Sunça no Streaming – Um Príncipe em Nova York 2 – Amazon Prime Video (2021)

Em Um Príncipe em Nova York 2, no luxuoso país da realeza de Zamunda, o recém-coroado Rei Akeem (Eddie Murphy) descobre que tem um filho que ele não conhece e que pode ser herdeiro do trono — apesar do nobre já uma filha preparada para assumir o governo. Na produção do Amazon Prime Video, Akeem e seu confidente Semmi (Arsenio Hall) embarcam em uma hilária jornada que os levará ao redor do mundo: de sua grande nação africana, de volta ao Queens, bairro de Nova York.

110 min – 2021 – EUA

Dirigido por Craig Brewer. Roteirizado por David Sheffield, Kenya Barris, Justin Kanew e Barry W. Blaustein. Com Eddie Murphy, Arsenio Hall, Paul Bates, James Earl Jones, Jermaine Fowler, Leslie Jones, John Amos, Shari Headley, Tracy Morgan, Louie Anderson, KiKi Layne, Wesley Snipes, Teyana Taylor, Nomzamo Mbatha, Clint Smith, Bella Murphy, Vanessa Bell Calloway, Morgan Freeman, Luenell, Trevor Noah, Rotimi, Akiley Love.

Em 1988 “Um Príncipe em Nova York” confrontou a imagem estereotipada da África em Hollywood e destacou um elenco negro em um filme de sucesso no mundo. O clássico, que tem alguns elementos e piadas misóginas, apresentou o príncipe de um reino africano fictício (Zamunda) que viaja para o Queens em busca de uma esposa. Traz à tona uma crítica sobre classes sociais e como elas afetam as nossas relações. Eddie Murphy deu vida ao príncipe Akeem que desafiou seu pai e a tradição de sua sociedade que lhe impunha um casamento. Em 2021 Murphy retorna ao papel em “Um Príncipe em Nova York 2” que falha em trazer a mistura de crítica, humor pastelão e drama do original. 

Trinta e três anos se passaram e Akeem continua casado com Lisa McDowell (Shari Headley) com quem teve três filhas. Após a morte de seu pai o Rei Jaffe Joffer (James Earl Jones) o príncipe e seu companheiro Semmi (Arsenio Hall) têm que retornar a América em busca de seu filho bastardo que vive no Queens. Akeem e seu filho, o jovem Lavelle (Jermaine Fowler), retornam para Zamunda e Lavelle tem de aprender a ser rei enquanto lida com as diferenças e com os costumes do reino. 

A trama nos propõe três arcos narrativos. A pouco inspirada e pouco engraçada empreitada do filho bastardo se tornando rei. Em segundo a ideia de que os anos, o dinheiro e o estilo de vida mudaram Akeem. Ele não é mais o jovem combativo aos antigos costumes e aberto a novas experiências e  novas visões de mundo que conhecemos no primeiro filme. Ainda nesse arco, vemos como o ex-príncipe e agora rei, lida com o engraçado e divertido General Izzi (Wesley Snipes) que pretende forçar um casamento político. A terceira é menos explorada e é a mais interessante de todas. A busca de reconhecimento da filha primogênita de Akeem. Meeka (Kiki Layne) demonstra querer quebrar as tradições machistas do reino e ser a sucessora ao trono. Afinal, em 2021 recuperar um filho bastardo para assumir seu lugar não é uma ideia que agrada as filhas e a esposa do rei. Os arcos são apressados e não são bem construídos. Em sua maioria funcionam como uma sequência de esquetes e piadas soltas intervaladas por sequências musicais.  

