Sunça no cinema – S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço (1987)


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Spaceballs Poster

Os diabólicos líderes do planeta Spaceball arquitetam um plano secreto para tomar cada sopro de ar do seu vizinho, o pacífico planeta Druidia, após desperdiçar infantilmente sua preciosa atmosfera. Assim, o ditador de Spaceball, o presidente Skroob (Mel Brooks) manda o cruel Dark Helmet (Rick Moranis) seqüestrar Vespa (Daphne Zuniga), a princesa de Druidia, e exigir do Rei Roland (Dick Van Patten), o pai dela, que entregue todo o ar como recompensa. Lone Starr (Bill Pullman) e Barfolemew (John Candy) recebem de Roland a missão de resgatá-la.

96min – 1987 – EUA

 

Dirigido por Mel Brooks. Com roteiro de Mel Brooks, Thomas Meehan e Ronny Graham. Com Mel Brooks, John Candy, Rick Moranis, Bill Pullman, Daphne Zuniga, Dick Van Patten, George Wyner e Joan Rivers (Como a voz de Dot Matrix).

 

Boas comédias não são comuns no cinema atual e o gênero, sempre presente nas salas de cinema, normalmente é representado por paródias de filmes. Boa parte delas apelam para o humor pastelão e para o escárnio com piadas infames que debocham dos filmes originais e seu público. Na década de 80, eram mais comuns comédias inteligentes que não se levavam a sério e  faziam um recorte de determinado gênero e/ou filme específico, criticando ou apenas debochando do original com piadas simples, porém, eficazes. S.O.S – Tem um Louco Solto no Espaço é uma mistura desses modelos.

O foco do filme é o longa “Uma nova Esperança” da saga Star Wars, mas Spaceballs (Título original) não se prende apenas à saga de George Lucas e expande suas piadas para o gênero da ficção científica. Faz referências a diversos longas e seriados como Alien, Battlestar Galactica, Star Trek, Lucky Starr (Série literária), entre outros. Já em seus minutos inicias, S.O.S – Tem um Louco Solto no Espaço mostra a que veio com uma sátira aos famosos letreiros da franquia de George Lucas. E deixa claro que o filme não se leva a sério finalizando as letras graúdas com um: “Se você consegue ler isso, não precisa de óculos!”

A cena inicial é um longo close em uma nave se movimentando no espaço, a Spaceball One. A nave se parece com uma Star Destroyer, apesar de na trama também cumprir o papel da Estrela da Morte. Toda a cena é uma homenagem a cena inicial de Star Wars que, por sua vez, era uma homenagem à 2001: uma odisseia no espaço. Na ponte de comando dessa espaçonave, somos apresentados ao engravatado e ótimo Dark Helmet (Rick Moranis), o antagonista do filme e comandante dos Spaceballs. Lorde Helmet é um dos únicos personagens do longa que constantemente quebra a quarta barreira. Moranis está hilário e é o autor de belas frases de efeito como: “Você passou por cima de meu capace?” e “Só um homem teria a coragem de me dar a framboesa!”. E a cena em que Helmet tenta beber café vai te roubar várias risadas.

E se em Star Wars temos a feiosa e sem sal Princesa Leia, aqui temos a mimada, egoísta, materialista e gata Princesa Vespa (Daphne Zuniga) que infelizmente não aparece de biquini dourado. A personagem é o esteriótipo de uma Jewish-American princess. A princesa está sempre acompanhada de sua fiel “droid-of-honor”, uma versão fêmea do C3PO, que é protagonista de cenas memoráveis como a do “Virgin Alarm”. Vespa não quer se casar com o Príncipe Valium, casamento arranjado por seu pai Rei Roland, e foge de seu planeta no dia do casório. Para resgatar a princesa, sã e salva, o Rei Roland precisa da ajuda de Lone Starr.

Está ai mais uma série de acertos de S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço. John Candy como Barf está impagável, o personagem é um “mawg”: metade homem e metade cachorro – uma sátira direta do Chewbacca. Em um de seus ótimos momentos, ele chega a afirmar: “Eu sou meu próprio melhor amigo!”. E, ao invés dos dois protagonistas do filme Uma Nova Esperança, aqui temos apenas um, o Capitão Lone Starr – uma mistura de Luke Skywalker, Han Solo e Indiana Jones. Em sua primeira cena, ele está na cabine de comando de sua nave com uma chapéu de cowboy. Seria, então, seu nome também uma referência ao personagem Cavaleiro Solitário? (Lone Ranger no original.) E fechando essa sequência de acertos está a nave de Starr, a Eagle 5. Um trailler Winnebago espacial com um adesivo no pára-choque escrito: “I love Uranus!”. Se a tentativa era fazer uma nave tão memorável quanto a Enterprise e/ou a Millennium Falcon essa foi uma escolha extremamente bem sucedida.

Em Spaceballs, o grande Mel Brooks interpreta dois papeis: o Presidente Skroob e o Mestre Yogurt. Brooks, sempre competente, entrega boas performances. Em determinado momento da trama, Mestre Yogurt nos revela o verdadeiro poder que movimenta o mundo do cinema: o merchandising! Boa parte do humor do filme está em trocadilhos e nomes de duplo sentido, geralmente com uma conotação sexual. Em alguns momentos as piadas são rasas e banais e chega próximo de se tornar uma comédia pastelão. O filme possui piadas visuais boas, como a cena dos videos cacetes instantâneos, a senha do Rei Roland ou a ponte de comando de Spaceball One repleta de assholes, com exceção de um navegante que continua sentado. Mas, a melhor delas é o Pizza the Hutt, uma criatura que rosna e fala enquanto o queijo de sua testa derrete e grandes fatias de peperoni deslizam para seu queixo. Vale um destaque especial para o trágico fim de Pizza the Hutt, para a participação especial de Michael Winslow, o Jones da série Loucademia de Polícia e a participação especial de John Hurt, o Kane do filme Alien – o oitavo passageiro.

Assisti ao filme em inglês, mas vale lembrar que a dublagem brasileira não deixa a desejar e nos presenteia com traduções como Espaçobobos (Spaceballs), o poder da salsicha e o poder da farsa (The Schwartz), além da velocidade burlesca (Ludicrous speed ).

Um filme que não se leva a sério, que proporciona boas risadas, com piadas bestas e inteligentes, mas que não se preocupa em analisar ou opinar sobre o conteúdo do qual faz paródia. Apenas faz um deboche  bem humorado de uma melhores sagas da ficção científica e do gênero em geral (Sobra até para a franquia O Planeta dos Macacos). S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço é uma boa comédia de ficção científica e uma das melhores paródias de Star Wars.

Obs. Se você gosta e acha foda o Daileon, o Megazord, o MechaGodzilla ou o Optimus Prime, se prepare para o robô gigante mais fodástico de todos os tempos: a MegaMaid.

Nota do Sunça: nota3_suncanocinema_fantasticomundodesunca

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