia do protagonista, Carton Drake é o vilão com objetivos contestáveis e que no final apenas quer destruir o mundo. Michelle Williams parece estar sempre com preguiça e apresenta uma Anne Weying apática. Até nas cenas de ação, que deveriam ser um dos focos da obra “Venom” consegue falhar. São confusas, escuras demais e nada criativas. Na luta final é difícil entender o que acontece na tela. Com o objetivo claro de uma continuação e de iniciar um universo temos várias referências desde o jornal “Daily Globe”, a “She Venom” e até a série “Venom: The Madness”.

“Venom” é mais uma obra que não consegue aproveitar um personagem interessante. A relação Eddie Brock e simbionte, que é bem trabalhada nos quadrinhos aqui é reduzida a algumas boas piadas e lembretes a todo o momento de que não passamos de comida para o alienígena.

Obs. Existem duas cenas pós-créditos. A primeira, logo após aos créditos iniciais, mostra o objetivo claro de uma sequência. A segunda é um clip promocional de Homem-Aranha no Aranhaverso. Uma pequena cena que empolga mais que todo o filme que acabamos de presenciar.  

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Sunça no Cinema – Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Os Vingadores e seus aliados precisam estar dispostos a sacrificar tudo para derrotar Thanos (Josh Brolin), antes que seu poder de devastação acabe com metade do universo. O Titãn chega à Terra, para a reunir as Joias do Infinito. Para enfrentá-lo, os Vingadores precisam unir forças com os Guardiões da Galáxia, ao mesmo tempo em que lidam com desavenças entre alguns de seus integrantes.

156 min – 2018 – EUA

Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, roteirizado por Christopher Markus e Stephen McFeely. Com: Robert Downey Jr, Chris Hemsworth, Josh Brolin, Chris Evans, Scarlett Johansson, Karen Gillan, Tom Hiddleston, Elizabeth Olsen, Tom Holland, Benedict Cumberbatch, Mark Ruffalo, Zoe Saldana, Sebastian Stan, Dave Bautista, Chadwick Boseman, Danai Gurira, Paul Bettany, Anthony Mackie, Don Cheadle, Peter Dinklage, Carrie Coon, Tom Vaughan-Lawlor, Winston Duke, Latitia Wright, Benedict Wong, Pom Klementieff, Benicio Del Toro.

São dez anos acompanhando a Marvel no cinema. Mais de vinte e um anos lendo quadrinhos. Anos consumindo animações, seriados, jogos, brinquedos e etc. E aqui estou eu, acabado. Ainda não sei como lidar com o corajoso e ousado “Vingadores: Guerra Infinita”. Quando reflito sobre o ótimo longa fico tenso e silencioso, abro pequenos sorrisos e encho os olhos de lágrimas. As consequências são reais e sérias, é um filme impactante. É óbvio que a “pancada” seria maior caso já não houvesse a confirmação, pela casa das ideias, dos longas “Homem-Formiga e a Vespa”, “Capitã Marvel” (ambos ainda esse ano) e o quarto Vingadores ano que vêm. (Ainda sem título) Ainda assim, saí do cinema com o mesmo impacto de quando assisti “Star Wars: O Despertar da força”. Me vejo questionando a possibilidade de um dia rever essa obra. Não quero. E obviamente vou fazê-lo o mais rápido possível e inúmeras vezes. Ainda que uma determinada cena me mate por dentro só de pensar em assisti-la de novo.

Se o ótimo “Capitão América: Guerra Civil”, também dirigido por Anthony e Joe Russo, foi acusado de não ser corajoso o suficiente em “Guerra Infinita” os diretores e a Marvel mostram valentia e presenteiam o espectador que acompanhou os dezoito filmes que guiaram o “Universo Cinematográfico da Marvel” até aqui. Thanos (Josh Brolin) e seus generais, Fauce de Ébano (Tom Vaughan-Lawlor), Corvus Glaive (Michael James Shaw), Próxima Meia-Noite (Carrie Coon) e Cull Obsidian (Terry Notary) que  formam a Ordem Negra, estão em busca das joias do infinito. São seis gemas, a do espaço, da mente, alma, realidade, tempo e poder. Eles não medem esforços para reunir as pedras que juntas dariam plenos poderes ao vilão. O Titã Thanos acredita ser o herói de sua história, alguém que busca a salvação do universo. O filme se inicia logo após os eventos de “Thor Ragnarok” e logo percebemos como a ameaça é real e o tom diferente dessa nova aventura que promete consequências. Na terra a equipe dos Vingadores está dividida devido aos acontecimentos de “Guerra Civil”.  A trama não é complexa, é simples. Thanos precisa das joias e vêm buscar. Mas é épica em escala, interliga vários personagens e traz um clima mais sombrio ainda que a aventura, o humor e as grandes cenas de ação se façam presentes. É uma tensão constante que é construída e amplificada ao longo de duas horas e meia (Que passam voando). O perigo é real e nos vemos constantemente temerosos sobre o destino dos heróis.

