Sunça no Streaming – Space Jam: Um Novo Legado – HBO Max (2021)

Em Space Jam: Um Novo Legado, a inteligência artificial, Al G (Dom Cheadle) sequestra o filho de Lebron James e envia o lendário jogador dos Los Angeles Lakers para uma realidade paralela, onde vivem apenas os personagens de desenho animado da Warner Bros. Para resgatar o seu filho, ele precisará vencer uma partida épica de basquete contra superversões digitais das maiores estrelas da história da NBA e da WNBA. Para essa dura missão, King James terá a ajuda de Pernalonga, Patolino, Lola Bunny, dentre outros personagens consagrados de Looney Tunes.

115 min – 2021 – EUA

Dirigido por Malcolm D. Lee. Roteirizado por Juel Taylor, Tony Rettenmaier, Keenan Coogler, Terence Nance, Jesse Gordon, Celeste Ballard. Com LeBron James, Don Cheadle, Cedric Joe, Khris Davis, Sonequa Martin-Green, Ceyair J Wright, Harper Leigh, Xosha Roquemore, Stephen Kankole, Jalyn Hall, Wood Harris, Jordan Thomas, Sue Bird, Anthony Davis, Draymond Green, Damian Lillard, Klay Thompson, Nneka Ogwumike, Diana Taurasi, Aja Wilson, Randy Mims, Gerald ‘Slink’ Johnson, Sarah Silverman, Steven Yeun, Ernie Johnson, Lil Rel Howery, Michael B. Jordan, Jeff Bergman, Zendaya, Gabriel Iglesias, Eric Bauza, Candi Milo, Bob Bergen, Fred Tatasciore, Rosario Dawson, Justin Roiland, Kimberly Brooks.

Em 1996 “Space Jam: O Jogo do Século” colocou Michael Jordan ao lado dos Looney Tunes em uma partida de basquete para salvar a vida de nossos queridos personagens animados. Agora em 2021 a Warner repete a parceria de um grande astro da NBA com Pernalonga e sua turma em “Space Jam: Um Novo Legado”. O primeiro longa tinha uma história simples apenas para justificar o encontro dos desenhos e Michael. Apesar de falho é lembrado com muito carinho por todos que o assistiram na época. Eu sou um deles. A sequência retrata o encontro dos cartuns com o jogador, e astro da NBA, LeBron James. 

“Space Jam: Um Novo Legado” falha ao não evocar o sentimento de nostalgia. Tirando algumas pequenas menções e o fato de os Looney Tunes demonstrarem que lembram dos acontecimentos do primeiro filme, a sequência evita o assunto. O que frustra os fãs que ficam eternamente esperando uma referência, e olha, que referências não faltam. A obra tem como um de seus pilares mencionar e remeter a produções da Warner, todas presentes na HBO Max. Logo, a projeção funciona como uma grande propaganda do catálogo do serviço de streaming. É estranho pensar que o próprio longa original é parte desse acervo, e, logo, poderia facilmente estar presente na trama. O Tune Squad merecia relembrar os seus tempos de glória. “Um Novo Legado” não é um reboot e também não é uma sequência. Mas se mostra como um resgate de Pernalonga e sua turma, sem vergonha de apontar o dedo para a Warner e dizer que a empresa deixou seus personagens de lado. Nesse ponto acerta em cheio, valorizando e trazendo à tona os Looney Tunes que tanto amamos. 

Na trama a inteligência artificial Al G Rhythm (Don Cheadle) sequestra o filho de Lebron James e força o jogador a entrar em uma realidade virtual (Acervo da HBO Max) onde estão todos os personagens de filmes e franquias da Warner. Lebron tem que convocar um time e vencer uma partida de basquete para ter seu filho de volta. Dessa vez não são os Looney Tunes que precisam de ajuda, e sim, o astro da NBA. Como James pode optar por qualquer personagem/pessoa dentro deste catálogo, os cartuns não eram sua primeira opção. Lebron acaba aceitando os desenhos animados em seu time por falta de opção. O filme dedica um bom tempo a seleção e convocação dos jogadores, e ao invés de trazer piadas divertidas com os personagens em franquias do estúdio, opta pelo caminho mais fácil apenas retratando cada um deles em outras obras do serviço de streaming. Fazendo assim um passeio pelo catálogo da HBO Max. O aguardado encontro de Lebron com Pernalonga, Patolino, Lola e os demais, demora a acontecer. Quando acontece é frustrante, ao invés da versão em carne e osso do jogador é uma versão cartunesca e animada que conhece os Looney Tunes. Essa é a “forma” do jogador por boa parte da projeção.       

O vilão Al G Rhythm é uma opção interessante. A pronúncia de seu nome é “Algoritmo” e seu plano é como os algoritmos de redes sociais e streamings funcionam. Com todo o banco de dados da Warner a sua disposição, ele queria produzir diversos filmes e séries com o astro da NBA unindo diferentes franquias com o único objetivo de gerar lucro. Quando Lebron James nega o convite, ele surta e rapta seu filho. Os algoritmos são um grande problema que enfrentamos hoje em dia, acho extremamente louvável debatê-los e criticá-los. Realmente me parece uma ótima ideia colocá-lo como vilão. O problema é que “Space Jam: Um Novo Legado” parece exatamente uma das obras que Al G Rhythm queria produzir.    

Don Cheadle é um vilão caricato e megalomaníaco. Lebron James demonstra carisma e um nível de atuação melhor do que o de Michael Jordan. A família de Lebron no filme são atores o que faz o longa perder um pouco a magia. No original tivemos a família verdadeira de Michel o que perdeu em qualidade de atuação, porém agrega em verossimilhança. Outro problema é que a obra dedica boa parte de seu tempo a uma relação problemática entre Lebron e seu filho Dom James (Cedric Joe). Um problema entre pai e filho que não evolui e toda vez que aparece em cena é a mesma problemática piegas. 

Não é surpresa que o melhor de “Space Jam: Um Novo Legado” seja justamente o jogo de basquete. A sequência que a obra dedica menos tempo, ao longo de sua duração. O texto inclusive interrompe o jogo para voltar com o conflito piegas de pai e filho. Porém quando os Looney Tunes colocam em quadra seu humor pastelão e trejeitos característicos é quando tudo ganha vida. Assistir a partida exige um esforço, já que o longa, literalmente, nos obriga a ver e procurar referências vazias ao longo de toda a sequência final. “Um Novo Legado” nos permite matar as saudades de nossos queridos cartuns, demonstra amor por esses personagens e uma vontade de voltar a dá-los o destaque merecido. Pena que isso aconteça em um filme de referências vazias, e que se recusa a referenciar o seu original. Insiste em um drama bobo que não evolui e faz mais propaganda do que devia sem ao menos saber tirar proveito do catálogo que tanto exibe.

