Sunça no Cinema – Jungle Cruise (2021)

Jungle Cruise gira ao redor do malandro e brincalhão Frank Wolff (Dwayne Johnson), capitão do barco La Guilla. Ele é contratado pela Dra. Lily Houghton (Emily Blunt) e seu irmão McGregor (Jack Whitehall) para levá-los em uma missão pelas densas florestas amazônicas com a intenção de encontrar uma misteriosa árvore com poderes de cura que poderá mudar para sempre o futuro da medicina. No caminho, eles viverão inúmeros perigos, enfrentando animais selvagens e até mesmo forças sobrenaturais.Homem de Lata (Jack Haley) que anseia por um coração e um Leão covarde (Bert Lahr) que precisa de coragem. Será que o Mágico de Oz conseguirá ajudar todos eles?

127 min – 2021 – EUA

Dirigido por Jaume Collet-Serra e roteirizado por Michael Green, Glenn Ficarra, John Requa, John Norville e Josh Goldstein. Com Dwayne Johnson, Emily Blunt, Édgar Ramírez, Jack Whitehall, Jesse Plemons, Paul Giamatti, Veronica Falcón, Dani Rovira, Quim Gutiérrez, Andy Nyman.

“Jungle Cruise” é a nova tentativa da Disney de produzir uma franquia no estilo “Piratas do Caribe”. Ambas iniciativas foram criadas a partir de uma atração do parque que teve seus elementos expandidos e, ao seu redor, foi criado um universo mágico. A sequência está garantida pelo estúdio e a nova série foca na ação e aventura, com o enredo sobre caçadores de artefatos perdidos. Inspirado em clássicos como  “Tudo por Uma Esmeralda”, “Uma Aventura na África”, “A Joia do Nilo” e “As Minas do Rei Salomão”. A obra se constrói sobre um trio de protagonistas com a dinâmica de “A Múmia”, um vilão alemão estilo nazista que também está atrás do objeto em questão. Assim como em “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida”. Tudo isso em um mundo mágico cheio de lendas, mistérios e inimigos amaldiçoados. Seguindo o caminho de “Piratas do Caribe”. 

Lembrar e se inspirar em filmes do gênero não é necessariamente algo ruim, mas pode soar repetitivo e cansativo. Dito isso, “Jungle Cruise” começa bem, dedicando sequências de apresentação a cada um de seus personagens, desenvolvendo suas personalidades e colocando o trio protagonista junto para assim iniciar a jornada.  No início somos surpreendidos com o cenário onde tudo vai acontecer, a Amazônia. Quando chegamos na cidade de Porto Velho em Rondônia, percebemos como é pobre a representação brasileira no filme. A caracterização do Brasil se dá através de menções a dengue e a anaconda, nossa cultura e costumes não são representados. A imagem do indigena é estereotipada e a falta de cuidado é tamanha que fica sugerido que no Brasil se fala espanhol. Vale notar que, para a obra, a cento e cinco anos atrás a moeda brasileira era o Real. Os roteiristas sequer imaginaram que nestes anos todos poderíamos ter mudado de papel-moeda. Essa falta de pesquisa histórica empobrece o filme e na prática o que temos é uma aventura genérica que poderia se passar em qualquer rio próximo a uma floresta.   

Frank (Dwayne Johnson) é um capitão de barco que sobrevive tirando proveito dos turistas. O ano é 1916 e a cidade de Porto Velho também atrai gananciosos que buscam se enriquecer com lendas. A Doutora Lily Houghton (Emily Blunt) e seu irmão MacGregor Houghton (Jack Whitehall) chegam na Amazônia em busca de uma árvore, que segundo a lenda, as pétalas podem curar todas as doenças. No Brasil Lily contrata Frank para levá-los em busca da lenda. 

