Sunça no Cinema – O Contador (2016)


Sunça no Cinema - Passageiros (2016)
Sunça no Cinema - O Lar das Crianças Peculiares (2016)

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Christian Wolff (Ben Affleck) é um homem que apresenta um quadro de Síndrome de Asperger, o que o faz ter mais intimidade por números do que por pessoas. Ele usa um escritório de contabilidade em uma cidadezinha pequena apenas como fachada para trabalhar como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo.

125 min – 2016 – EUA

Dirigido por Gavin O’Connor, roteirizado por Bill Dubuque. Com Ben Affleck, Anna Kendrick, J.K. Simons, Jon Bernthal, Cynthia Addai-Robinson, John Lithgow, Jeffrey Tambor e Alison Wright.

O protagonista de “O contador” Christian Wolff (Ben Affleck) é um super-herói. É um autista com eximio treinamento em armas, uma mira perfeita e munido do poder da matemática. Foi uma criança com síndrome de asperger criada por um pai milico sádico, que a sua maneira, tenta fazer do mundo um lugar “melhor”. É uma trama bastante exagerada, com muitas reviravoltas duvidosas em alguns momentos. Diverte e empolga com suas cenas de ação e nos cativa nos desenrolar dos fatos. O longa não decide se é um thriller, um filme de ação, uma comédia, um drama ou até mesmo um filme de super-herói. E, apesar dessa mistureba, normalmente ser negativa para um filme é justamente ela que traz uma experiência agradável e divertida.

Wolf (Ben Affleck) aparentemente é um contador de um simples escritório de uma cidade pequena. Mas isso é apenas fachada para seu real trabalho que é ser contador autônomo de mafiosos e organizações criminosas no mundo. Ele aceita um trabalho para avaliar as finanças da empresa de próteses e robótica, Living Robotics, de Sr. Black (John Lithgow). Lá ele conhece Dana Cummings (Anna Kendrick) a analista que suspeitou de um desvio de dinheiro na empresa. Usando seu poder da matemática ele descobre o roubo de milhões em um dia e a partir daí ele e Anna se envolvem em um trama de assassinatos e passam a ser perseguidos por Brax (John Bernthal) um assassino de aluguel e sua equipe. Mas não é só isso, também acompanhamos uma investigação do Tesouro Nacional, Ray King (J.K. Simmons) e Medina (Cynthia Addai-Robinson) estão atrás do desconhecido contador. Além de flashbacks, mais flashbacks e mais flashbacks ainda, afinal precisamos entender bem a infância de Wolf, seu tempo na cadeia, seus problemas com o autismo e suas relações familiares. E, é interessante e absurdo como tudo e todos estão conectados a Christian Wolff.

Affleck demonstra a dificuldade de interação social e o autismo de seu personagem basicamente como um homem inexpressivo. Ainda que o filme saiba aproveitar bem essa dificuldade em alguns momentos como quando acena para o casal após um tiroteio ou quando em um raro momento do filme se mostra confortável enquanto avalia as finanças da empresa e dança. Ben Affleck com sua figura imponente convence nas cenas de ação e mostra que pode ser bem aproveitados em perseguições, lutas e tiroteios. Confesso que na “batalha” final estava esperando a qualquer momento que ele soltasse um “I’m Batman”. Anna Kendrick não tem muito tempo de tela inicialmente se mostra uma personagem interessante que aos poucos descamba para interesse romântico. Já J.K. Simmons e Cynthia Addai-Robinson, mesmo com uma participação menor, estão presentes ao longo de todo o filme. Ainda que suas sequências não afetem em nada a trama principal do longa.       

A ligação do protagonista com pessoas perigosas, seu passado difícil não apenas por sua condição mas também pela forma com foi criado são pouco explorados. Servem mais como uma justificativa para o que Wolf se tornou. O diretor Gavin O’Connor parece mesmo preocupado é em mostrar como seu personagem principal é invencível e letal. E nisso ele é bem sucedido. Ainda que apresente o autismo de forma clichê, e até como um super poder(?) o longa tenta evocar a discussão da importância de se abraçar as diferenças. Porém não se aprofunda nela e acaba passando despercebida. No esforço para ser um filme ruim “O Contador” consegue ser divertido, engraçado, tenso e estimulante. É um absurdo que traz um júbilo prazeroso.

Nota do Sunça:

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