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – Se Meu Fusca Falasse (1968)

Herbie, um Fusca com personalidade própria, desprezado por um mau caráter que dono de uma agência de automóveis de luxo e piloto de corridas. Mas o Fusca acolhido por um piloto boa praça (Dean Jones) e, em gratidão, o pequeno carro lhe dá diversas vitórias, acabando com a maré de azar do piloto, que inicialmente não entende que foi o fusquinha quem ganhou as corridas. Porém, ele aos poucos entende que o carrinho o principal responsável pelas vitórias e decide correr sempre com ele. Mas ambos terão que lutar contra um rico rival, que usa toda a espécie de golpes sujos para derrotá-los.

108 min – 1968 – EUA

Dirigido por Robert Stevenson. Roteirizado por Bill Walsh, Don DaGradi (baseado em história de Gordon Buford). Com Dean Jones, Michele Lee, David Tomlinson, Buddy Hackett, Joe Flynn, Benson Fong, Joe E. Ross, Iris Adrian, Gary Owens, Chick Hearn, Andy Granatelli, Ned Glass, Robert Foulk, Gil Lamb.

Um Fusca atrapalhado, consciente e com sentimentos. Esse é Herbie o corredor número cinquenta e três, que ganhou nossos corações e se tornou um dos carro mais icônicos do cinema. Talvez, o carro mais icônico do cinema.  “Se Meu Fusca Falasse” é um filme de família clássico. Tenho ótimas lembranças de assistir ao filme com minha avó. É bem provável, que nesses momentos de diversão tenha surgido minha paixão (fixação) pelos fuscas. Herbie fez muito sucesso e protagonizou cinco longas, uma série de TV com cinco episódios e revistas em quadrinhos. A obra foi a última produção da Disney com a participação de Walt Disney. Infelizmente ele faleceu em 1966 e não assistiu ao filme pronto. Walt sugeriu a adaptação do conto “Car, Boy, Girl” de Gordon Bufford. Então, os roteiristas Bill Walsh e Don DaGrandi escreveram essa comédia com estrutura episódica que exala simpatia.  O diretor Robert Stevenson, responsável por vários filmes do estúdio, mesclou a comédia com emoção e capturou belas coreografias de corrida com planos de câmera certeiros. 

Jim Douglas (Dean Jones) é um piloto de corrida fracassado e mora com o amigo Tennessee Steinmetz (Buddy Hackett). Jim encontra o “pequeno carro” em uma loja de automóveis sofisticados e importados. Ele acaba se envolvendo com a vendedora Carole Bennett (Michele Lee). Seu patrão Peter Thorndyke (David Tomlinson) é o dono da loja e um verdadeiro “Dicky Vigarista”. Thorndyke acusa Jim de roubar o Fusca e o obriga a comprar o carro. A história é simples e de forma certeira não se preocupa em explicar porque Herbie tem vontade própria. Ele é super veloz e Jim passa a vencer várias corridas em Laguna Seca e Riverside. O que não agrada Thorndyke, o atual campeão nacional da SCCA (Sports Car Club of America). Uma curiosidade interessante é que no filme o motor do Fusca foi substituído pelo motor do Porsche 356 para dar velocidade ao carro. Herbie tem personalidade forte e demonstra bem suas emoções sem apelar para olhos e bocas ou uma narração subjetiva. Ele é ciumento e impulsivo e percebemos isso em suas ações. Jim é pessimista e egoísta, é na convivência com o “pequeno carro” que ele se desenvolve e cresce como pessoa. Carole é forte e independente. E o amigo Tennessee é hilário e o único que sabe o segredo de Herbie desde o início.  

A direção é competente nas cenas de corrida e nos momentos em que visualmente nos são mostradas as habilidades de nosso querido Fusca. Ele corre, empina, escala montanhas e pula sobre lagos criando cenas engraçadas e memoráveis. Efeitos especiais e práticos convincentes, que podem parecer defasados hoje em dia, mas funcionam e são visualmente bonitos. Tudo isso com sua memorável e ótima música tema composta por George Bruns. O que incomoda no longa é sua estrutura episódica. Os episódios são longos e, em alguns momentos, não se costuram bem para formar a trama. “Se Meu Fusca Falasse” é divertido e engraçado, um filme de família caprichado e que tem um Fusca. Pronto! Já gostei.    

 

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Streaming – Soul – Disney Plus (2020)

Em Soul, duas perguntas se destacam: Você já se perguntou de onde vêm sua paixão, seus sonhos e seus interesses? O que é que faz de você… Você? A Pixar Animation Studios nos leva a uma jornada pelas ruas da cidade de Nova York e aos reinos cósmicos para descobrir respostas às perguntas mais importantes da vida.

96 min – 2020 – EUA

Dirigido por Pete Docter e Kemp Powers. Roteirizado por Pete Docter, Mike Jones e Kemp Powers. Com Jamie Foxx, Tina Fey, Graham Norton, Rachel House, Alice Braga, Richard Ayoade, Phylicia Rashad, Donnell Rawlings, Questlove, Angela Bassett, Cora Champommie, Margo Hall, Daveed Diggs

*Devido a pandemia estreou em dezembro de 2020 na plataforma de streaming Disney Plus

Em Soul, duas perguntas se destacam: Você já se perguntou de onde vêm sua paixão, seus sonhos e seus interesses? O que é que faz de você… Você? A Pixar Animation Studios nos leva a uma jornada pelas ruas da cidade de Nova York e aos reinos cósmicos para descobrir respostas às perguntas mais importantes da vida. Dirigido por Pete Docter e produzido por Dana Murray.

É fácil se identificar com a ideia de que temos um propósito e uma missão em nossa vida. Seguimos vivendo sem olhar para os lados e sendo “assombrados” pela ideia de que ainda vamos conseguir conquistar nosso grande objetivo. Frustrados, corremos atrás de nossas obsessões sem parar para apreciar as pessoas, os lugares e as experiências à nossa volta. No final de um ano difícil, repleto de contratempos e com a comum sensação de tempo desperdiçado. “Soul” chega à plataforma de streaming Disney Plus e de forma leve nos lembra de apreciar as pequenas coisas da vida como um raio de sol, a companhia de um ente querido e uma bela fatia de pizza.

