Sunça no Cinema – O Lar das Crianças Peculiares (2016)


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Após uma tragédia familiar, Jake (Asa Butterfield) vai parar em uma ilha isolada no País de Gales buscando informações sobre o passado de seu avô. Investigando as ruínas do orfanato “Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children”, ele encontra um fantástico abrigo para crianças com poderes sobrenaturais e decide fazer de tudo para proteger o grupo de órfãos dos terríveis hollows.

127 min – 2016 – EUA

Dirigido por Tim Burton, roteirizado por Jane Goldman. Com Asa Butterfield, Eva Green, Ella Purnell, Samuel L. Jackson, Allison Janney, Judi Dench, Terence Stamp, Chris O’Dowd, Rupert Everett, Milo Parker, Pixie Davies, O-Lan Jones, Ella Wahlestedt e Aiden Flowers.

Inspirado no livro “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares” de Ransom Riggs

“O Lar das Crianças Peculiares” parece um filme perfeito para o diretor Tim Burton, um rapaz com problemas de sociabilidade descobre um “novo” mundo com várias crianças também não aceitas pela sociedade porém com estranhas habilidades especiais. E não é de hoje que Burton defende os “esquisitões”, vide sua filmografia repleta de pessoas estranhas porém admiráveis em seus mundos que pesam para o lado negro da imaginação. O longa é inspirado no livro “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares” de Ransom Riggs, que baseou sua obra em uma coleção pessoal de fotos vintage, nele somos apresentados a um grupo de peculiares em um mundo numa constante briga entre fantasia e realidade. (Vale destacar aqui que ainda não li o livro que originou o filme.) A “equipe” é uma mistura entre X-Men e a Família Adams, no filme “Feitiço do tempo”. É um loop temporal que nos permite divertir com essas estranhas habilidades em um dia que se repete constantemente.

Acompanhamos Jacob Portman (Asa Butterfield) que após presenciar a morte de seu avô, Abraham Portman (Terence Stamp), parte para uma ilha isolada no País de Gales buscando informações sobre o passado de Abraham. Lá ele encontra o orfanato, abandonado, da Senhorita Peregrine (Eva Green) e investigando suas ruínas encontra um fantástico abrigo para crianças com habilidades especiais. Então seguindo a jornada do herói, Jacob tem que se superar e enfrentar seus medos para atingir grandes feitos e salvar seus novos amigos, e antigos amigos de seu avô, Emma Bloom (Ella Purnell), Olive Abroholos Elephanta (Lauren McCrostie), Millard Nullings (Cameron King), Bronwyn Buntley (Pixie Davies), Fiona Frauenfeld (Georgia Pemberton), Enoch O’Connor (Finlay MacMillan), Hugh Apiston (Milo Parker), Claire Densmore (Raffiella Chapman), Horace Somusson (Hayden Keeler-Stone) e os gêmeos mascarados (Joseph and Thomas Odwell).    

É interessante e cativante a forma como Tim Burton nos expõem a cada peculiaridade. Uma garota mais leve que o ar, um rapaz que dá vida a criaturas inanimadas, crianças super fortes, uma adolescente que pode controlar o fogo, dentre outros. Nossa curiosidade infantil é acionada, assim como a de Jacob, e ficamos cativados naquele “novo” mundo de 1943 mais colorido e alegre que a ilha cinza e triste de 2016.  É impossível não notar semelhanças com outro filmes do diretor, como os contos de  “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas”, o stop-motion de “Frankenweenie” e a estranheza de “Edward Mãos de Tesoura”. Até mesmo o ótimo “Beetlejuice” encontrei em “O Lar das Crianças Peculiares”. Asa Butterfield está bem como Jacob, um garoto deslocado na Flórida e em sua própria família que busca na figura do avô (E suas histórias) um refúgio. Todos os peculiares estão bem, mas é o interesse de Jake na vida de Abe que move a trama (E que nos leva junto). São nos contos de seu avô que entramos em contato com os peculiares da Senhorita Peregrine, interpretada por Eva Green com uma postura firme, alguém que sempre parece saber mais do que demonstra e pronta para se sacrificar por suas crianças.

O Longa se passa no presente e no passado, porém é triste perceber como não é bem explorado a estranha situação em que se encontram os peculiares. As crianças são mantidas no passado em loop, com a justificativa de que o mundo não iria entendê-las. O que de longe é uma existência agradável, afinal elas nunca vão crescer e nunca vão mudar. E assim, escondidas como é que o mundo um dia vai aceitá-las? O enredo é previsível, mas utiliza de forma muito interessante a viagem no tempo. E se a motivação e o plano dos vilões é bastante contestável, o que realmente chama a atenção é a interpretação canastrona (Proposital?) de Samuel Jackson, que faz sua versão exagerada do Christopher Walken. O que não é necessariamente ruim, até porque somos presenteados com seu personagem comendo um tigela de olhos de crianças. (Sério!) O filme falha na construção forçada do relacionamento desnecessário de Jacob e Emma. E é aí que vemos como a relação entre o garoto e seu avô é íntima, afinal não é todo neto que volta no tempo para pegar sua ex-affair. Burton imprimiu seu estilo sem exageros, criou um clima sombrio, apresentou personagens monstruosos e destacou o conflito fantasia versus realidade. É um mérito do longa o uso contido dos efeitos digitais, em determinado momento remete ao stop-motion em uma ótima homenagem a Ray Harryhausen e seus esqueletos em “Jasão e os Argonautas” e “Simbad e a Princesa”.

O livro “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares” ganhou duas sequências, “Cidade dos Etéreos” e “Biblioteca das Almas” fechando a trilogia. Na atual indústria do cinema em que vivemos, é natural que FOX pretenda transformar “O Lar das Crianças Peculiares” em uma franquia. Não é todo filme que precisa de sequências, e aqui, acredito que não seja necessário. Mesmo ficando com vontade de ver aquelas crianças novamente.

Nota do Sunça:

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