Josh Brolin faz um ótimo trabalho como o Titã ele o constrói como um personagem tridimensional, é um vilão poderoso, ameaçador e com um inesperado carisma. Percebemos seus valores e ideais, seus dilemas pessoais e sua motivação. É possível simpatizar com o vilão que em diversos momentos se mostra “humano”, ainda que seus objetivos sejam terríveis. Parte disso devido a relação com suas filhas e seu passado, porém a forma como Brolin entrega suas falas e exibe expressões corporais ajudam nesta composição do personagem. Os efeitos especiais são impressionantes, em nenhum momento questionamos sua “existência” e deixa toda a composição de Thanos mais visceral, o que é muito importante uma vez que ele de fato é o protagonista do filme. A Ordem Negra também funciona e nos rende boas batalhas. Aliás, cenas de luta acontecem a todo momento, o que é um show a parte. Além de bem coreografadas e enquadradas pelos irmão Russo, é fascinante ver os heróis trabalhando em equipe e compartilhando seus poderes uns com os outros. Os personagens acabam divididos em grupos menores com diferentes missões mas com a ameaça de Thanos em comum. Uma decisão acertada que deixa a obra acelerada e dinâmica.

Os diretores tinham um grande desafio em mãos, reunir um número grande de personagens em uma história que deveria encerrar uma etapa da Marvel nos cinemas. E eles conseguem. A interação entre os personagens é um ponto forte, a personalidade de cada um é respeitada. Nem todos conseguem um bom tempo na tela, mas é nítido o respeito com cada um deles, vide a primeira aparição dos Guardiões da Galáxia, devidamente acompanhada de uma trilha sonora. Outro aspecto interessante é que cada um dos heróis possui uma função em sua participação, por menor que ela seja. É notável a evolução de alguns deles, como por exemplo o Homem-Ferro (Robert Downey Jr.), o Capitão América (Chris Evans) e a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) que aprofunda sua convincente relação com Visão (Paul Bettany). Mas o destaque fica com Thor (Chris Hemsworth) e Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch). É um show a parte poder ver Robert Downey Jr. contracenar com Benedict Cumberbatch e Chris Pratt. E de ter presente entre esse grupo demonstrando química e personalidade o Homem-Aranha de Tom Holland é especial. E para mim, especificamente, um regozijo único. Algo pelo qual espero desde pimpolho.  

“Vingadores: Guerra Infinita” é um novo marco para o Universo Cinematográfico da Marvel. É angustiante, assustador, dramático e engraçado. Um soco que te faz sair abalado e amargurado do cinema. Thanos rouba a cena e a casa das ideias entrega o evento que prometeu. O final perde força quando sabemos da confirmação de novos filmes, mas ainda assim paira dúvida e a apreensão. É um filme mais sombrio que encerra um arco. Você vai se encantar, vai rir, vai chorar e sair abalado pela promessa contida na frase final da projeção.

Obs. Tem uma cena pós créditos. Espere até o final.  

Nota do Sunça:

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Sunça no Cinema – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017)

Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

138 min – 2017 – EUA

Dirigido e roteirizado por Luc Besson. Com Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Kris Wu, Sam Spruell, Alain Chabat.

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é uma adaptação da série em quadrinhos “Valérian, agente espácio-temporal” iniciada em 1967. As hqs criadas por Pierre Christin e escritas por Jean-Claude Mézières influenciaram diversos clássicos da ficção científica, como por exemplo a saga Star Wars. Nelas acompanhamos as aventuras de Valérian, um agente espaço-temporal, e sua colega, Laureline, enquanto viajam o universo pelo espaço e pelo tempo. Luc Besson dirige e escreve a versão cinematográfica da obra, que apesar de apresentar um visual deslumbrante não consegue ter a sustança e inovação do original.