Lavelle é um jovem esperto e descontraído criado nas ruas do Queens que agora têm de lidar com uma vida de luxo Zamunda. O que é uma inversão do original onde o mimado e inocente Akeem enfrenta uma Nova York caótica e uma sociedade cruel. Uma inversão promissora e mal aproveitada, que nasce de uma sequência terrivelmente apressada e forçada. Onde presenciamos como o bastardo teria sido gerado anos atrás. Um problema ao assistir hoje o filme anterior são as piadas misóginas, a exposição da figura feminina e a voz das mulheres. Nisso o longa atual se sai melhor dando espaço ao empoderamento feminino (Ainda que pouco) e subvertendo algumas piadas do original. Mas falha apostando em chacotas datadas e contestáveis com por exemplo uma cena que envolve sexo não consentido.  

O design de produção e de figurino são muito bons, não ignoram o trabalho feito anteriormente e trazem também elementos e aspectos contemporâneos. O que pode ser comprovado na sequência inicial e no ótimo funeral do Rei Jaffe Joffer, o melhor momento do filme. “Um Príncipe em Nova York 2” traz um elenco pouco inspirado em um texto fraco e com uma direção no automático. Falha na construção de seus personagens e no desenvolvimento de seus arcos narrativos e exagera em cenas de propaganda e merchandising. Uma homenagem que não consegue evocar a nostalgia e que tenta forçá-la colocando em tela trechos e cenas do filme anterior. 

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Sunça no Cinema – Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2004)

Em Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, Ed Bloom (Albert Finney) é um grande contador de histórias. A diversão predileta de Ed, já velho, é contar sobre as aventuras que viveu quando deu a volta ao mundo, mais jovem, mesclando realidade com fantasia. As histórias fascinam todos que as ouvem, com exceção de Will (Billy Crudup), filho de Ed. Até que Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar pai e filho, o que faz com que Ed enfim tenha que separar a ficção da realidade de suas histórias.

125 min – 2004 – EUA

Dirigido por Tim Burton. Roteirizado por John August (Baseado no livro de Daniel Wallace). Com Ewan McGregor, Albert Finney, Billy Crudup, Jessica Lange, Alisson Lohman, Helena Bonham Carter, Robert Guillaume, Matthew McGrory, Marion Cotillard, Danny DeVito, Steve Buscemi.

Sou um contador de histórias. Não perco a oportunidade de relembrar minhas desventuras infantis e juvenis. Algo que acontece, quase sempre, de forma involuntária. Um comportamento cada vez mais constante na medida em que minha idade avança. É comum me ver compartilhando histórias e “fatos” fantásticos e mirabolantes que protagonizei ao longo de minha vida. Com um pé na realidade, ou não, cada um desses “causos” narra um pouco de quem sou. Edward Bloom, o protagonista de “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, também é um contador de histórias. Talvez o maior e melhor deles. Em suas narrativas ótimas, presenciamos estranhas situações e as figuras inusitadas que ele conheceu.   

O roteiro de John August, baseado no livro de Daniel Wallace, nos apresenta Will Bloom (Billy Crudup) que é recém casado com Josephine (Marion Cotillard) e prestes a se tornar pai. Ele é filho de Edward Bloom (Albert Finney) e é ressentido com o pai, uma vez que acha que não o conhece. Will considera mentiras as histórias maravilhosas dele. Sem perceber a real importância daqueles contos ele acredita não ter uma ideia clara de quem o pai realmente é. Will acha que o relacionamento conturbado deles o torna incapacitado para ter um bom relacionamento com seu filho que está prestes a nascer.  Edward é um bon vivant, conhece todos e agrada a todos. Seus relatos encantam e fascinam. Ele é bom no que faz, não é uma coincidência que a primeira lembrança que o longa nos mostra é justamente um “causo de pescador”. É nessa combinação de uma história humana e um universo fantástico que vamos conhecendo Edward Bloom.   