  O protagonista Joe Gardner (Jamie Foxx) é um sujeito frustrado. Um músico de meia-idade que sonha em se tornar um dos grandes nomes do jazz, mas que trabalha em uma escola dando aula a vários alunos desinteressados com a música. Até que graças a seu ex-aluno Curley (Questlove) recebe a chance de tocar na banda da famosa Dorothea Williams (Angela Bassett). Justamente porque Joe ignora o mundo ao seu redor em busca de sua “obsessão” ele sofre um “contratempo”, que pode ameaçar seu sonho de tocar com uma grande estrela. Durante sua jornada, Joe encontra a “jovem” 22 (Tina Fey) que nunca encontrou seu “propósito” e depois de falhar várias vezes perde a vontade de viver, mesmo sem nunca ter vivido. É no contraste dos dois personagens que toda a sensibilidade do longa se constrói. 

O roteiro de Pete Docter, Kemp Powers e Mike Jones leva seu personagem para o além vida e o coloca em uma experiência fora de seu corpo, assim percebemos que seu sonho é justamente o que o afasta da felicidade e da experiência de uma vida mais plena. Mas a trama não oferece respostas simples e fáceis para ser feliz ou de como se sentir realizado, pelo contrário, nos mostra que, caso isso seja possível, é nas pequenas experiências do cotidiano que podemos encontrar as respostas. Para isso usa elementos de roteiro manjados como uma sequência de troca de corpos. Funciona como uma maneira de forçar Joe a “assistir” a si mesmo. O diretor e roteirista Pete Docter comete um deslize ao não estabelecer ao certo as regras daquele universo, sendo assim, o filme tem que se auto explicar ao longo de toda sua duração. Causando alguns furos e apelando pontualmente para saídas mais fáceis.

A Nova York do longa é extremamente realista, um visual que impressiona. O design de produção segue a ideia de valorizar as “pequenas coisas” dando destaques aos detalhes em roupas, paredes e instrumentos musicais. O que contrasta com o visual preto e branco do além-vida. E diferencia também das montanhas azuladas e das grandes construções brancas e fluidas da área de preparação das almas. Um visual mais colorido e simplificado.  A animação é impecável. Não apenas nas pequenas atuações e trejeitos dos personagens, mas também com o cuidado de colocar os “atores” tocando corretamente os instrumentos e criar toda uma movimentação diferente para as diversas ambientações do filme. Vale um destaque para a animação e design dos “Zés”, criações inspiradas em Picasso feitas de linhas animadas que estão sempre conectadas ao “todo”.

“Soul” propõe uma importante discussão sem oferecer respostas fáceis. Com um visual deslumbrante acompanhado de uma trilha sonora caprichada e design sonoro cuidadoso, compõe seus diferentes ambientes e ajuda na narrativa e texto da obra. Por não estabelecer as regras daquele universo o roteiro se torna explicativo apresentando alguns furos e sendo pontualmente contraditório. Um filme que nos lembra que a nossa vida é uma construção de pequenos momentos e que são eles que realmente merecem ser vividos. Joe precisa desapegar de seu sonho e de sua “missão” na terra para finalmente se tornar apto e merecedor de uma vida.  

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Streaming – Sergio – Netflix (2020)

Baseado no livro “O homem que queria salvar o mundo”, de Samantha Power, e produzido pela Netflix, Sergio relata a biografia de Sergio Vieira de Mello (Wagner Moura), diplomata brasileiro das Nações Unidas que morreu em Bagdá, em 2003, durante um bombardeio à sede da ONU local.

118 min – 2020 – EUA

Dirigido por Greg Barker. Roteiro por Craig Borten. Com Wagner Moura, Ana de Armas, Garret Dillahunt, Will Dalton, Bradley Whitford, Brían F. O’Byrne, Clemens Schick.

“Sergio” em sua sequência inicial apresenta seu protagonista com uma postura de poder e experiência. Sergio (Wagner Moura) diz que é impossível descrever sua carreira, de trinta e quatro anos na ONU, em alguns minutos. Cena que também funciona como um alerta do diretor Greg Barker para nós espectadores. O que estamos presenciando é um recorte da vida desse importante diplomata. Em 2009 Greg Barker também dirigiu um documentário sobre o protagonista, com o mesmo título, um pouco mais de uma hora e meia de duração e que também está disponível na Netflix. Diferente do documentário, o longa opta por ancorar sua trama em um romance e seguir uma narrativa não-linear que permeia a vida profissional e pessoal de Sergio de Mello passando por momentos importantes e decisivos de sua trajetória profissional. 

Os acontecimentos escolhidos são sua atuação na transição de governo no Timor-Leste, quando conheceu Carolina Larriera (Ana de Armas) e quando atuou como mediador no Iraque, onde acabou sendo alvo de um atentado terrorista. A direção se assemelha ao estilo documental com sequências de câmera na mão e foco sempre no protagonista. O relacionamento de Sergio e Carolina conduz a narrativa e a montagem traz recortes entre passado e presente. A obra se importa menos com os fatos históricos ou com um caráter mais biográfico e mais com os ideais e a vontade de mudar o mundo do protagonista. A trama opta por explorar as fragilidades e dramas íntimos do protagonista, ainda que de de forma superficial em alguns momentos. Como por exemplo sua relação com os filhos.  A decisão de iniciar a obra com o atentado terrorista se justifica, como um homem revendo sua vida e seus momentos mais importantes quando confrontado com o fim. Porém parece mais um artifício para cativar a atenção e interesse até o final da projeção, já que apesar de insinuar o longa nunca questiona as estranhas circunstâncias do atentado e  a surpreendente falta de resgate. Wagner Moura não se parece com Sergio, mas traz toda uma gestualidade para sua performance. Ana de Armas também está bem e conduz algumas sequências com muita sutileza e eficácia. A química entre os dois é boa, eles funcionam bem como um casal. 

“Sergio” é um recorte na vida de um homem que teve grande importância para a ONU, o Brasil e o mundo. Apresenta uma narrativa equilibrada, uma direção concisa e sequências bem trabalhadas. Em uma biografia, a opção por retratar momentos específicos da vida do biografado é válida. É muito difícil tentar retratar a vida e a personalidade de alguém em sua totalidade. Porém mostrar os acontecimentos no Iraque em 2003 e não se aprofundar em suas desavenças políticas e nos questionáveis eventos que cercam a morte do protagonista, é um erro. A perda de Sergio impactou o ocidente e mudou os rumos da ONU até hoje.