No longa acompanhamos os agentes federais Major Valerian (Dane DeHaan) e a Sargento Laureline (Cara Delevingne). A dupla trabalha para o governo e têm como responsabilidade manter a ordem e paz em Alpha a Cidade dos mil Planetas. Alpha é uma estação espacial que devido a seu crescimento deixou de habitar a órbita da Terra e passou a viajar pelo espaço como um planeta autônomo. É habitado pelas mais variadas espécies do universo. Já na cena inicial Besson é bem sucedido em ilustrar a evolução de Alpha e a integração das mais variadas raças interplanetárias. Nos contextualiza no ambiente que está criando. É uma sequência sucinta e objetiva ao som de Space Oddity de David Bowie. O segundo segmento do filme também chama atenção, é uma narrativa visual quase sem falas que apresenta um planeta e seus habitantes vivendo em harmonia e seu fim catastrófico.

De início “Valerian” impressiona, é uma boa premissa que conta com cores fortes e vibrantes, ótimos designs de criaturas e um clima de estranheza que lembra “O Quinto Elemento”. É nítido o cuidado com os efeitos especiais e o capricho com o design de produção. Dessa maneira o diretor é bem sucedido em criar um universo ficcional que é crível ao mesmo tempo. Porém, nos outros aspectos a obra deixa a desejar.

Dehaan não convence como um garanhão charmoso, um mulherengo de coração bom. A personalidade do protagonista é pouco explorada, logo fica difícil acreditar em sua paixão por Laureline que segundo suas palavras “É diferente das outras…”. É conveniente para o roteiro que em determinados momentos ele seja rebelde e se mostre “contra” seus superiores mas no momento da resolução da obra ele seja um soldado disciplinado. A Sargento é uma personagem de temperamento forte e obstinada. Mas o enredo acaba a aproveitado como escada para as contestáveis piadas de Valerian (Dirigir/pilotar mal?). Além de quando necessário a colocar como uma agente habilidosa,  para no momento seguinte a ter no papel de uma donzela em perigo. E, é discutível que o Major a  deixe de lado sempre que vai entrar em ação. Cara Delevingne está um pouco melhor que seu parceiro, mas o romance entre os dois é forçado, não funciona e rende um dos piores diálogos do cinema.  “Só o amor pode parar a guerra…”

O ritmo do filme não ajuda, tudo acontece em episódios e os diversos temas abordados não interagem. Passamos por várias discussões interessantes que poderiam gerar paralelos com a realidade, porém sem nunca nos aprofundar e/ou relacionar. Luc Besson ainda vai além e torna tudo excessivamente expositivo. Depoimentos de personagens revelam acontecimentos importantes e ainda são acompanhados por flashbacks. Tudo é bem explicadinho e ilustrado. Valerian e Laureline também contam com as várias coincidências proporcionadas pelo roteiro. Quando precisam de informação, encontram um personagem para contar. Se precisam fugir, a fuga é facilitada. Se há algo errado, facilmente uma trama ilegal é descoberta. Aqui vale uma menção a Rihanna que têm uma rápida participação. Sua personagem só existe para mover a trama adiante, e quando não é mais necessária é descartada.    

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” têm um visual impressionante, efeitos digitais primorosos e design de produção admirável. Mas peca em seu ritmo, roteiro e personagens. É uma imersão em um universo com visual interessante, porém sem conteúdo.

Nota do Sunça:

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Sunça no Cinema – Velozes e Furiosos 8 (2017)

Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão curtindo a lua de mel em Havana, mas a súbita aparição de Cipher (Charlize Theron) atrapalha os planos do casal. Ela logo arma um plano para chantagear Dom, de forma que ele traia seus amigos e passe a ajudá-la a obter ogivas nucleares. Tal situação faz com Letty reúna os velhos amigos, que agora precisam enfrentar Cipher e, consequentemente, Dom.

136 min – 2017 – EUA

Dirigido por F. Gary Gray, roteirizado por Chris Morgan. Com Vin Diesel, Charlize Theron, Kurt Russell, Helen Mirren, Dwayne Johnson, Jason Statham, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Ludacris, Nathalie Emmanuel, Scott Eastwood, Elsa Pataky Santos, Kristofer Hivju e Luke Evans.