As narrativas e vivências do protagonista são experiências fantásticas. Interpretado por Ewan McGregor em sua versão jovem, Edward descreve cada fato com encanto e fascínio. Quando conhece sua futura esposa Sandra Bloom (Jessica Lange/Alisson Lohman), seu grande amor, o tempo para literalmente em uma linda sequência. Em sua vida ele se envolve com gigantes, bruxas, gêmeas siameses e bagres enormes. Edward foi uma figura grande demais para nosso mundo e para sua própria existência. Em um belo paralelo, construído pelo filme, percebemos que esse “peixe grande” não cabe em seu “aquário”. Quando se vê próximo ao fim, ele teme secar. E o que mais lhe aflige é a impossibilidade de se movimentar e continuar a viver novas histórias. 

Ao longo da trama Will parece perceber que ele não deve ressentir as histórias do pai. Quando as julga como mentiras, ele deixa de lado o aspecto mais importante delas. Querer conhecer o verdadeiro Edward Bloom é ignorar que nossas memórias e percepções nos definem. Os relatos dos fatos de toda uma vida, fantasiosos ou não, nos mostram suas vontades, seus objetivos, sua forma de pensar e de ver o mundo.  Sabemos como é a personalidade de Edward. As “Histórias Maravilhosas” do título não escondem como é o verdadeiro protagonista, e sim, o definem como ele realmente é.

É participando desse mundo fantasioso, cheio de viva e apaixonante que seguimos na narrativa do filme. A fotografia de Philippe Rousselot cria um universo inventivo e deslumbrante, cada sequência recebe o tratamento adequado. E são várias, terror, humor, suspense, estranhamento, romance, dentre outras. O diretor Tim Burton sabe conduzir muito bem a história por todos esses cenários. Ewan McGregor apresenta o protagonista sempre sorrindo e autoconfiante. Uma ótima escolha e caracterização. Albert Finney demonstra como o fim da vida e a impossibilidade de viver novas aventuras incomodam Edward. Alison Lohman, a versão jovem de Sandra e Jessica Lange, a versão mais madura. São pouco exploradas na obra e se resumem ao grande amor do protagonista.

Por mais egocêntrico que o protagonista de “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” seja, ele nunca se esqueceu de que os acontecimentos literais de sua vida pouco importam. Suas narrativas fantasiosas traduzem a realidade de uma forma bonita, cativante e interessante. As histórias são poderosas, dizem verdades e mudam as nossas vidas.

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Sunça no Streaming – Power – Netflix (2020)

Em Power, a notícia de que uma nova pílula capaz de liberar superpotências para cada um que a experimentar começa a se espalhar nas ruas de Nova Orleans. Poderes como pele à prova de balas, super força e invisibilidade apareceram em usuários, porém, é impossível saber o vai realmente acontecer até tomá-la. Mas tudo muda quando a pílula acaba aumentando o crime na cidade, fazendo com que o policial local (Joseph Gordon-Levitt) se una a um traficante adolescente (Dominique Fishback) e um ex-soldado com sede de vingança (Jamie Foxx) para combater o poder com poder, chegando na origem da pílula.

111 min – 2020 – EUA

Dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman. Roteirizado por Mattson Tomlin. Com Jamie Foxx, Joseph Gordon-Levitt, Dominique Fishback, Rodrigo Santoro, Courtney B. Vance, Amy Landecker, Colson Baker, Tait Fletcher, Allen Maldonado, Andrene Ward-Hammond, Kyanna Simone Simpson, C.J. LeBlanc, CG Lewis, Joseph Poliquin, Jazzy De Lisser.

“Power” é a tentativa da plataforma Netflix de entrar no lucrativo gênero de filmes de super-herói. O novo longa da produtora, mistura elementos do cinema policial com reflexões raciais e violência gore em um universo de herói. A premissa é boa e promete subverter o gênero dos super humanos. O que não acontece. A trama sobre corrupção, traficantes, policiais honestos e corruptos se perde em um roteiro fraco que apela para os caminhos mais comuns presentes no gênero. Funciona como um bom filme de ação, ainda que algumas sequências sejam confusas e mal planejadas. Os efeitos especiais têm qualidade e o longa apresenta uma estética visual muito bonita. É um elenco de peso Dominique Fishback,  Jamie Foxx, Joseph Gordon-Levitt e Rodrigo Santoro. Todos se esforçam, e tentam tirar o máximo de seus personagens unidimensionais. 