Frank é um personagem que não é confiável, mas pede desculpas após trair alguém. Faz piadas de tiozão, ele é o brucutu bonzinho. Um personagem que funciona pelo grande carisma do The Rock. Lily é aventureira e inteligente, uma figura forte e determinada. Porém seu arco dramático se resume a busca pelo item mágico e infelizmente ela perde o protagonismo ao longo da trama. Seu irmão Jack é um personagem interessante e cômico. Ele discretamente assume sua sexualidade em uma conversa com Frank, o que é um marco importante para os filmes família da Disney. Mas o texto do longa o coloca como uma figura frágil, vaidosa e em situações de mal gosto. Uma representação estereotipada que enfraquece o personagem e a importante iniciativa da empresa. Príncipe Joachin (Jesse Plemons) é um protótipo de nazista caricato que busca as pétalas para usar em seu exército e vencer a primeira guerra mundial. O que surpreende nesse personagem é como Jesse consegue “entrar na brincadeira” e construir um personagem eficiente. 

O diretor Jaume Collet-Serra não sabe aproveitar o potencial da ambientação na selva amazônica e do rio Amazonas. São cenários que oferecem muitas possibilidades e pouco foi utilizado. As cenas de luta e ação são bem construídas e misturam o humor com a tensão. Muitas dessas sequências parecem planejadas para evocar a sensação de se estar em uma atração da Disney. No geral é um trabalho de direção padrão. Apesar de um bom primeiro ato que sabe apresentar seus personagens, utilizando suas características em conjunto com os cenários e o encanto da ambientação. Os efeitos especiais não ajudam. Ambientes são bem construídos e passam a ideia de grandiosidade e beleza. Mas o CGI falha em alguns momentos, ficando claro que os atores estão atuando diante de telas verdes e que os animais com os quais interagem não estão lá.  

“Jungle Cruise” é um divertido filme para toda a família. Mas se estabelece como uma produção genérica. A árvore mágica e suas pétalas existem apenas para que várias situações aconteçam, sem ter um impacto maior na trama.  Os vilões amaldiçoados tem pouco tempo de tela e aparecem pontualmente para mover os personagem de um local para o outro. Durante toda a trama existe a construção de um romance que não funciona. São bons personagens em um mundo fantástico passando por aventuras genéricas. É um filme inspirado em vários clássicos mas que se esquece de criar sua própria experiência. 

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Sunça no Cinema – John Wick 3: Parabellum (2019)



Após assassinar o chefe da máfia Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio) no Hotel Continental, John Wick (Keanu Reeves) passa a ser perseguido pelos membros da Alta Cúpula sob a recompensa de U$14 milhões. Agora, ele precisa unir forças com antigos parceiros que o ajudaram no passado enquanto luta por sua sobrevivência.

132 min – 2019 – EUA

Dirigido por Chad Stahelski, roteirizado por Derek Kolstad. Com Keanu Reeves, Halle Berry, Ian McShane, Laurence Fishburne, Anjelica Huston, Saïd Taghmaoui, Mark Dacascos, Lance Reddick, Jerome Flynn, Asia Kate Dillon, Jason Mantzoukas, Boban Marjanović, Robin Lord Taylor, Cecep Arif Rahman, Yayan Ruhian, Arjon Bashiri, Faith Logan, Susan Blommaert, Randall Duk Kim, Margaret Daly.

O terceiro capítulo da saga de John Wick começa logo após o término de seu antecessor. John corre contra o tempo e nós corremos junto, enquanto aos poucos vamos percebendo a gravidade daquela situação. No primeiro filme da série “John Wick: De volta ao jogo” encontramos Wick aposentado de sua vida como assassino. Ele constituiu família e vivia de forma pacata. Porém por mais que um homem queira se esquecer de seu passado e das coisas ruins que ele fez, não há como fugir. Uma vida de violência sempre cobra o seu preço. É um filme de vingança com um protagonista desiludido que um dia foi uma lenda e aos poucos vai retornando a sua boa forma. Em “John Wick: Um novo dia para matar” John já está em forma e vemos o porquê do “bicho papão” ser uma lenda vida. Ambos longas foram muito bem sucedidos em entregar thrillers de ação ágeis com cenas de luta elegantes, violentas e bem trabalhadas. O que também acontece aqui.