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – Sonic: O Filme (2020)

Sonic, o porco-espinho azul mais famoso do mundo, se junta com os seus amigos para derrotar o terrível Doutor Eggman, um cientista louco que planeja dominar o mundo, e o Doutor Robotnik, responsável por aprisionar animais inocentes em robôs. A sinopse oficial ainda não foi divulgada.

90 min – 2020 – EUA

Dirigido por Jeff Fowler, roteirizado por Pat Casey e Josh Miller. Com James Marsden, Ben Schwartz, Tika Sumpter, e Jim Carrey

Em 1991 “Sonic The Headge Hog” chegou aos consoles. Aqui em terras tupiniquins eu o conheci através de meu Master System Compact. Com sua jogabilidade rápida, cenários fluidos, design cativante e cores gritantes, Sonic caiu no gosto popular. O ouriço é um dos personagens mais queridos dos games. Na minha opinião é o melhor personagem de videogame dos anos 90. Vinte e nove anos depois, o ouriço azul símbolo da SEGA, chega às telonas com “Sonic: O Filme”. Um longa bem humorado, que não se leva a sério, que trata o personagem com carinho e que agrada pela nostalgia.

A divulgação do filme foi conturbada. As primeiras imagens não agradaram e receberam duras críticas. O alvo dos comentários foi o design do protagonista. Isso causou uma atraso na finalização da obra. Devido a reação negativa dos fãs, a equipe da produção redesenhou o personagem título e refez todas as suas cenas. O novo visual menos realista e medonho agradou. Sonic ficou com os olhos maiores, menos dentes e pernas mais cartunescas e menos musculosas. O novo design deixou o personagem mais carismático e mais parecido com o visual dos games. No início da projeção o universo dos jogos já interage com os letreiros, os vários games da SEGA formam sua logo e os Anéis dos jogos do Sonic “brincam” com a abertura da Paramount Pictures. Temos a impressão de que o longa vai se dedicar ao universo do ouriço velocista, mas logo percebemos que se trata de mais uma obra que transporta personagens imaginários de seus mundos fantásticos para a nossa Terra. O que normalmente não funciona. Porém a opção de tornar os personagens “reais” em caricaturas e deixar nosso universo um pouco mais cartunesco, funciona e garante uma certa consistência à trama.

Sonic (Ben Schwartz) fugindo de uma ameaça em seu próprio mundo, acaba em nosso universo na pacata cidade de Green Hill, uma referência a Green Hill Zone do jogo. Ele se mantém escondido, o que não o impede de interagir com os moradores locais. Isso lhe concede uma interessante persona de aparição extraterrestre. O protagonista é amigo (stalker) de Tom Wachowski (James Marsden), que recebe o apelido carinhoso de “Lord Donut”. Em um momento de descontrole o ouriço usa seus poderes de forma excessiva. Sonic acaba chamando a atenção do governo dos Estados Unidos e do Dr. Ivo Robotnick (Jim Carrey), “carinhosamente” apelidado de Dr. Eggman (Mais uma referência aos games). Sonic e Tom têm que ir até São Francisco enquanto fogem de Robotnick.

Nessa estrutura de um roadmovie em meio a uma caçada, vemos a amizade entre os dois se estabelecer. As cenas de ação são bem filmadas e planejadas, as batalhas empolgam e o diretor Jeff Fowler consegue demonstrar bem os poderes do ouriço velocista. O roteiro de Patrick Casey e Josh Miller faz diversas referências ao universo dos games, mas não aproveita a fundo da mitologia do personagem. A fotografia do longa é extremamente colorida e saturada, e isso, ajuda na caracterização cartunesca do universo. É também uma opção que lembra o visual dos jogos. Jim Carrey está ótimo, exagerado ele constrói um Robotnik hilário, cheio de expressões, caretas e excentricidades. Sua performance ao som de “Where Evil Grows” é sensacional. James Marsden é o típico policial charmoso e bonzinho que está sempre pronto para ajudar. Sua esposa Maddie Wachowski (Tika Sumpter) e seu chefe Billy Robb (Adam Pally) pouco têm a fazer na trama, mas o elenco comprometido com o tom da obra. 

“Sonic: O Filme” entrega personagens caricatos em uma trama rasa e objetiva. É simples e divertido, despretensioso e bem humorado, com cenas de ação interessantes e que exala carinho por seu protagonista. Apesar dos vários ganchos para uma continuação, fica o sentimento de que algo faltou e que estamos diante de uma introdução e/ou epílogo. 

Obs. Na cabine de imprensa foi exibida uma cena logo após os créditos iniciais

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019)

Com o retorno do Imperador Palpatine, todos voltam a temer seu poder e, com isso, a Resistência toma a frente da batalha que ditará os rumos da galáxia. Treinando para ser uma completa Jedi, Rey (Daisy Ridley) ainda se encontra em conflito com seu passado e futuro, mas teme pelas respostas que pode conseguir a partir de sua complexa ligação com Kylo Ren (Adam Driver), que também se encontra em conflito pela Força.

142 min – 2019 – EUA

Dirigido por J.J. Abrams e roteirizado por J.J. Abrams e Chris Terrio. Com Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Adam Driver, Carrie Fisher e Kelly Marie Tran, Domhnall Gleason, Mark Hamill, Billy Dee Williams, Keri Russell, Ian McDiarmid.

Em 2015 “Star Wars: O Despertar da força” chegou aos cinemas. Para quem, assim como eu, ama a saga, o retorno da franquia foi um grande acontecimento. Dez anos depois de “Star Wars: A Vingança dos Sith”, encerrar a trilogia mais contestada da série, o diretor J.J. Abrams apostou na nostalgia. E acertou. Abrams conseguiu resgatar o que a série tinha de melhor. Não inovou, mas estabeleceu novos e interessantes personagens. Uma catadora “zé ninguém” que descobre a força, um Stormtrooper desertor, o piloto símbolo da Resistência e o Padawan prodígio que abraça o lado negro da força. O sucesso do retorno a amada Ópera espacial, abriu as portas para o excelente “Star Wars: Os Últimos Jedi” do diretor e roteirista Rian Johnson em 2017. 