Em “Power “ os diretores Henry Joost e Ariel Schulman apresentam a cidade de Nova Orleans em um futuro próximo. Um traficante conhecido como Biggie (Rodrigo Santoro) surge com uma droga experimental que dá super poderes à seus usuários. Cada um reage a droga de uma forma diferente e durante o tempo de cinco minutos ganha um poder especial. A droga causa interesse nos cidadãos e nos criminosos que a utilizam para auxiliar em atividades ilegais. Acompanhamos três personagens, Frank (Joseph Gordon-Levitt) um policial que usa a droga para combater os bandidos super poderosos. Ele é amigo de Robin (Dominique Fishback), uma adolescente que entra para o tráfico para conseguir pagar o tratamento da mãe, enquanto sonha em se tornar rapper. E Art (Jamie Foxx) um ex-soldado, que está atrás do criador da substância para encontrar a sua filha sequestrada. Os personagens não possuem arcos narrativos e essa apresentação é tudo o que é apresentado sobre eles. Os protagonistas nem mesmo têm um sobrenome. Seria bom o brasileiro Rodrigo Santoro rever seus projetos. Além de dar vida a mais um vilão unidimensional e caricato, o próprio filme parece não se importar com ele. A produção cria uma escalada para o “chefão” que poderia ser uma grande ameaça ao final da projeção. Mas no decorrer da trama descarta o personagem com uma facilidade incrível e parte para um novo vilão que ainda não tinha sido apresentado.   

  O roteirista Mattson Tomlin sabe aproveitar bem a droga e seus efeitos aleatórios. Utiliza a imprevisibilidade das pílulas e seu efeito de curta duração para criar a sensação de urgência e ansiedade no espectador. É um texto criativo, mas que em momentos chave opta pelo caminho mais fácil e, portanto, o mais previsível. O relacionamento entre os personagens é um ponto forte que causa empatia e nos faz acreditar que eles realmente se importam uns com os outros e com o que estão fazendo em tela. Ainda que seja a maior fraqueza da obra o roteiro rende boas sequências, como por exemplo quando Art persegue o homem em chamas, quando Frank corre atrás do homem invisível e as cenas de ação do clímax final.  Nesses momentos temos um bom trabalho da dupla de diretores que usa o movimento de câmera e efeitos especiais para construir uma ação dinâmica e empolgante.    

O longa tenta trazer reflexões políticas e raciais. Frank menciona o Katrina e critica a atuação das autoridades. Art conversa com Robin sobre poderes e reflete sobre a sociedade e os problemas raciais. Faz uma colocação sobre os grupos minoritários e como devem ser fortes e encontrar sua habilidade para sobreviver. Mas para por aí e não se aprofunda nessas interessantes e relevantes discussões. Robin é a protagonista que nos representa no filme, uma garota negra de uma parcela marginalizada da sociedade. Essa opção merece destaque, é certamente um ponto forte da trama. Positivo também, é a piada da personagem ser uma “ajudante”, usar as cores vermelho, amarelo e verde e se chamar Robin. É uma pena que o filme precise evidenciar isso em seus diálogos.

“Power” têm uma montagem elétrica com uma trilha empolgante e uma fotografia linda. Mas toda essa estilização não é usada em prol da narrativa, não ajuda no desenvolvimento dos personagens e nem mesmo no impacto das sequências de ação. Acaba sendo só um espetáculo visual lindo, que logo vai ser esquecido. A tendência das recentes produções da Netflix de sempre tentar forçar uma continuação, também não ajuda.

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Sunça no Cinema – Planeta dos macacos: A Guerra (2017)

Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

140 min – 2017 – EUA

Dirigido por Matt Reeves e roteirizado por Matt Reeves e Mark Bamback. Com Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Terry Notary, Amiah Miller, Judy Creer, Michael Adamthwaite, Aleks Paunovic, Ty Olsson e Devyn Dalton.