E, assim como em seus antecessores, a trama de “John Wick 3 – Parabellum” é simples. Após assassinar o chefe da máfia Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio) no Hotel Continental, Wick (Keanu Reeves) é excommunicado e passa a ser perseguido pelos membros da Alta Cúpula. Sua “cabeça” é colocada a prêmio, no valor de quatorze milhões de dólares. Ele precisa unir forças com antigos parceiros, cobrar antigos favores para lutar por sua sobrevivência. Aprendemos mais sobre o submundo dos assassinos que, surpreendentemente, é burocrático e somos apresentados a estranha e conturbada ética que rege aquelas relações. No terceiro capítulo da série tudo é ampliado e mais exagerado. O que funciona e é bom.

O manuseio das armas, os tiroteios as lutas continuam bem executadas e impressionam. E se já vimos do que John é capaz com um lápis, aqui vamos além, em suas mãos um livro se torna mortal, um cinto é arma de destruição em massa e até um cavalo pode ser uma ferramenta fatal.  O visual de cada sequência e de cada plano é caprichado e planejado. Ao escrever e comentar na Rádio UFMG Educativa sobre o segundo longa me referi a ele como: “Uma apresentação de balé brutal feita para os fãs de filme de ação”. E “Parabellum” logo nos momentos iniciais, traz uma apresentação de balé e uma conversa sobre balé com A Diretora, personagem da Anjelica Huston justamente para fazer esse paralelo. E se ainda restou alguma dúvida sobre a apresentação que estamos presenciando, o que nos prepara e acompanha durante a sequência final de “John Wick 3 – Parabellum” é “As Quatro Estações” de Vivaldi.       

Chad Stahelski retorna na direção e traz sua assinatura presente nos episódios da saga. Sequências realistas, exageradas, violentas, bem humoradas e viscerais. São coreografias perfeitas e lutas inovadoras. Cada detalhe do longa é pensado para mostrar quanto o “bicho papão” é perigoso. Elementos de seu passado surgem, ajudam a trama a caminhar adiante e nos revelam cada vez mais sobre a lenda que é John Wick. O universo do assassino se expande, temos o retorno de personagens importantes como Winston (Ian McShane) o proprietário do Continental Hotel, Charon o recepcionista do hotel (Lance Reddick) e o Rei (Laurence Fishburne). Novas personagens são apresentadas A Juiza (Asia Kate Dillon) e A Diretora (Anjelica Huston) nos ensinam mais sobre a Alta Cúpula e  Sofia (Hale Berry) traz revelações do passado e cenas de ação em Marrocos envolvendo muitos tiros e dois cachorros. Hale Berry protagoniza a melhor piada metalinguística da obra. Keanu Reeves continua em plena forma física, é competente nas cenas de ação, apresentando uma desenvoltura impressionante. Sua dedicação e empenho ao papel são nítidos. E, se nos episódios anteriores o paralelo com um pistoleiro solitário era claro, e aqui também se faz presente, toda uma sequência em uma loja de antiguidades deixa os fãs de faroeste animados e faz uma bela homenagem a “Três Homens em Conflito”. É no paralelo com um ronin que fica o destaque de “Parabellum”. Temos ninjas, samurais e lutas com katanás em cima de motos.

De Winston ouvimos “Si vis pacem, para bellum”, um provérbio em latim que significa “se quer paz, prepare-se pra guerra”.  “Parabellum” surge desse provérbio e cumpre sua promessa. John Wick usa tudo o que sabe e o que têm para sobreviver. É uma guerra contra tudo e contra todos para manter viva a memória do seu amor. “John Wick 3 – Parabellum” é um thriler de ação que expande sua mitologia e deixa portas abertas para um quarto episódio. Que venha mais de John Wick!  

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Sunça no Cinema – Jogador N°1 (2018)

Num futuro distópico, em 2045, Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday (Mark Rylance) morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável. Para vencer, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir.

