Sunça no Streaming – Ninguém tá olhando – Netflix (2019)


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Uli, o novato anjo da guarda do Sistema Angelus, fica inconformado com a arbitrariedade das ordens que recebe diariamente. Ele, então, se rebela depois de fazer descobertas chocantes sobre a vida e as forças que governam o mundo.

1ª Temporada (08 Episódios entre 19 e 30 min.) – 2019 – Brasil

Dirigido por Daniel Rezende, Fernando Fraiha e Marcus Baldini. Roteirizado por Mariana Zatz, David Tennenbaum, Fernando Fraiha, Leandro Ramos e Cauê Laratta. Com Victor Lamoglia, Júlia Rabello, Kéfera Buchmann, Augusto Madeira, Danilo de Moura, Leandro Ramos, Telma Souza, Priscila Sol, Wallie Ruy, Maurício de Barros, Hermínio Ribeiro

Em novembro de 2019 chegou a Netflix uma série brasileira marcada pela ironia, crítica, sátira, bom humor e drama. Uma produção que nos faz rir dos próprios dilemas e pensar sobre nossas atitudes, crenças e comportamentos. “Ninguém Tá Olhando”, criada por Daniel Rezende, Carolina Markowicz e Teodoro Poppovic, é uma série com atuações orgânicas e um elenco talentoso. O texto é irreverente e inteligente, apresenta uma abordagem inusitada a um tema comum. Com a direção geral do próprio Daniel Resende podemos perceber a estética e o estilo característico de suas obras. Assim como em “Bingo o Rei das Manhãs” e “Turma da Mônica: Laços” a atmosfera criada nos permite apreciar histórias dentro de nossa própria realidade. Uma curiosidade é que ambos os longas ganham easter-eggs ao decorrer dos episódios. Que também contam com a direção de Fernando Fraiha e Marcus Baldini. 

A trama acompanha as criaturas Angelus, e não “anjo” como erroneamente os chamamos, todos ruivos com asas decorativas e uniforme. Camisa branca, calça e sapatos pretos e gravata vermelha. O trabalho de um Angelus é a cada dia acompanhar um humano diferente, e o ajudar em suas tarefas básicas do dia-a-dia. (O que nós chamamos de sorte) Os humanos a serem seguidos são selecionados pela figura do Chefe, o qual também define as regras que não podem ser quebradas. A não ser que queiram sofrer a “terrível” punição máxima. 

1. Cumprir a Ordem do Dia.

2. Não aparecer para os humanos. 

3. Não proteger humanos fora da Ordem do Dia. 

4. Jamais entrar na sala do chefe. 

Essas são as regras que ninguém ousa “quebrar”. Pelo menos até a chegada de Uli (Victor Lamoglia). 

Esse universo nos é apresentado a partir da figura de Ulisses o primeiro Angelus a ser gerado em trezentos anos. É a partir do olhar inocente e questionador do protagonista que a comédia nos faz refletir e rir de nossos próprios tabus. Uli segue trabalhando na “repartição pública de anjos” e logo percebemos que é uma questão de tempo até que ele “quebre” alguma regra. Seu chefe Fred (Augusto Madeira) lhe apresenta a rotina Angelus e aos colegas Greta (Júlia Rabello) e Chun (Danilo de Moura). Vale um parênteses aqui para elogiar o desenho de produção, que traz alavancas e maquinários em um galpão abandonado com uma fotografia baseada em tons frios, muito diferente do que se espera quando o assunto são seres celestiais. Quando não é punido ao desrespeitar uma das normas Uli, Greta e Chun passam a se aventurar pelos prazeres, dramas e atividades da vida humana. Mas tudo se complica realmente quando Ulisses se envolve com a humana Miriam (Kéfera Buchmann).

O trio Angelus têm uma ótima química, e o roteiro de Mariana Zatz, David Tennenbaum, Fernando Fraiha, Leandro Ramos e Cauê Laratta traz um texto igualmente inspirado. Cada um dos personagens centrais reage à sua maneira a recém “liberdade” adquirida. Seja uma vida de excessos, uma paixão proibida ou a tentação de romper com os paradigmas que sempre acreditou. Fechando esse elenco talentoso, ainda temos o personagem Sandro (Leandro Ramos) o principal alívio cômico da série e protagonista de boas reflexões. Com bom humor, trocadilhos e referências da nossa cultura a série nos convida a refletir sobre nossa própria existência, nossos próprios dilemas e nossas crenças. Não faltam “alfinetadas” a humanidade. 

“Ninguém Tá Olhando” nos faz rir e refletir sobre nós mesmos. Com várias referências a cultura brasileira como por exemplo o papel fundamental dos taxistas e manicures e a inesquecível sequência dedicada a “Sandy e Junior”. A série fecha muito bem sua primeira temporada e deixa um caminho interessante para o futuro. É uma pena que agora, no início de 2020, a Netflix anunciou o cancelamento da produção. Mas, em tempos de quarentena, quem sabe se os brasileiros passarem a olhar para a série a Netflix não muda de ideia? Eu adoraria um novo encontro com os personagens atrapalhados e as novas desventuras de Uli.

Nota do Sunça:

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