Texto originalmente publicado no site Cinema e Cerveja.

Em 2011, sob a direção de Rupert Wyatt, fomos apresentados ao César. “Planeta dos Macacos: A Origem” nos mostrou a relação de afeto de Will Rodman (James Franco) com o protagonista, entendemos o motivo de seu carinho pelos humanos e acompanhamos sua emancipação. Já em 2014 o “Planeta dos Macacos: O Confronto” demonstrou que a convivência pacífica entre as espécies não era algo viável, apesar dos esforços de Malcolm (Jason Clarke). A oposição entre Macacos e humanos se fez obrigatória. E agora o diretor Matt Reeves, que também dirigiu “O Confronto” nos coloca na visão de César e transforma os humanos em vilões. Em uma guerra política e ideológica.

Em “Planeta dos macacos: A Guerra” não acompanhamos uma batalha de fato. É um embate político-filosófico. A cena de abertura é impactante, acompanhamos soldados invadindo o território dos macacos, o objetivo é claro extermínio e dominação dos símios. Na trama o Coronel (Woody Harrelson) e seu grupo militar caçam César (Andy Serkis) e sua tribo, além de perseguir humanos contaminados. Em um dos ataques César sofre consequências trágicas e entra em uma trilha de vingança. O protagonista então fica dividido entre sua vingança pessoal e a segurança de seu bando. O Coronel e seu grupo militar remetem aos nazistas, grupos extremistas, e líderes atuais que perseguem e demonizam determinado grupo oprimido. Harrelson lembra muito o personagem de Marlon Brando em “Apocalypse Now”, é um líder carismático, insano e intolerante com ideias extremas. É uma crítica a nossa sociedade atual (E não é atoa que o Coronel tem como objetivo a construção de um muro).

Não é só Woody Harrelson que faz um bom trabalho, o César de Andy Serkis impressiona. Cada olhar e cada reação demonstra os sentimentos do personagem. É uma ótima performance de Serkis e demonstra bem como a tecnologia de captura de movimento evoluiu de 2011 até hoje. Steve Zahn encarna o Macaco Mau e é o alívio cômico da narrativa. Vale ressaltar que o próprio nome do símio é uma alfinetada. Amiah Miller é a humana Nova que representa fisicamente e possibilidade de um futuro otimista e a humanidade dos humanos.

O visual do longa impressiona. A fotografia de Michael Seresin é opaca, deixa o mundo mais intimista e sombrio. Representa bem a falta de esperança que os personagens estão passando, é nítido durante o filme que a fé na humanidade acabou. Reeves faz um ótimo trabalho, ele apresenta um blockbuster de guerra que na verdade é um drama humano. É uma narrativa filosófica com ritmo constante e foco nos detalhes. É também uma jornada interior de César, que cresce e amadurece em sua busca por vingança. Na verdade não temos uma guerra, o que acompanhamos é a busca pela sobrevivência.

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Sunça no Cinema – Passageiros (2016)

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Durante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são despertados 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento de suas cabines. Sozinhos, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) começam a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo.

117 min – 2016 – EUA

Dirigido por Morten Tyldum, roteirizado por Jon Spaihts. Com Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Laurence Fishburne e Michael Sheen.

Jennifer Lawrence e Chris Pratt fazem seu trabalho e conseguem guiar uma fraca trama até um desfecho esperado e covarde. Mas ainda assim, “Passageiros” começa bem. De início somos apresentados a novas e boas ideias, conceitos de ficção científica interessantes e um visual original. É uma pena que com o decorrer da narrativa isso vai se perdendo, na verdade, é deixado de lado para priorizar um romance sexista e previsível entre os protagonistas.