140 min – 2018 – EUA

Dirigido por Steven Spielberg e roteirizado por Zak Penn e Ernest Cline. Com Tye Sheridan, Lena Waithe, Olívia Cooke, Win Morisaki, Philip Zhao, Mark Rylance, Ben Mendelsohn, Simon Pegg, Mark Rylance e Hannah John-Kamen.  

Nasci na década de oitenta, no ano de 1986 exatamente. E como todo jovem da minha geração, fui extremamente influenciado pela produção cultural oitentista. Seus filmes, séries, música, livros, quadrinhos, games e animações fazem parte da minha construção como pessoa. Logo, uma obra como “Jogador N°1” que têm como um de seus objetivos reverenciar e enaltecer a cultura pop da década de oitenta, já me agrada e encanta de antemão. São tantas referências e easter eggs que afirmo ser impossível perceber todas com apenas uma exibição. O longa é uma experiência nostálgica, uma viagem no tempo onde Steven Spielberg nos transforma em crianças novamente. São duas horas e vinte minutos que passam voando. Assisti ao filme em IMAX 3D e caso seja possível, recomendo assistir nessa versão.

Baseada no livro de Ernest Cline (Que não li) a trama se passa em um futuro apocalíptico no ano de 2045. O mundo é um caos um cenário terrível marcado pela divisão de classes. Isso “obriga” seus residentes a escapar para o OASIS sempre possível. Criado por James Halliday (Mark Rylance) o OASIS é uma realidade virtual onde você pode ser quem ou o que quiser.  Wade Watts (Tye Sheridan) é um jovem morador de um favela que também passa seus dias escapando da realidade nesse mundo virtual na persona de Parzival, seu avatar. É um órfão de dezessete anos que sobrevive nesse contexto. Em suas próprias palavras “O ser humano desistiu de tentar resolver os problemas do mundo e apenas sobrevive”. Wade cresce obcecado por Halliday e se torna um dos maiores especialistas em sua vida pessoal. No ano de 2040 James Halliday morre e deixa pistas (easter eggs) em sua obra. Quem conseguir encontrá-los e finalizar os três desafios se tornaria dono de todo o seu legado. A corporação IOI na figura do CEO Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn) busca vencer o concurso apenas com interesses financeiros nunca se importando com o mundo, as pessoas e o ambiente virtual em si. É nesse contexto que Parzival e seus aliados Aech/Helen (Lena Waithe), Art3mis/Samantha (Olívia Cooke), Toshiro Yoshiaki / Daito (Win Morisaki) e Akihide Karatsu / Shoto (Philip Zhao) lutam pelo futuro de OASIS.

O roteiro de Zak Penn e Ernest Cline (Autor do livro) segue uma estrutura comum, jovem órfão desconhecido e esquecido pelo mundo têm a possibilidade de se tornar um “herói”, salvá-lo e ficar com a garota. Não inova e em diversos momentos se mostra muito expositivo. Mas é bem sucedido em estabelecer paralelos, sutis, sobre a nossa sociedade, o que somos hoje e que caminho tomamos. Hoje, já estamos cada vez mais conectados e menos ligados da realidade. O foco é mesmo a caça ao tesouro, a conquista dos desafios e a compreensão dos enigmas. Uma aventura divertida e despretensiosa no melhor estilo “Os caçadores da Arca Perdida” e “Os Goonies”. E se na trama um grupo de “crianças” luta contra adultos e corporações malvadas, quem melhor do que o diretor de “E.T. – O Extraterrestre” para comandar o projeto (Também diretor de Os caçadores da Arca Perdida e diretamente envolvido na produção de Goonies). Logo no início Spielberg mostra a que veio e o tom de toda a produção. Com um ágil e dinâmico plano sequência, que valoriza os cenários e a direção de arte, nos apresenta o mundo e sociedade em que a história acontece. Uma direção enérgica e criativa, que encanta os espectadores. Tudo isso ao som de hits oitentistas. Van Halen, George Michael, Blondie, Tears for Fears, dentre outros, marcam presença na trilha. “Jump” parece ter sido feita para a abertura em plano sequência mencionada. É neste vigor das aventuras infanto-juvenis de 1980 que “Jogador N°1” tem sua maior força. O cineasta faz que questão de homenagear nomes que, junto consigo, impulsionaram toda essa cultura pop. George Lucas, Robert Zemeckis, Richard Donner, John Hughes, dentre outros. Zemeckis inclusive têm seu nome vinculado a um artefato do “jogo” que tem como função voltar no tempo.