A franquia Velozes e Furiosos é marcada pela metamorfose. Aos quinze anos, em 2001, fui apresentado ao mundo das corridas ilegais e dos carros tunados pelas ruas de Los Angeles. Ainda me lembro do impacto que a estreia da série com o bom “Velozes e Furiosos” teve sobre mim. Desde então acompanhei todos os filmes. Passando pelo fraco “+ Velozes + Furiosos” e o pálido “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio”, filmes que fecharam a fase do mundo underground das corridas. Em 2009 o “Velozes e Furiosos 4” marca o primeiro momento de transição com o retorno do elenco original e o início de uma mudança na franquia. O bom “Velozes e Furiosos 5: Operação Rio” chega e confirma a mutação, a tão estimada “família” se transforma em “equipe” e a série se transforma em um “filme de assalto”. O frágil “Velozes e Furiosos 6” e o  bom “Velozes e Furiosos 7” mantém forte a ideia de “equipe tática”, filme de assalto com várias etapas a serem executadas e um plano sempre grandioso e universal. Esses longas estabelecem também a transformação da franquia em grandiosos filmes de ação. Problemas cada vez maiores, temas de vingança, sequências de ação exageradas e seus personagens cada vez mais invulneráveis. Em 2015, quando estreou o sétimo Velozes e Furiosos os protagonistas lembravam cada vez mais os indestrutíveis astros de ação dos anos 80. Essa necessidade de elevar cada vez mais os problemas, perigos e tramas nos trás ao bom “Velozes e Furiosos 8” que confirma a tendência de seus dois antecessores e consagra a franquia agora como filme de super-heróis.

No oitavo filme da série Dominic Toretto (Vin Diesel) e Letty “Ortiz” Toretto (Michelle Rodriguez) estão curtindo a lua de mel na cidade de Havana, em Cuba. Logo de início o longa volta às origens e temos uma ótima corrida com Dom no volante. Tudo caminha bem até a aparição de Cipher (Charlize Theron), que têm uma “carta na manga” e consegue chantagear Dominic. Logo a equipe é reunida por Hobbs (Dwayne Johnson) e Toretto então trai sua “família” e ajuda Cipher em seus planos. Sr. Ninguém (Kurt Russell) reúne toda a equipe (Sem Dom, é claro) para tentar impedir Cipher e consequentemente Dominic. Se o objetivo é uma ameaça cada vez maior, nada melhor do que colocar nossos heróis para enfrentar seu líder, passando por ogivas nucleares e um submarino de guerra. É uma trama exagerada, inverossímil e mentirosa, o filme sabe disso e não esconde. A obra é um absurdo que diverte. Do início ao fim somos agraciados com frases de efeito para todos os lados, olhares canastrões, uma vilã má por natureza e antigos vilões que se tornam mocinhos sem nenhuma razão aparente para isso.  E como não pode faltar, carros impressionantes em manobras fantásticas. Sequências de ação marcantes como uma perseguição no gelo, Dom versus sua equipe com carros e cabos de aço, uma chuva de automóveis, uma horda zumbi de veículos e uma wrecking ball.

 Não espere que “Velozes e Furiosos 8” vá mudar o modo como seus personagens encaram o mundo, não muda. Apesar de derrotas, vitórias e mortes eles continuam os mesmos e a dinâmica entre eles não altera. Roman Pearce (Tyrese Gibson) e Tej Parker (Ludacris) continuam com sua rivalidade cômica, Dominic Toretto (Vin Diesel) e Letty “Ortiz” Toretto (Michelle Rodriguez) o casal que sempre acredita um no outro, o destaque fica mesmo para o relacionamento entre Hobbs (Dwayne Johnson) e Deckard Shaw (Jason Statham).  Deckard protagoniza uma das melhores cenas do filme, um tiroteio no avião. Aliás, existe sim uma mudança. Eles agora têm super poderes. Hobs é super forte a ponto de desviar torpedos com as próprias mãos, Deckard têm sua super arte marcial e um super le parkour, Ramsey (Nathalie Emmanuel) e Tej a super tecnologia, Roman Pearce os super e exagerados alívios cômicos, Sr. Ninguém (Kurt Russell) a super felicidade, já que parece se divertir até mais que o próprio público nesse filme. Finalizando com o indestrutível Dom, especialista em tudo sem nunca cometer erros.

“Velozes e Furiosos 8” estabelece a série com um viés exagerado e despretensioso. Transforma seus protagonistas em super-heróis, as ameaças agora afetam o mundo. E para salvá-lo a equipe utiliza suas próprias mãos, aparatos tecnológicos e claro, carros incríveis. Que venham os alienígenas, porque o próximo passo só pode ser o de salvar o universo.

