Sunça no Cinema – Netflix – El Camino: A Breaking Bad Movie (2019)


Sunça no Cinema - Coringa (2019)

Após fugir do cativeiro, onde foi mantido quando sequestrado, dramaticamente, Jesse Pinkman (Aaron Paul) inicia uma jornada em busca da própria liberdade, mas antes precisa se reconciliar com o passado para, só então, ter seu futuro garantido.

122 min – 2019 – EUA

Dirigido e roteirizado por Vince Gilligan. Com: Aaron Paul, Jesse Plemons, Charles Baker, Matt Jones, Larry Hankin, Tom Bower, Tess Harper, Michael Bofshever, Scott MacArthur, Scott Shepherd, Brendan Sexton III, Kevin Rankin, Krysten Ritter, Bryan Cranston, Jonathan Banks e Robert Forster.

Na série “Breaking Bad” o arco dramático de Walter White (Bryan Cranston) não envolvia redenção. Foi uma linha direta do protagonista rumo a degradação completa, levando junto de si tudo e todos, incluindo o bondoso Jesse Pinkman (Aaron Paul). No final do seriado Jesse passa meses aprisionado por um grupo de supremacistas, sofrendo abusos e torturas. No cativeiro ele é obrigado a “cozinhar” metanfetamina e, literalmente, paga pelas várias atitudes e decisões ruins que cometeu em sua jornada. Em um último ato de bondade Walter White o liberta e Pinkman foge em um El Camino. Agora, no filme (Nomeado a partir do carro usado na fuga e pelo objetivo de Jesse) escrito e dirigido pelo próprio Vince Gilligan (Criador da série) acompanhamos o destino do parceiro/coadjuvante agora promovido a protagonista. “El Camino” é direto, segue uma trama simples com poucos, porém elaborados, diálogos e escolha certeira de personagens.

A polícia está atrás de Pinkman e ele procura amigos e aliados para conseguir auxílio em sua luta por uma segunda chance, ele quer deixar a cidade. O período em cativeiro impactou o protagonista e em “El Camino” isso é perceptível. Jesse sofre de estresse pós-traumático por causa de todos os horrores que viveu, o que fica claro na sequência com Skinny Pete (Charles Baker) e Badger (Matt Jones). Também é perceptível que Pinkman sabe que deve agir com rapidez se quer ter alguma chance de fugir, mas, ainda assim, se arrisca na busca de algo que inicialmente não fica claro. No decorrer da obra entendemos seu objetivo a partir de flashbacks que mostram a interação entre ele e Todd Alquist (Jesse Plemons) um dos membro do grupo que o aprisionou.

A opção do diretor/roteirista por flashbacks se mostra um importante fator no desenvolvimento do arco dramático do protagonista. Além de obviamente dar a oportunidade de colocar em cena personagens que não sobreviveram a série. Gilligan usa bem o recurso para nos dar novas informações e retornar a momentos específicos do passado, que se comprovam importantes para os conflitos internos de Jesse. Com isso o psicopata Todd ganha um certo destaque. As escolhas de atuação feitas por Jesse Plemons são certeiras. Uma ótima performance que evidencia como aquela figura é assustadora e horrível. Mas quem de fato carrega o filme é Aaron Paul, um ótimo ator que mostra entender bem todas as nuances de seu personagem. Pinkman é silencioso, sempre curvado e acuado, ele reage aos acontecimentos, é inseguro e têm medo. Está traumatizado pelos acontecimentos de sua parceria com Walter White e por seu tempo em cativeiro. O que muda ao longo da narrativa. Jesse ganha força e se torna mais decidido e firme. É um processo de amadurecimento que leva o personagem a um merecido desfecho. É um homem que tomou más decisões e que cometeu atitudes horríveis, mas que se comprovou um dos únicos personagens da finada série a preservar sua bondade. Robert Forster retorna a seu personagem Ed Galbraith, podemos conhece-lo um pouco melhor e ele tem papel decisivo para que Jesse finalmente aceite “tomar as rédeas” da situação. Uma boa e última performance do ator, que faleceu no dia de lançamento do longa.

A direção de Vince Gilligan mostra que ele sabe o que faz, o diretor controla cada aspecto do filme. Os planos e quadros são complexos e bem planejados, as composições elegantes e os raccords que auxiliam na fluidez da montagem. Os time lapses muito utilizados na série também estão de volta. A trajetória de Pinkman é um faroeste moderno, que toma ares literais em uma importante sequência da obra.

“El Camino” é uma celebração de Jesse Pinkman. Encerra o arco dramático do personagem de forma satisfatória, explora sua jornada psicológica e nos traz de volta ao universo de “Breaking Bad”. É o epílogo da série que chegou de repente, apareceu de surpresa e que se mostrou necessário.

Nota do Sunça:

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