Referências estão em todas as partes. É um dos prazeres do longa procurá-las e encontrá-las. Você vê um Robocop aqui, um Spawn ali, olha, as Tartarugas Ninja! É a granada santa de Monty Python e Worms? Além de cenas que são colírio para os olhos. Quem nunca quis ver o DeLorean em uma corrida que envolve o T-Rex e o King Kong? Ou uma luta com o Gigante de Ferro, Gundam RX-78-2 e o Mechagodzilla? Ou uma imersão em um clássico do terror? E quem não quer ver Chucky de brinquedo assassino? E, para mim, foi um regozijo de prazer todas as vezes em que a nave Serenity de “Firefly” aparecia.

“Jogador N°1” consegue manter o interesse do espectador do início ao fim. É acelerado nas ágeis cenas de ação (Que não são desnecessárias para a trama) e tranquilo nos momentos de desvendar seus enigmas. É divertido e empolgante. Um filme que vai conseguir agradar a todos, até mesmo quem não conseguir perceber as referências. Discute o presente e os rumos da sociedade em uma história futurista que nos transporta para o passado.

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Sunça no Cinema – John Wick: Um novo dia para matar (2017)

O lendário John Wick é forçado a deixar a aposentadoria em função de um criminoso que conspira para tomar o controle de um clã de assassinos internacionais. Por causa de um pacto de sangue, John Wick viaja para Roma com o objetivo de ajudar um velho amigo a derrubar a organização internacional secreta, perigosa e mortal de assassinos procurados em todo o mundo.

123 min – 2017 – EUA

Dirigido por Chad Stahelski, roteirizado por Derek Kolstad. Com Keanu Reeves, Bridget Moynahan, Common, Heidi Moneymaker, Ian McShane, John Leguizamo, Lance Reddick, Laurence Fishburne, Marko Caka, Marmee Cosico, Nancy Cejari, Peter Stormare, Riccardo Scamarcio, Ruby Rose, Thomas Sadoski, Tobias Segal, Toshiko Onizawa.

Eventualmente somos surpreendidos com bons filmes de ação que parecem surgir do nada, um bom exemplo é “Busca Implacável” que consagrou o coroa Liam Neeson no hall dos grandes brucutus do cinema. Podemos dizer o mesmo de “John Wick: De volta ao jogo” que com uma premissa simples e eficiente nos entregou um thriller de vingança esperto e ágil que foi bem sucedido não por uma complexidade na trama, mas sim por suas cenas de ação elegantes e bem trabalhadas. Além de nos presentear com um Keanu Reeves cinquentão, em plena forma física, competente e com uma desenvoltura impressionante. Wick certamente daria um “couro” em Neo. E agora Reeves retorna ao papel do “bicho-papão”, novamente ao lado do diretor Chad Stahelski (que dividiu a direção do primeiro com David Leitch), e se consagra de vez como um brucutu dos cinemas.

No filme anterior encontramos um John aposentado, que conseguiu sair da vida de matador e constituir família. Porém sua aposentadoria não vai bem e acompanhamos o desandar dessa etapa em sua vida. É um filme de vingança com um protagonista desiludido que um dia foi uma lenda vida e aos poucos vai retornando a sua boa forma. Em “John Wick: Um novo dia para matar” Wick já está em forma, desta maneira o filme já começa em uma perseguição. Na verdade é a busca por seu carro e uma bela apresentação do personagem principal. Então, ainda que não tenha assistido ao primeiro filme da série, a sequência inicial já nos deixa a par do perigo que é John Wick. Enquanto Abram, o personagem de Peter Stormare, descreve o protagonista acompanhamos o próprio em ação, sempre nas sombras como um mito até que em determinado momento seu rosto emerge das sombras. É uma boa introdução do personagem e uma recapitulação do que aconteceu no longa anterior. O roteiro de Derek Kolstad é inteligente ao não explicar demais a história, quase tudo é dito por gestos, trejeitos e luta.