Se o embate entre a luz e o lado negro, o bom versus o mal, sempre foi o ponto central de Star Wars, Johnson quebrou esse paradigma ao nos mostrar que os tradicionais lados do embate não eram tão opostos assim. A luz e a escuridão se confundem, andam lado a lado e convivem no mesmo espaço. O longa subverteu lugares-comuns da série, nos mostrou que os acontecimentos do passado devem servir como aprendizado e apresentou a ideia de que a força pode despertar em qualquer lugar e em qualquer “zé ninguém”. O diretor tomou decisões corajosas, empurrou a franquia para frente e inovou. O que, é claro, causou discussões e não agradou os fãs mais conservadores. A trilogia final focada na família Skywalker teve um ótimo início e um excelente desenvolvimento. E agora em 2019 J.J. Abrams retorna e dá um final sem graça e satisfatório para a saga.  

“Star Wars: A Ascensão Skywalker” não se preocupa em surpreender e não pretende inovar. O foco é fazer mais do mesmo. E restabelece a dualidade da força, ou você é bom ou você é mau. Se afasta das boas ideias propostas por “Os Últimos Jedi” e até mesmo ignora várias delas. É um filme feito para agradar o fã que “teve a infância arruinada” quando Rian Johnson expandiu arcos dramáticos de personagens já estabelecidos, aumentou o universo de possibilidades e mostrou que uma antiga franquia poderia se inovar aprendendo com o passado e traçar um rumo diferente para seu futuro. “A Ascensão Skywalker” é um filme que mostra para o fã conservador o que ele sempre quis ver, do jeito que ele queria ver, sem problematizar contextos, ideias e possibilidades. E tudo isso em uma trama que conta com “esquecimentos”, retornos mirabolantes, ameaças terríveis que são facilmente batidas, vários Deus ex machina e truques baratos de dramaturgia, como por exemplo mortes falsas para causar emoção (Sim, e mais de uma vez).

O Roteiro é simples, Kylo Ren (Adam Driver), após a morte de Snoke, se torna o novo Líder Supremo da primeira ordem. Rey (Daisy Ridley) continua seu treinamento para se tornar uma Jedi junto a uma resistência abandonada, desgastada e que tenta se reconstruir. Quando rumores de uma antiga e terrível ameaça aparecem, todos passam a temê-la e buscar formas de combatê-la, inclusive Kylo Ren. Um ressurgimento que surge do nada e que acaba com a mesma velocidade e impacto com o qual apareceu. Não foram apenas as inovações e decisões “polêmicas” que a obra decidiu esquecer, características importantes estabelecidas também parecem ter sofrido uma “nova interpretação”. Um bom exemplo é que nos episódios anteriores Poe Dameron (Oscar Isaac) era o melhor piloto da aliança, algo que não parece mais ser verdade. Fin (John Boyega), que ao lado de Rose (Kelly Marie Tran), teve contato com o lado cinza da galáxia, com seres que simplesmente não se importavam com a luta do bem contra o mal. Agora parece ter se esquecido de todo o aprendizado e remete muito mais ao personagem apresentado no “Despertar da força”.

A faceta humana de Rey e Kylo Rey apresentada no episódio anterior, mostrando um paralelo e a ligação entre os personagens, representado de forma física através da força. É aproveitada no capítulo final. Uma decisão acertada que se mostrou um dos maiores acertos do filme. A ligação estabelecida pela força é levada ao extremo, a ideia da díade é bem aproveitada e podemos ver bem as fraquezas e dúvidas dos protagonistas. Tudo é representado na tela em uma montagem elegante e visualmente interessante. Ainda que me pareça forçado o discurso de redenção e perdão. O Visual do longa e a criação da atmosfera impressiona. Remetem ao que temos de melhor na série e rendem belos duelos entre Rey e Kylo Ren. As cenas de ação são eficazes. Sequências de batalhas e confrontos vão ficar marcadas na memória. A homenagem a General Leia Organa (Carrie Fisher) é linda. Ela é incorporada a trama de forma orgânica, com truques de câmera e cenas não utilizadas em filmes anteriores.  Fisher faleceu em 2016, antes das filmagens de “A Ascensão Skywalker”. Não podemos dizer o mesmo da participação de Lando Calrissian (Billy Dee Williams), que têm aparições pontuais para empurrar a trama e servir como um dos vários Deus ex machina presentes na projeção.   

Em “Star Wars: A Ascensão Skywalker” os personagens têm motivações fracas, acontecimentos e aparições que apenas servem para faze-los deslocar de um lado para o outro no espaço e ameaças e obstáculos terríveis e impossíveis que são facilmente superados. O ponto central da trama depende de uma “carta na manga” controversa e vários acontecimentos e decisões justificadas como a “vontade da força”. Para encerrar uma saga iniciada em 1977, “A Ascensão Skywalker” opta pela nostalgia e por mais do mesmo. Abandona tudo de inovador e restabelece antigos parâmetros. Apresenta uma aventura espacial com estética bonita, ritmo acelerado e vínculo emocional. Um encerramento satisfatório, que aposta nas decisões seguras e que não faz jus ao legado da franquia.

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – Shazam! (2019)

Billy Batson (Asher Angel) tem apenas 14 anos de idade, mas recebeu de um antigo mago o dom de se transformar num super-herói adulto chamado Shazam (Zachary Levi). Ao gritar a palavra SHAZAM!, o adolescente se transforma nessa sua poderosa versão adulta para se divertir e testar suas habilidades. Contudo, ele precisa aprender a controlar seus poderes para enfrentar o malvado Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong).

132 min – 2019 – EUA

Dirigidor por David F. Sandberg. Roteirizado por Henry Gayden. Com Zachary Levi, Asher Angel, Jack Dylan Grazer, Mark Strong, Grace Fulton, Ian Chen, Faithe Herman, Jovan Armand, Marta Milans e Cooper Andrews.

Uma obra lúdica, que não se leva a sério e com uma lição sobre família, assim é “Shazam!”. O novo filme do universo DC, que em nada lembra seus antecessores. É a aventura de um garoto abandonado que se torna um super-herói adulto com a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Em trama bem executada e cativante. O filme funciona tão bem, que nem percebemos que o roteiro de Henry Gayden escolhe esquecer sobre a sabedoria de Salomão.

Com um longa que beira a comédia, a DC consegue emplacar seu primeiro entretenimento família. Existe sim o foco no público infantil, mas certamente a obra vai agradar aos adultos também. O humor é bem colocado, as piadas não estão fora de hora e temos muitas surpresas, reviravoltas e piadas não vistas nos trailers. Algo incomum em longas dessa magnitude.

