Sunça no Cinema – Judy: Muito Além do Arco-Íris (2020)


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Inverno de 1968. Com a carreira em baixa, Judy Garland (Renée Zellweger) aceita estrelar uma turnê em Londres, por mais que tal trabalho a mantenha afastada dos filhos menores. Ao chegar ela enfrenta a solidão e os conhecidos problemas com álcool e remédios, compensando o que deu errado em sua vida pessoal com a dedicação no palco.

118 min – 2020 – EUA

Dirigido por Rupert Goold e roteirizado por Tom Edge. Com Renée Zellweger, Rufus Sewell, Finn Wittrock, Michael Gambon, Richard Cordery, Jessie Buckley, Bella Ramsey, John Dagleish, Gemma-Leah Devereux, Tim Ahern, Bentley Kalu.

“Judy: Muito Além do Arco-Íris” é uma cinebiografia de Judy Garland. A atriz, que já faleceu a cinquenta anos, estrelou “O Mágico de OZ” de 1939 quando tinha dezesseis anos. O título da obra já demonstra a tentativa de nos lembrar quem é Judy, já que, quando adulta, não foi um nome tão popular no Brasil. Garland foi uma cantora e atriz talentosa que estrelou outros filmes como “Agora seremos felizes” de 1944 e a segunda versão de “Nasce uma Estrela” de 1954. Judy é um ícone, com uma vida repleta de alto e baixos. O roteiro de Tom Edge escolhe retratar os últimos meses de sua vida, acompanhamos os abusos sofridos  pela atriz mirim, através de flashbacks, e podemos ver suas consequências na carreira e vida adulta da cantora. O longa do diretor Rupert Goold coloca Judy como uma figura triste e depressiva, que luta contra seus vícios em uma carreira decadente. 

Na obra Garland é uma mulher incerta de seu talento, viciada em antidepressivos, cigarro e álcool, que devido a alguns problemas financeiros têm de ficar longe de seus filhos. Alguém que sofre com a sensação de abandono e que foi explorada por seus talentos desde a infância. As sequências no passado, em sua maioria, se passam nos bastidores do longa “O Mágico de OZ”. Nelas Judy (Darci Shaw) é controlada e sofre abusos do produtor caricato Louis B. Mayer (Richard Cordery). A rotina da garota é controlada pelo estúdio MGM, ela é obrigada a tomar remédios para tirar a fome, remédios para a manter acordada e alerta, e remédios para dormir. Na fase adulta a atriz Renée Zellweger interpreta Judy Garland com muita dedicação, cuidado e talento. Além de emular fisicamente Judy, a atriz canta algumas das mais famosas canções que Garland interpretou. A voz de Renée impressiona e seus trejeitos e maneirismo remetem diretamente a Judy. Um trabalho que emociona e certamente vai lhe render premiações. 

Com foco na protagonista a obra acaba se esquecendo de seus personagens secundários que funcionam apenas como muletas para o arco narrativo da personagem título. Então o que temos são personagens como o namorado Mickey Deans (Finn Wittrock), a acompanhante Rosalyn Wilder (Jessie Buckley) e o ex-marido Sid Luft (Rufus Sewell). É um roteiro com problemas estruturais evidentes e personagens (Rasos e passageiros) com incoerências nas personalidades. Escolhe demonstrar Judy como alguém que teve um vida triste e depressiva, inferindo a culpa disso a abusos sofridos na infância. Com uma atriz principal dedicada e talentosa que apresenta uma performance emotiva, poderosa e cuidadosa. Performance que certamente vai ser o ponto forte e motivo de “Judy: Muito Além do Arco-Íris” ser lembrada daqui alguns anos.  

Nota do Sunça:

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