Chad Stahelski imprimi o mesmo estilo do filme inicial, o manuseio das armas, os tiroteios as lutas, são bem executadas e impressionam. O visual de cada cena é caprichado. É uma apresentação de balé brutal feita para os fãs de filme de ação. Sequências realistas, porém exageradas, extremamente violentas, bem humoradas e viscerais. John deixa um pilha de corpos por onde passa, mas assim como no filme anterior, também se machuca e chega a apanhar bastante ao longo da trama. Sequências em uma atração de espelhos de um museu, tiroteio em movimento dentro de um show/boate, quedas escadarias abaixo, tiroteios “a paisana” no metrô e para os fãs do primeiro longa a realização do sonho de ver John Wick utilizando um lápis. O submundo dos assassinos está de volta, aliás bem ampliado e exagerado, agora ele é colocado como uma organização internacional. Mas é interessante ver como funciona o mundo dos assassinos mais de perto. Acompanhamos o protagonista se preparando, equipando e planejado o trabalho (que o levou de volta a ativa), para depois na sequência acompanhar toda a execução, é claro. Na trama John Wick (Keanu Reeves) é forçado a deixar a aposentadoria devido a uma antiga dívida e então acaba se envolvendo mais ainda com o mundo que tentou deixar para trás. A história é simples, direta e eficaz e não tenta fazer mais do que se propõe. Wick está de volta, tem que lidar com alguns problemas e deixa um rastro de corpos por onde passa. Vários personagens retornam, e o elenco ganha algumas adições de peso, como Laurence Fishburne que têm pouco tempo de tela, mas parece ganhar destaque para um futuro terceiro longa.

Um grande acerto do filme é também seu seu protagonista, sua superação e o empenho a cada obstáculo nos cativa, e a dedicação de Reeves no papel é impressionante. Sempre que o protagonista se mostra uma lenda e/ou um perigo a trilha sonora acompanha com acordes que remetem aos pistoleiros de faroeste. É interessante reparar também nas pausas antes dos tiroteios e lutas como se fossem duelos e a participação de Franco Nero (o eterno Django) confirma essa ideia de pistoleiro solitário. É maravilhosa sequência em que John é perseguido por inúmeros assassinos e vai enfrentando um a um, o que também nos prepara para o final, e o perigo que John Wick vai se encontrar. Aliás é clara a intenção de um terceiro, e bem mais ousado, filme. “John Wick: Um novo dia para matar” é mais violento e exagerado que seu antecessor. É engraçado em alguns momentos e conta com lutas e tiroteios viscerais. É clara a intenção de construir uma franquia,  o que me soa  muito bem. Que venha mais de John Wick!  

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Sunça no Cinema – Jason Bourne (2016)

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Fora do radar como lutator de rua, Jason Bourne (Matt Damon) é surpreendido por Nicky Parsons (Julia Stiles), que o procura oferecendo novas informações sobre seu passado. Inicialmente resistente, ele acaba voltando aos Estados Unidos para continuar a investigação e entra na mira do ex-chefe Robert Dewey (Tommy Lee Jones), que teme mais um vazamento de dados. Dentro na CIA, no entanto, a novata Heather Lee (Alicia Vikander) acredita que tentar recrutar Bourne para a agência seja a melhor solução.