Uma nave transporta milhares de passageiros para uma colônia distante. Dois passageiros são despertados 90 anos antes do tempo programado e se encontram em uma nave prestes a “naufragar”. Em meio a decisões conturbadas e atalhos de roteiro temos uma ficção científica que se transforma em uma história de amor.

Em um naufrágio um pequeno problema gera outro um pouco maior e assim por diante, dessa forma, a trajetória dos protagonistas em uma nave prestes a sucumbir, cria tensão, suspense e nos cativa. No início do filme Pratt encarna muito bem um náufrago espacial entregando um dos melhores momentos do longa. A dificuldade de se viver sozinho é desenvolvida em um ritmo cadenciado, conta passagens de tempo elegantes utilizando elementos como a barba do protagonista e a quantidade de equipamentos em determinada cena. O primeiro ato termina com uma difícil e controversa decisão de Jim (Chris Pratt). “Passageiros” então resolve se tornar um romance machista e explora a conturbada decisão de seu protagonista da maneira menos criativa, mais clichê e nos guiando para um desfecho comum e covarde. E nem o próprio filme parece acreditar no relacionamento entre Jim e Aurora, uma vez que na tentativa de fazer Aurora (Na verdade, os espectadores) aceitar a perturbada decisão de Jim a coloca assistindo vídeos passados com conselhos amorosos de suas amigas. Jennifer Lawrence é competente e deixa Aurora carismática, sexy e expressiva. Já a participação de Laurence Fishburne é apenas um momento preguiçoso do roteiro, o famoso: Aparece, ensina/possibilita a resolução dos principais problemas dos protagonistas e vai embora.

“Passageiros” têm boas ideias trabalha bem com alguns conceitos da ficção científica, vale um destaque para todas as passagens onde a falta de gravidade é explorada, e rende sequências bonitas e estilosas (A passagem por um sol, os “passeios” pelo espaço, são bons exemplos). Uma dupla protagonista carismática que conduz a trama, mas em um filme que prefere desperdiçar tudo isso em prol de uma resolução mais palatável que agrade a todos os públicos.  

Nota do Sunça:

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Sunça no Cinema – Pets – A Vida Secreta dos Bichos (2016)

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Max é um cachorro que mora em um apartamento de Manhattan. Quando sua querida dona traz para casa um novo cão chamado Duke, Max não gosta nada, já que seus privilégios parecem ter acabado. Mas logo eles vão ter que pôr as divergências de lado quando um incidente coloca os dois na mira da carrocinha. Enquanto tentam fugir, os animais da vizinhança se reúnem para o resgate e uma gangue de bichos que moram nos esgotos se mete no caminho da dupla.

87 min – 2016 – EUA

Dirigidor por Chris Renaud, roteirizado por Cinco Paul e Ken Daurio. Com Louis C.K., Eric Stonestreet, Kevin Hart, Jenny Slate, Ellie Kemper, Albert Brooks, Lake Bell, Dana Carvey, Hannibal Buress, Bobby Moynihan, Chris Reynaud, Steve Coogan, Michael Beattie, Sandra Echeverría, Jaime Camil, Kiely Renaud.

Dublado no Brasil por Danton Mello, Tatá Werneck, Tiago Abravanel, Luís Miranda, Leonardo Santhos, Eduardo Dascar, Marcelo Garcia, Miriam Ficher e Aline Ghezzi

Claramente influenciado por Toy Story, Pets – A Vida Secreta dos Bichos, parte de uma premissa interessante, mostrar o que fazem os animais de estimação quando seus donos não estão em casa. Dirigido por Chris Renaud, também responsável por Meu Malvado Favorito e Minions, inicialmente o filme impressiona com bonitas panorâmicas de Manhattan, ele conta com um ótimo desenho de produção e com uma animação de qualidade característica da Illumination Entertainment.  Mas infelizmente o filme logo desiste de sua premissa e ao invés de situações interessantes e inusitadas com os bichinhos em suas casas, partimos para uma aventura exagerada com situações comuns sem relação com a temática inicial.