Billy Batson (Asher Angel) é um adolescente de quatorze anos, abandonado pela mãe. Ele não “aceita” seus lares adotivos e nunca desiste de reencontrar seus pais. Ele recebe super poderes de um antigo mago (Djimon Hounsou), cujo o nome é formado pela união das iniciais de Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio. Ao dizer o nome do mago Shazam, Billy se transforma em um adulto superpoderoso (Zachary Levi). Essa dualidade de um garoto no corpo de um adulto super-herói é muito bem trabalhada e se torna o ponto forte do longa. Quando ele é confrontado por Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong), Billy precisa aprender a controlar seus poderes para combatê-lo. Enquanto tudo isso ocorre o garoto é adotado por uma família formada por “abandonados” e ao longo da trama passa a entender o verdadeiro significado de família. Que acaba sendo a lição principal da obra.

É no elenco familiar outro ponto forte da produção. Todos estão muito bem e compõe essa nova família do protagonista, temos a irmã mais velha e inteligente a Mary Bromfield (Grace Fulton), o irmão viciado em video games Eugene Choi (Ian Chen), a fofinha irmã mais nova Darla Dudley (Faithe Herman) o silencioso e sisudo irmão do meio Pedro Peña (Jovan Armand) e o irmão esquisitão/melhor amigo Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer). A mãe Rosa (Marta Milans) e o pai Victor Vasquez (Cooper Andrews) também merecem destaque. O carisma de Zachary Levi é fundamental, ele que nos cativa quando Billy está fazendo bobagens na pele do herói. Todos têm atuações muito acertadas.

Os problemas de “Shazam!” estão nos diálogos expositivos, algumas “liberdades” do roteiro e na pobre caracterização dos sete pecados capitais. A gula, preguiça, ira, inveja, orgulho, avareza e luxúria poderiam ter rendido visuais e conceitos mais interessantes. No terceiro ato temos algumas sequências desnecessárias e que parecem se repetir.  Mas no geral é uma história simples, bem contada e que funciona.

O fato de Shazam não ser um grande conhecido do público se torna um aspecto positivo, uma vez que deu liberdade para o diretor David F. Sandberg explorar o personagem com ousadia. Assim, as várias versões do herói são misturadas e sua mitologia explorada com inovação. Um filme para a família, acessível e engraçado.  

Obs. São duas cenas pós-créditos. Uma logo após aos créditos iniciais e outra no fim de todos os créditos.     

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:



Sunça no Cinema – Star Wars: Os Últimos Jedi (2017)

Após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker (Mark Hammil) em uma ilha isolada, a jovem Rey (Daisy Ridley) busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre jedi. Paralelamente, o Primeiro Império de Kylo Ren (Adam Driver) se reorganiza para enfrentar a Aliança Rebelde.

152 min – 2017 – EUA

Dirigido e roteirizado por Rian Johnson. Com Mark Hamill, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Laura Dern, Domhnall Gleason, Andy Serkis, Adam Driver, Carrie Fisher e Kelly Marie Tran.

Em Star Wars o ponto central sempre foi o embate luz e o lado negro da força. O bom versus o mal. Eis que o diretor Rian Johnson, e também roteirista, de “Star Wars: Os Últimos Jedi” nos apresenta uma obra focada em uma nova área, a cinza. Agora, no oitavo longa da franquia, fica claro que os tradicionais lados do embate não são tão opostos assim. Eles andam lado a lado, convivem no mesmo espaço e se confundem. Personagens como DJ (Benício Del Toro) e/ou uma passagem por cidade cassino pode parecer desnecessário ou subutilizado. Mas, na verdade, têm o objetivo de deixar ainda mais claro como os conceitos são misturados. A mescla da premissa tradicional do bem contra o mal permeia todo o longa e seus personagens.

A trama da sequência aos acontecimentos de “Star Wars: O despertar da força” e se divide em três linhas dramáticas. A Primeira Ordem, em posição de superioridade, persegue os rebeldes remanescentes. A Aliança Rebelde, liderada pela general Organa (Carrie Fisher), está enfraquecida perante os exércitos do líder supremo Snoke, liderados pelo general Hux (Domhnall Gleeson) e o aprendiz Kylo Ren (Adam Driver). O atormentado Ren continua sua luta para se provar um bom aprendiz do lado negro da força. Já Rey (Daisy Ridley), tenta convencer o exilado Luke Skywalker (Mark Hamill) a se unir a causa rebelde. Luke não se mostra interessado em lutar e nem em treinar a jovem. Enquanto isso Finn (John Boyega), Poe Dameron (Oscar Isaac) e a novata Rose (Kelly Marie Tran) precisam impedir que as naves da Primeira Ordem persigam as embarcações rebeldes.

O filme nos mostra uma faceta mais humana de seu personagens, é interessante como cria uma ligação e um paralelo entre Rey e Kylo Ren. Luke demonstra fraquezas e dúvidas está longe de ser a grandiosa lenda antes apresentada. São corajosas as decisões do diretor, elas renovam a saga e mudam estruturas tradicionais dos longas anteriores. “Os Últimos Jedi” provoca questionamentos e transforma seus personagens. (É comum a sensação de que os protagonistas não sabem qual caminho percorrer.) É equilibrado, traz mais humor que os longas passados combinados com momentos bem mais intensos do que alguns vistos em “Star Wars: O império contra-ataca”. E no fim, consegue ser inspirador. Uma questão importante que permeia todo o filme é o embate entre passado e presente. Se em “O Despertar da força” somos apresentados aos novos personagens e reencontramos os antigos, agora os novatos assumem a liderança.

Rey, cada vez menos inocente, continua carismática e protagoniza cenas memoráveis com o melhor Luke Skywalker visto no cinema. Hamill é engraçado, emociona e consegue demonstrar a imperfeição de seu personagem. Adam Driver mostra o conflito e a força de Kylo Ren enquanto percebemos sua fúria crescer gradativamente. Carrie Fisher recebe uma linda homenagem, e a general Organa é inspiradora e poderosa. Poe Dameron recebe mais destaque e Oscar Isaac consegue transformar o piloto em um personagem multifacetado. Poe é de fato o melhor piloto da aliança e protagoniza as batalhas espaciais mais dramáticas e emocionantes da saga. Isso devido ao ótimo trabalho de edição de som, mixagem e efeitos espaciais. Fin e Rose rendem bons alívios cômicos e seus arcos ilustram bem como a galáxia é cinza e nos mostra que nem todos seus seres estão engajados na guerra. Homenagens são feitas e o sentimento de nostalgia evocado, mas sempre de forma fluida no roteiro e ajudando a trama a caminhar adiante. Vale um destaque para a trilha de John Williams que sabe muito bem mesclar temas novos e antigos ao longo da obra.