123 min – 2016 – EUA

Dirigido por Paul Greengrass, roteirizado por Christopher Rouse e Paul Greengrass. Com Matt Damon, Alicia Vikander, Julia Stiles, Tommy Lee Jones e Vincent Cassel

Particularmente gosto muito da franquia de Jason Bourne, com exceção do fraco O Legado Bourne (De 2012 protagonizador por Jeremy Renner e dirigido por Tony Gilroy). Em seu primeiro filme, Identidade Bourne (2002) com direção de Doug Liman, o personagem causou um impacto no gênero, forçando uma mudança nos filmes de espionagem, detetive e ação em geral. Tudo isso foi fortalecido e mais estabelecido em Supremacia Bourne (2004) e O Ultimato Bourne (2007) ambos dirigidos por Paul Greengrass. Esses filmes construíram a parceria entre o diretor e o ator Matt Damon. A trilogia (Apenas os longas protagonizados por Damon) teve tamanho impacto no mercado que forçou uma mudança no então já estabelecido James Bond. E a dupla retorna mais uma vez e produz um bom filme para a saga de Jason Bourne.

O longa se torna relevante na medida em que traz a tona um tema importante e atual, a pesar de não o explorar a fundo. É uma discussão sobre a segurança nacional e os excessos de vigilância e invasão de privacidade sobre nós cidadãos. A vigilância online ganha papel de destaque, aproveitando dos eventos protagonizados por Snowden (Mencionado diversas vezes ao longo do filme) nossas redes sociais, aparelhos eletrônicos e vida cada vez mais exposta devido a excessiva utilização da internet é explorado. A cada cena de ação e luta os personagens utilizam comunicadores, vigilância por satélites, software de reconhecimento de faces dentre outros. Em determinado momento a personagem de Alicia Vikander apaga arquivos de um notebook hackeando um celular que estava próximo ao aparelho, em outra cena ela consegue invadir o sistema elétrico de Reykjavik.

No filme Jason Bourne (Matt Damon) sobrevive como lutador de rua até que Nicky Parsons (Julia Stiles) o encontra e oferece novas informações sobre seu passado e pede ajuda para expor projetos da CIA. O diretor da CIA Robert Dewey (Tommy Lee Jones) passa a perseguir Bourne, ele teme mais um vazamento de dados, uma vez que Jason foi responsável pelo vazamento anterior, o projeto Blackbriar. Ele conta com a ajuda de um agente brutal chamado de Asset (Vincent Cassel) e com sua subordinada Heather Lee (Alicia Vikander) que acredita ser possível trazer Bourne de volta para a agência. Com cenas de ação empolgantes  e bem filmadas, Paul Greengrass e sua câmera sempre em movimento consegue nos colocar no meio da ação e evocar um sentimento de urgência. É interessante perceber como o filme encaixa bem a tecnologia atual nas cenas de perseguição, sem que elas fiquem cansativas e/ou desinteressantes. A proposta (Iniciada nos filmes anteriores)  de manter as cenas de ação “realistas” sem mantêm, quando o protagonista briga sentimos a intensidade de cada golpe e na perseguição final, que não utiliza de telas verdes e excessivos efeitos digitais, percebemos toda a destruição causada. Mais um bom trabalho de Greengrass que nunca nos deixa perdidos em suas perseguições e cenas de ação, por mais grandiosas que sejam.

Jason Bourne conta com um bom elenco, Alicia Vikander constrói uma personagem forte e ambiciosa. Que sabe muito bem como utilizar “suas cartas” para se fortalecer no “jogo”. Tommy Lee Jones está muito bem, é um bom diretor da CIA extremamente ameaçador em diversos momentos. Matt Damon continua convencendo como um astro de ação e seu personagem não assume um dos lados, segue defendendo seus interesses, chega até mesmo a dizer para um dos hackers do filme: “Não estou do seu lado”. É legal que Bourne continua a utilizar “ferramentas” que encontra ao seu redor para auxiliar nos momentos de ação, uma perna de mesa e uma alavanca de um caça níquel são valiosos instrumentos em suas mãos.  

Logo no início do longa o protagonista diz que lembra de tudo, o que não se concretiza no decorrer da trama. Jason sofre vários acessos de lembranças perdidas. E não acontece atoa, o objetivo de vincular seu passado a trama atual é claro. Um dos pontos fracos é justamente a necessidade em excesso de vincular os acontecimentos atuais ao protagonista gerando uma ligação desnecessária entre Bourne e o personagem de Vincent Cassel. É uma trama exagerada (Como nos demais filmes da franquia) mas bem desenvolvida e trabalhada. O estilo realista de ação leva o filme a diversas locações na Europa, visitamos a Islândia, Berlim, Londres, Washington e ate somos presenteados com uma empolgante cena em um protesto na Grécia. O filme entrega o Jason Bourne que queríamos com a ação que queríamos em um trama que tateia um tema de relevante importância. É um bom retorno da dupla Matt Damon e Paul Greengrass para a franquia.