No filme acompanhamos Max (Danton Mello), um cachorro que mora em um apartamento de Manhattan. Ele têm um feliz relacionamento com sua dona a Katie (Aline Ghezzi), em suas próprias palavras, “Eles dividem um ap.” Mas tudo muda quando um dia sua dona traz para casa um novo cão chamado Duke (Tiago Abravanel). De início Max e Duke não se dão bem, mas logo eles têm que pôr as divergências de lado devido a um incidente que os coloca em uma carrocinha e mas tarde de frente a uma gangue de bichos que odeia os humanos e moram nos esgotos. Enquanto isso os animais da vizinhança se reúnem para o resgate da dupla. Uma trama bastante semelhante a aventura de Buzz e Woody.

Se a falta de carisma dos protagonistas é um problema, falta empatia com o espectador, os personagens coadjuvantes roubam a cena. Alias, isso parece ser uma especialidade da Illumination Entertainment vide os  Minions que roubam a cena em Meu Malvado Favorito. Eles fizeram tanto sucesso que aqui em Pets, também se fazem presentes, antes do longa estão em um curta que é apresentado, fazem interferências no logo da empresa e até “aparecem” no final da trama. Mas o destaque fica para Gigi (Tatá Werneck) e para o vilão do longa o coelho Bola de Neve (Luis Miranda), o velho basset hound “veiaco nos esquemas” também nos fornece algumas risadas. Vale um destaque também para todas as interações entre Gigi e o gavião Tiberius (Leonardo Santhos).

É uma pena que o longa abandone sua premissa e adentre uma trama genérica e confusa, que te faz questionar o quanto é “secreta” a vida dos bichos, uma vez a partir de determinado momento do roteiro suas ações passam a afetar diretamente os humanos e a cidade de uma forma bem exagerada. Com uma ajuda do roteiro os humanos parecem estar sempre atrasados aos acontecimentos, exceto é claro, quando não presenciam os animais e suas vidas nem tão ocultas assim. Com um mundo bonito e colorido, cenas que rendem boas risadas, sequências em uma festa, tudo o que se passa no terraço, o “Reino da salsicha” e a turma do esgoto são méritos do filme, mas é nas cenas em que realmente vemos como é a vida dos bichos, sem os donos em suas respectivas casas, que Pets – A Vida Secreta dos Bichos têm seus melhores momentos. Uma pena o filme não saber explorar melhor sua boa ideia inicial e ponto fundamental de sua desperdiçada premissa.

Obs. Na cabine de imprensa foi exibida um cena durante os créditos.

Nota do Sunça:

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Sunça no Cinema – Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, O Filme (2016)

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Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e todo o resto da amada turma do Snoopy, chegam aos cinemas de uma forma como nunca foram vistos antes: em animação 3D! Snoopy, o beagle mais amado do mundo – e claro, o melhor piloto – embarca em sua maior missão até hoje, alcançando o céu atrás de seu arqui-inimigo, o Barão Vermelho, enquanto seu melhor amigo, Charlie Brown, inicia a sua própria jornada épica. Da imaginação de Charles M. Schulz e dos criadores da saga A Era do Gelo, Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, O Filme vai provar que todo azarado tem seu dia de sorte.

88min – 2016 – EUA

Dirigido por Steve Martino. Com roteiro de Bryan Schulz, Craig Schulz, Cornelius Uliano e Charles M. Schulz (Autor da obra original). Com Noah Schnapp, Bill Melendez, Hadley Belle Miller, Mariel Sheets, Anastasia Bredikhina, Noah Johnston, Rebecca Bloom, Mar Mar, William Wunsch, Francesca Capaldi, Venus Schultheis, Madisyn Shipman, A.J. Tecce e Alexander Garfin. 