É fácil afirmar que “Star Wars: Os Últimos Jedi” é o longa com o visual mais bonito da série. A batalha final prova isso. É também um filme que acredita em seus personagens, explora suas facetas e os deixa mais “humanos”. E essa dualidade é perceptível, é palpável. O diretor toma decisões corajosas, empurra a franquia para frente e inova. Uma boa aposta no verdadeiro equilíbrio da força.

Nota do Sunça:

Últimas críticas:

Últimos textos:

Sunça no Cinema – Sete Homens e um Destino (2016)

282704-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Refilmagem do clássico faroeste Sete Homens e um Destino (1960), que por sua vez é um remake de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Os habitantes de um pequeno vilarejo sofrem com os constantes ataques de um bando de pistoleiros. Revoltada com os saques, Emma Cullen (Haley Bennett) deseja justiça e pede auxílio ao pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington), que reúne um grupo especialistas para contra-atacar os bandidos.

133 min – 2016 – EUA

Dirigido por Antoine Fuqua, roteirizado por Nic Pizzolatto e Richard Wenk. Com Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung-Hun Lee, Manuel Garcia-Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett e Peter Sarsgaard.      

Vivemos a época dos remakes e reboots. É comum o retorno de antigas franquias, com um remake mascarado, como “Star Wars: O despertar da Força” ou então, o remake de fato,  como “As Caça Fantasmas”. Então era de se esperar que clássicos do cinema como “Sete Homens e um Destino” fossem alvos de novas tentativas de Hollywood. Vale ressaltar que apesar de mau visto um remake não significa que o produto final vai ser ruim, como podemos comprovar em “Onze Homens e um Segredo” e nas sequências de Jason Bourne. E aqui, para atestar o atual momento que vivemos,  temos um remake de um remake. O “Sete Homens e um Destino” original, de 1960, é um remake do também ótimo “Os Sete Samurais” (1954) de Akira Kurosawa. O western que reunia grandes nomes da época,  dirigido e produzido por John Sturges, não estreou bem nos EUA, mas acabou estourando na Europa e só depois quando retornou aos Estados Unidos pela segunda vez acabou conquistando multidões. Fez tanto sucesso na época que rendeu ainda mais três sequências e uma série televisiva.

No bangue-bangue de 1960, fazendeiros mexicanos e pobres sofrem nas mãos do criminoso Calvera (Eli Wallach). Cansados de ter suas colheitas roubadas e sua vila saqueada, eles reúnem o pouco que têm e viajam para comprar armas e se defender, porém em uma cidade mexicana acabam conhecendo Chris (Yul Brynner) e Vin (Steve McQueen) e acabam contratando pistoleiros para os defender. Já no longa atual de Antoine Fuqua, a vila mexicana é substituída por uma cidade de colonos, Rose Creek, no extremo oeste dos EUA. O criminoso vivido pelo ótimo Eli Wallach dá lugar para um rico empresário inescrupuloso Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard) que constantemente ameaça e abusa dos moradores locais. Cansada das constantes intimidações e com medo de ver os colonos serem expulsos ou perderem seus lares por uma mixaria, Emma Cullen (Haley Bennett), que deseja justiça e vingança, parte para conseguir ajuda. Ela acaba conhecendo o pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington)e pede seu auxílio. Ele então reúne um grupo de especialistas para defender a cidade.

Se o longa original conta com grandes nomes no elenco, uma boa química entre a equipe e com a inesquecível trilha sonora de Elmer Bernstein. O atual aposta principalmente na diversidade e representatividade. Apesar de também ter grandes nomes no elenco e contar com uma boa química na equipe formada. Denzel Washington é o líder da equipe, papel de Yul Brynner no anterior, o Sam Chisolm de Denzel lembra bastante o Chris Adams de Yul. Washington confere uma postura digna a Sam, que utiliza vestimentas semelhantes às de Adams até repete frases de efeito “Já recebi muito por meu trabalho, mas nunca tudo”. Ainda é possível notar semelhanças nos demais personagens Josh Farraday, o bebum encantador e imprudente, de Chris Pratt funciona como Vin de Steve McQueen, se diferem em alguns aspectos mas ainda assim compartilham falas, como por exemplo a analogia do homem caindo do prédio. Ethan Hawke com seu personagem Goodnight, um ex-soldado confederado marcado por uma vida de matanças, é uma mistura de Harry Lucky e Lee interpretados respectivamente por Brad Dexter e Robert Vaughn, já o chines Billy Rocks (Byung-Hun Lee) é um Britt (James Coburn) bem mais habilidoso com as facas. As novidades ficam para o mexicano assassino Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo), Jack Horne (Vincent D’Onofrio) um homem das montanhas, imponente e brutamontes, mas com uma voz frágil e  religioso. Nas palavras de Farraday “Eu acho que aquele urso está usando roupa de gente.” E finalizando o guerreiro Comanche solitário Red Harvest (Martin Sensmeier).

“Sete Homens e um Destino” além de remeter ao longa original, faz questão de reverenciar o gênero Western. Um exemplo é a apresentação de Sam Chisolm cavalgando pelo deserto sozinho, que lembra a introdução de “O Estranho Sem Nome” de Clint Eastwood. Em vários momentos temos marcas do estilo, antes de vermos pela primeira vez o rosto de Denzel Washington temos primeiro, um plano detalhe de sua arma. Seu rosto ao longo do filme está sempre nas sombras e Josh Farraday é o herói bom moço, não tão bom moço assim. Duelos, brigas em saloons, pistoleiros girando suas armas, além de belos e amplos takes da cidade, natureza e cavalgadas também estão presentes. É uma pena que a trilha sonora de James Horner seja tão fraca, ainda mas quando o filme antecessor contou com o memorável tema clássico de Elmer Bertein. E quando o filme mantém diálogos e situações idênticas ele se esforça para dá-los novos contextos. Afinal temos como chefe uma mulher forte e determinada Emma Cullen, intitulada como “A única com colhões”, que contrata um grupo de pistoleiros que têm como líder um negro e como integrantes um chinês, um mexicano, um índio e mais três homens brancos. É verdade que um grupo como esse seria estranhado no velho oeste, mas a diversidade étnica oferece mais opções dramáticas e é um esforço memorável da produção (Um esforço que fica claro no fim da trama). Em 1960, John Sturges se esforçou para retratar o desejo de redenção de seus personagens, demonstrando que o sacrifício em prol do próximo é capaz de redefinir a vida de uma pessoa. O que no novo longa também se faz presente, porém menos perceptível.   
A formação do grupo e a apresentação de seus integrantes, assim como no original, é metade da duração do longa. Sua segunda metade é marcada pelo confronto entre os grupos. E aqui, principalmente na sequência final, os tiroteios são mais sangrentos. A qualidade épica esperada de um bom faroeste é garantida. Tiros, machadadas, flechadas, salva de balas de uma gatling gun e atiradores precisos dividem o combate final. Como um grande apreciador de westerns, posso dizer que essa nova interpretação vai agradar os fãs do gênero, e também fãs de ação e cinema em geral. “Sete Homens e um Destino” não é um ícone como o clássico de Sturges, mas não faz feio quando comparado a seus anteriores.

