Sunça no Cinema – Thor: Ragnarok (2017)


Trinta anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, um novo Blade Runner desenterra um segredo que tem o potencial de transformar em caos o que resta da sociedade.

164 min – 2017 – EUA

Dirigido por Denis Villeneuve e roteirizado por Hampton Fancher e Michael Green. Com Ryan Gosling, Harrison Ford, Jared Leto, Ana de Armas, Sylvia Hoeks, Robin Wright, Dave Bautista, Mackenzie Davis e Carla Juri.

Texto originalmente publicado no site Cinema e Cerveja.

Dois mil e dezessete têm sido um bom ano para os filmes de super-herói. Começamos o ano com o excelente western “Logan” e na sequência a ótima “space opera” de humor “Guardiões da Galáxia Vol.02”. Também fomos surpreendidos por um deslumbrante filme de guerra e origem de personagem, “Mulher-Maravilha”. Um ótimo longa adolescente, no melhor estilo John Hughes, reimaginou um consagrado herói, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”. É nesse cenário, de experimentação e inovação no gênero, que chega o terceiro longa solo do Deus do Trovão, “Thor: Ragnarok”.

Além da concorrência de qualidade Thor também enfrenta seus fracos filmes anteriores, “Thor” e “Thor: O Mundo Sombrio”. Eis que o diretor Taika Waititi nos apresenta o melhor filme da divindade, que pode até não superar os demais longas de herói do ano, mas acerta o tom e entrega uma boa comédia. “Thor: Ragnarok” se rende ao humor, é irônico, envolvente e diverte. A obra sabe fazer rir sem abandonar as cenas de ação. (Duas delas são grandiosas e épicas, ao som de “Immigrant Song” do “Led Zeppelin”). De fato, é uma grande mudança no personagem que antes era  sisudo, formal e com filmes mais pretensiosos. Logo no início o Deus do Trovão protagoniza várias piadas e na sequência uma rápida cena de ação, demonstrando o caminho que a aventura vai seguir. Os apreciadores de um filho de Odin mais sério e clássico podem não gostar dessa nova versão nitidamente inspirada por “Guardiões da Galáxia

Thor (Chris Hemsworth) descobre que seu irmão Loki (Tom Hiddleston) está vivo, ambos vão em busca do pai, Odin (Anthony Hopkins) que está moribundo. Em meio a isso Hela (Cate Blanchett) ressurge e pretende escravizar Asgard e os demais reinos. O Deus do Trovão acaba exilado no planeta Sakaar onde têm que lutar como gladiador para conquistar sua liberdade e retornar para seu planeta natal. Seu objetivo é evitar o Ragnarok, o apocalipse de seu mundo. Em Sakaar o herói reencontra Hulk (Mark Ruffalo).

Chris Hemsworth está bem, é engraçado e têm um ótimo timing para o humor. Tom Hiddleston sempre se mostra bem como Loki, mas são nos personagens coadjuvantes que o filme demonstra força. O Hulk de Mark Ruffalo é uma criança brigona e birrenta, Jeff Goldblum se destaca como o Grandmaster que trata a tudo e a todos de forma cômica e risonha. E Cate Blanchett visivelmente se diverte com sua vilã unidimensional, consegue fazer rir e ser ameaçadora quando necessário. É uma pena que no final fique a impressão de que a vilã foi pouco aproveitada. Valquíria (Tessa Thomson) é forte, independente, boa de briga e beberrona. Vale uma menção para o ótimo personagem Korg, um gigante de pedra dublado pelo próprio diretor Taika Waititi. Pòrém os personagens não estão alí para filosofar e/ou levantar questionamentos, o objetivo é a jornada. O que importa é a aventura e a piada. Não existe peso emocional para as atitudes e decisões tomadas. Outro aspecto negativo é a nova equipe, os “Revengers”, que não funciona como um time. Os integrantes têm seus melhores momentos quando estão sozinhos e/ou em duplas. Um bom exemplo são as cenas entre Hulk e Thor que sempre funcionam muito bem. O primeiro encontro entre os heróis rende uma sequência bem executada, engraçada e surpreendente.

A opção por uma comédia é acertada, mas traz problemas e algumas incoerências. O Ragnarok é o apocalipse, a destruição de Asgard. E devido as constantes piadas o evento não evoca perigo, não temos a sensação de urgência e seriedade da situação. O roteiro poderia ser mais objetivo e direto, em alguns momentos as situações parecem deslocadas e perdemos o interesse em alguns elementos da trama. A presença de diálogos expositivos e longas explicações também não ajuda. Algumas participações de personagens da Marvel, apesar de legais, parecem desnecessárias. O visual do filme é outro acerto, e fica claro as referências a Jack Kirby quadrinista responsável por grandes histórias do Deus do Trovão. As texturas, cores, figurinos de Sakkar e do longa como um todo remetem a seu trabalho. Alguns exageros visuais e até mesmo efeitos especiais (Raios e energias cósmicas) lembram diretamente os traços do ilustrador. Porém é lamentável que uma das cenas visualmente mais bonitas, seja um rápido flashback com a história da Valquírias.

Até os anos sessenta os gibis de super-heróis eram aventuras despretensiosas, histórias fechadas que funcionavam em si. E assim é “Thor: Ragnarok” um filme divertido e que não se leva a sério. Uma comédia que desenvolve o universo do personagem, entretém e causa boas risadas.

Obs. Temos duas cenas pós-créditos. Uma logo após ao filme e outra no final de todos os créditos.

Nota do Sunça:

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