 

É comum ver quadrinistas citando nomes como Bill Watterson, Hergé e Charles M. Schulz (dentre outros) quando conversam sobre suas referências e inspirações. Especialmente se trabalham com tiras e/ou quadrinhos de humor, o que é o meu caso. Logo, o trabalho de Schulz sempre me foi muito familiar, acompanho a “Turma do Minduim” nos quadrinhos e nas animações há muitos anos.

Dessa vez acompanhei Charlie Brown e Snoopy em uma sala XD Extreme Digital Cinema na versão dublada e em 3D. Já no início da projeção, quando somos presenteados com Schoroeder tocando o tema da FOX, é possível perceber o tom do filme que estamos prestes a assistir. A cena inicial introduz bem todos os personagens, suas características e personalidades, com direito até a árvore comedora de pipas. Aliás, o design dos personagens e do filme em geral chama muita atenção. Seja por ser extremamente respeito com os traços de Charles Schulz ou pelas belas texturas e/ou materiais criados. Na introdução também é possível perceber que o tom de humor no filme remete ao utilizado nas tiras e nos desenhos animados. Na verdade, muitas piadas das tiras e das animações anteriores como “O Natal do Charlie Brown” e “Charlie Brown e o Dia de Ação de Graças” são repetidas sem nenhuma alteração. O objetivo do filme é claro, introduzir os personagens de Charles para uma nova geração.

O 3D do filme funciona e é bem utilizado. Em várias cenas ele é bem sucedido em trazer profundidade para os cenários. Em um momento específico o 3D é importante para mostrar como Charlie Brown, abandonado no parque em um banco com sua pipa, se sente sozinho e pequeno no mundo. O estilo de animação também chama atenção, em diversos momentos o longa abandona seu design original. Quando nosso querido Minduim relembra seus fracassos do passado, temos uma animação em 2D nos traços de Schulz, nas cenas com Snoopy piloto e seus combates aéreos a animação fica mais “realista” e em alguns momentos temos até animação de recorte. Brincar com a forma, cor e estilo com uma função narrativa dentro do longa é, na minha opinião, uma decisão acertada da equipe, deixa o filme mais interessante e empolgante.

Como nas tiras e nas animações anteriores os planos seguem a linha visual das crianças, e como de costume não podemos compreender, nem ver, os adultos o que deixa claro que estamos de fato no mundo de Charlie, Lucy, Shroeder, Marcie, Patty Pimentinha, Linus, Sally e Chiqueirinho. Muito planos e enquadramentos parecem ter sido retirados de quadrinhos e desenhos de Charles M. Schulz o que acaba se confirmando no momento final do filme e durante seus créditos. É legal perceber como a animação se esforça para nos colocar juntos com aquelas crianças, quando inicialmente não vemos direito o rosto de determinado personagem e gradualmente passamos a ver é uma referência direta com o que vive o personagem protagonista que no início da história mal consegue encarar o outro personagem mas vai conseguindo superar seus medos com o decorrer do filme. A trama apresenta duas histórias, a de Charlie Brown apaixonado pela garotinha ruiva e a de Snoopy e Woodstock e sua disputa aérea contra o temível Barão Vermelho. As histórias são contadas em paralelo, e é bacana notar como se relacionam e se completam.

Uma história interessante e cativante, respeitosa e cuidadosa com o trabalho de Schulz. Apesar de não ousar com os personagens e nem trazer muitas inovações, como fã, fiquei satisfeito com o trabalho da Blue Sky e mais uma vez me diverti e me encantei com a Turma do Minduim. Acho que todos deveríamos nos inspirar em Charlie Brown, que nunca desiste mesmo falhando miseravelmente diversas vezes em frente a sua turma. E não há outra maneira de finalizar esse texto senão com um sonoro: Que puxa!

Obs. Temos cenas durante os créditos e uma pequena e não muito importante no final dos créditos.

Obs.2 Com certeza “I feel better when I’m dancing”.

 

Nota do Sunça: nota3_suncanocinema_fantasticomundodesunca

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