Nota do Sunça:


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Sunça no Cinema – Pets – A Vida Secreta dos Bichos (2016)

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Max é um cachorro que mora em um apartamento de Manhattan. Quando sua querida dona traz para casa um novo cão chamado Duke, Max não gosta nada, já que seus privilégios parecem ter acabado. Mas logo eles vão ter que pôr as divergências de lado quando um incidente coloca os dois na mira da carrocinha. Enquanto tentam fugir, os animais da vizinhança se reúnem para o resgate e uma gangue de bichos que moram nos esgotos se mete no caminho da dupla.

87 min – 2016 – EUA

Dirigidor por Chris Renaud, roteirizado por Cinco Paul e Ken Daurio. Com Louis C.K., Eric Stonestreet, Kevin Hart, Jenny Slate, Ellie Kemper, Albert Brooks, Lake Bell, Dana Carvey, Hannibal Buress, Bobby Moynihan, Chris Reynaud, Steve Coogan, Michael Beattie, Sandra Echeverría, Jaime Camil, Kiely Renaud.

Dublado no Brasil por Danton Mello, Tatá Werneck, Tiago Abravanel, Luís Miranda, Leonardo Santhos, Eduardo Dascar, Marcelo Garcia, Miriam Ficher e Aline Ghezzi

Claramente influenciado por Toy Story, Pets – A Vida Secreta dos Bichos, parte de uma premissa interessante, mostrar o que fazem os animais de estimação quando seus donos não estão em casa. Dirigido por Chris Renaud, também responsável por Meu Malvado Favorito e Minions, inicialmente o filme impressiona com bonitas panorâmicas de Manhattan, ele conta com um ótimo desenho de produção e com uma animação de qualidade característica da Illumination Entertainment.  Mas infelizmente o filme logo desiste de sua premissa e ao invés de situações interessantes e inusitadas com os bichinhos em suas casas, partimos para uma aventura exagerada com situações comuns sem relação com a temática inicial.

No filme acompanhamos Max (Danton Mello), um cachorro que mora em um apartamento de Manhattan. Ele têm um feliz relacionamento com sua dona a Katie (Aline Ghezzi), em suas próprias palavras, “Eles dividem um ap.” Mas tudo muda quando um dia sua dona traz para casa um novo cão chamado Duke (Tiago Abravanel). De início Max e Duke não se dão bem, mas logo eles têm que pôr as divergências de lado devido a um incidente que os coloca em uma carrocinha e mas tarde de frente a uma gangue de bichos que odeia os humanos e moram nos esgotos. Enquanto isso os animais da vizinhança se reúnem para o resgate da dupla. Uma trama bastante semelhante a aventura de Buzz e Woody.

Se a falta de carisma dos protagonistas é um problema, falta empatia com o espectador, os personagens coadjuvantes roubam a cena. Alias, isso parece ser uma especialidade da Illumination Entertainment vide os  Minions que roubam a cena em Meu Malvado Favorito. Eles fizeram tanto sucesso que aqui em Pets, também se fazem presentes, antes do longa estão em um curta que é apresentado, fazem interferências no logo da empresa e até “aparecem” no final da trama. Mas o destaque fica para Gigi (Tatá Werneck) e para o vilão do longa o coelho Bola de Neve (Luis Miranda), o velho basset hound “veiaco nos esquemas” também nos fornece algumas risadas. Vale um destaque também para todas as interações entre Gigi e o gavião Tiberius (Leonardo Santhos).

É uma pena que o longa abandone sua premissa e adentre uma trama genérica e confusa, que te faz questionar o quanto é “secreta” a vida dos bichos, uma vez a partir de determinado momento do roteiro suas ações passam a afetar diretamente os humanos e a cidade de uma forma bem exagerada. Com uma ajuda do roteiro os humanos parecem estar sempre atrasados aos acontecimentos, exceto é claro, quando não presenciam os animais e suas vidas nem tão ocultas assim. Com um mundo bonito e colorido, cenas que rendem boas risadas, sequências em uma festa, tudo o que se passa no terraço, o “Reino da salsicha” e a turma do esgoto são méritos do filme, mas é nas cenas em que realmente vemos como é a vida dos bichos, sem os donos em suas respectivas casas, que Pets – A Vida Secreta dos Bichos têm seus melhores momentos. Uma pena o filme não saber explorar melhor sua boa ideia inicial e ponto fundamental de sua desperdiçada premissa.

Obs. Na cabine de imprensa foi exibida um cena durante os créditos.

Nota do Sunça:

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