Nota do Sunça:

nota4_suncanocinema_fantasticomundodesunca


Últimas críticas:

Últimos textos:


https://jizzrain.com/cats/81/

Sunça no Cinema – Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, O Filme (2016)

peanuts-gang

Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e todo o resto da amada turma do Snoopy, chegam aos cinemas de uma forma como nunca foram vistos antes: em animação 3D! Snoopy, o beagle mais amado do mundo – e claro, o melhor piloto – embarca em sua maior missão até hoje, alcançando o céu atrás de seu arqui-inimigo, o Barão Vermelho, enquanto seu melhor amigo, Charlie Brown, inicia a sua própria jornada épica. Da imaginação de Charles M. Schulz e dos criadores da saga A Era do Gelo, Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, O Filme vai provar que todo azarado tem seu dia de sorte.

88min – 2016 – EUA

Dirigido por Steve Martino. Com roteiro de Bryan Schulz, Craig Schulz, Cornelius Uliano e Charles M. Schulz (Autor da obra original). Com Noah Schnapp, Bill Melendez, Hadley Belle Miller, Mariel Sheets, Anastasia Bredikhina, Noah Johnston, Rebecca Bloom, Mar Mar, William Wunsch, Francesca Capaldi, Venus Schultheis, Madisyn Shipman, A.J. Tecce e Alexander Garfin. 

 

É comum ver quadrinistas citando nomes como Bill Watterson, Hergé e Charles M. Schulz (dentre outros) quando conversam sobre suas referências e inspirações. Especialmente se trabalham com tiras e/ou quadrinhos de humor, o que é o meu caso. Logo, o trabalho de Schulz sempre me foi muito familiar, acompanho a “Turma do Minduim” nos quadrinhos e nas animações há muitos anos.

Dessa vez acompanhei Charlie Brown e Snoopy em uma sala XD Extreme Digital Cinema na versão dublada e em 3D. Já no início da projeção, quando somos presenteados com Schoroeder tocando o tema da FOX, é possível perceber o tom do filme que estamos prestes a assistir. A cena inicial introduz bem todos os personagens, suas características e personalidades, com direito até a árvore comedora de pipas. Aliás, o design dos personagens e do filme em geral chama muita atenção. Seja por ser extremamente respeito com os traços de Charles Schulz ou pelas belas texturas e/ou materiais criados. Na introdução também é possível perceber que o tom de humor no filme remete ao utilizado nas tiras e nos desenhos animados. Na verdade, muitas piadas das tiras e das animações anteriores como “O Natal do Charlie Brown” e “Charlie Brown e o Dia de Ação de Graças” são repetidas sem nenhuma alteração. O objetivo do filme é claro, introduzir os personagens de Charles para uma nova geração.

O 3D do filme funciona e é bem utilizado. Em várias cenas ele é bem sucedido em trazer profundidade para os cenários. Em um momento específico o 3D é importante para mostrar como Charlie Brown, abandonado no parque em um banco com sua pipa, se sente sozinho e pequeno no mundo. O estilo de animação também chama atenção, em diversos momentos o longa abandona seu design original. Quando nosso querido Minduim relembra seus fracassos do passado, temos uma animação em 2D nos traços de Schulz, nas cenas com Snoopy piloto e seus combates aéreos a animação fica mais “realista” e em alguns momentos temos até animação de recorte. Brincar com a forma, cor e estilo com uma função narrativa dentro do longa é, na minha opinião, uma decisão acertada da equipe, deixa o filme mais interessante e empolgante.

Como nas tiras e nas animações anteriores os planos seguem a linha visual das crianças, e como de costume não podemos compreender, nem ver, os adultos o que deixa claro que estamos de fato no mundo de Charlie, Lucy, Shroeder, Marcie, Patty Pimentinha, Linus, Sally e Chiqueirinho. Muito planos e enquadramentos parecem ter sido retirados de quadrinhos e desenhos de Charles M. Schulz o que acaba se confirmando no momento final do filme e durante seus créditos. É legal perceber como a animação se esforça para nos colocar juntos com aquelas crianças, quando inicialmente não vemos direito o rosto de determinado personagem e gradualmente passamos a ver é uma referência direta com o que vive o personagem protagonista que no início da história mal consegue encarar o outro personagem mas vai conseguindo superar seus medos com o decorrer do filme. A trama apresenta duas histórias, a de Charlie Brown apaixonado pela garotinha ruiva e a de Snoopy e Woodstock e sua disputa aérea contra o temível Barão Vermelho. As histórias são contadas em paralelo, e é bacana notar como se relacionam e se completam.

Uma história interessante e cativante, respeitosa e cuidadosa com o trabalho de Schulz. Apesar de não ousar com os personagens e nem trazer muitas inovações, como fã, fiquei satisfeito com o trabalho da Blue Sky e mais uma vez me diverti e me encantei com a Turma do Minduim. Acho que todos deveríamos nos inspirar em Charlie Brown, que nunca desiste mesmo falhando miseravelmente diversas vezes em frente a sua turma. E não há outra maneira de finalizar esse texto senão com um sonoro: Que puxa!

Obs. Temos cenas durante os créditos e uma pequena e não muito importante no final dos créditos.

Obs.2 Com certeza “I feel better when I’m dancing”.

 

Nota do Sunça: nota3_suncanocinema_fantasticomundodesunca

Últimas críticas:

Últimos textos:


https://jizzrain.com/cats/81/