Nota do Sunça:

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Sunça no cinema – Jogo do Dinheiro (2016)

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Lee Gates (George Clooney) é o apresentador do programa de TV “Money Monster”, onde dá dicas sobre o mercado financeiro mesclando com performances típicas de um popstar. Um dia, um desconhecido (Jack O’Connell) invade o programa exatamente quando ele está sendo gravado e, com um revólver, obriga Lee a vestir um colete repleto de explosivos. Patty Fenn (Julia Roberts), a produtora do programa, imediatamente ordena que o mesmo saia do ar, mas o invasor exige que ele permaneça ao vivo, caso contrário matará Lee. Assim acontece e, a partir de então, tem início uma investigação incessante para descobrir quem é o sequestrador e algum meio de salvar todos os que permanecem no estúdio. Paralelamente, a audiência do programa sobe sem parar e todos passam a acompanhar o que acontecerá com o apresentador.

99min – 2016 – EUA

Dirigido por Jodie Foster, roteirizado por Jamie Linden, Alan DiFiore, Jim Kouf. Com: George Clooney, Julia Roberts, Jack O’Connell, Dominic West, Caitriona Balfe, Giancarlo Esposito, Christopher Denham, Lenny Venito, Chris Bauer, Dennis Boutsikaris, Emily Meade.

 

 

Um apresentador de tv arrogante e convencido, preocupado com sua aparência, dinheiro e influência é vitima de um sequestro. O astro aos poucos se identifica e solidariza com o sequestrador e passa a reavaliar o seu papel e o papel de seu programa na vida das pessoas e no mercado financeiro. Esse é o “Jogo do Dinheiro” que atrai e cativa na condução e evolução do arco narrativo de seus personagens.

O que a principio parece ser um filme de sequestro e suspense acaba trazendo uma discussão sobre o jornalismo sensacionalista, interessado em audiência e sem compromisso com a verdade. A personagem Patty Fenn (Julia Roberts) em determinado momento chega a dizer “Espera aí, não fazemos jornalismo!”. E em um diálogo com Gates (George Clooney) insinua que reproduziam sem crítica as informações de Walt Camby (Dominic West) CEO da empresa IBIS. Como uma crítica as grandes corporações a ganância e a superficialidade do mundo financeiro.

Money monster é programa sensacionalista sobre o mercado financeiro, seu apresentador é Lee Gates um sujeito arrogante e convencido. O show de tv comete “um erro” e Kyle Budwell (Jack O’Connell) um jovem que investiu todo seu dinheiro e perdeu devido ao conselho monetário de Gates, invade o programa em busca de vingança. Ele exige explicações de Walt Camby, o CEO da empresa. Isso obriga a diretora Patty Fenn a investigar melhor como a companhia IBIS pode perder 800 milhões de dólares em um dia. George Clooney tem uma ótima performance, no início é convencido, falastrão mas quando necessário passa bem a seriedade e o perigo da situação em que seu personagem se encontra. Patty faz um belo contraponto a Lee, é inteligente, madura, e em muitos momentos atua como a consciência do apresentador. É a principal negociadora com o sequestrador, mostrando que é forte e decisiva em situações adversas. Um bom trabalho de Julia Roberts. E em Kyle de Jack O’Connell, percebemos o desespero, a frustração e o despreparo do personagem.

Diferente de seus outros trabalhos, Jodie Foster, oferece uma trama complexa e bem humorada em um longa com a agilidade de um programa de TV ao vivo e situado no gênero suspense. Uma bela crítica ao mundo financeiro, e a crueldade de executivos e empresas.

Nota do Sunça:

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