Sunça no Cinema – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017)


Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

138 min – 2017 – EUA

Dirigido e roteirizado por Luc Besson. Com Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna, Ethan Hawke, Kris Wu, Sam Spruell, Alain Chabat.

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é uma adaptação da série em quadrinhos “Valérian, agente espácio-temporal” iniciada em 1967. As hqs criadas por Pierre Christin e escritas por Jean-Claude Mézières influenciaram diversos clássicos da ficção científica, como por exemplo a saga Star Wars. Nelas acompanhamos as aventuras de Valérian, um agente espaço-temporal, e sua colega, Laureline, enquanto viajam o universo pelo espaço e pelo tempo. Luc Besson dirige e escreve a versão cinematográfica da obra, que apesar de apresentar um visual deslumbrante não consegue ter a sustança e inovação do original.

No longa acompanhamos os agentes federais Major Valerian (Dane DeHaan) e a Sargento Laureline (Cara Delevingne). A dupla trabalha para o governo e têm como responsabilidade manter a ordem e paz em Alpha a Cidade dos mil Planetas. Alpha é uma estação espacial que devido a seu crescimento deixou de habitar a órbita da Terra e passou a viajar pelo espaço como um planeta autônomo. É habitado pelas mais variadas espécies do universo. Já na cena inicial Besson é bem sucedido em ilustrar a evolução de Alpha e a integração das mais variadas raças interplanetárias. Nos contextualiza no ambiente que está criando. É uma sequência sucinta e objetiva ao som de Space Oddity de David Bowie. O segundo segmento do filme também chama atenção, é uma narrativa visual quase sem falas que apresenta um planeta e seus habitantes vivendo em harmonia e seu fim catastrófico.

De início “Valerian” impressiona, é uma boa premissa que conta com cores fortes e vibrantes, ótimos designs de criaturas e um clima de estranheza que lembra “O Quinto Elemento”. É nítido o cuidado com os efeitos especiais e o capricho com o design de produção. Dessa maneira o diretor é bem sucedido em criar um universo ficcional que é crível ao mesmo tempo. Porém, nos outros aspectos a obra deixa a desejar.

Dehaan não convence como um garanhão charmoso, um mulherengo de coração bom. A personalidade do protagonista é pouco explorada, logo fica difícil acreditar em sua paixão por Laureline que segundo suas palavras “É diferente das outras…”. É conveniente para o roteiro que em determinados momentos ele seja rebelde e se mostre “contra” seus superiores mas no momento da resolução da obra ele seja um soldado disciplinado. A Sargento é uma personagem de temperamento forte e obstinada. Mas o enredo acaba a aproveitado como escada para as contestáveis piadas de Valerian (Dirigir/pilotar mal?). Além de quando necessário a colocar como uma agente habilidosa,  para no momento seguinte a ter no papel de uma donzela em perigo. E, é discutível que o Major a  deixe de lado sempre que vai entrar em ação. Cara Delevingne está um pouco melhor que seu parceiro, mas o romance entre os dois é forçado, não funciona e rende um dos piores diálogos do cinema.  “Só o amor pode parar a guerra…”

O ritmo do filme não ajuda, tudo acontece em episódios e os diversos temas abordados não interagem. Passamos por várias discussões interessantes que poderiam gerar paralelos com a realidade, porém sem nunca nos aprofundar e/ou relacionar. Luc Besson ainda vai além e torna tudo excessivamente expositivo. Depoimentos de personagens revelam acontecimentos importantes e ainda são acompanhados por flashbacks. Tudo é bem explicadinho e ilustrado. Valerian e Laureline também contam com as várias coincidências proporcionadas pelo roteiro. Quando precisam de informação, encontram um personagem para contar. Se precisam fugir, a fuga é facilitada. Se há algo errado, facilmente uma trama ilegal é descoberta. Aqui vale uma menção a Rihanna que têm uma rápida participação. Sua personagem só existe para mover a trama adiante, e quando não é mais necessária é descartada.    

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” têm um visual impressionante, efeitos digitais primorosos e design de produção admirável. Mas peca em seu ritmo, roteiro e personagens. É uma imersão em um universo com visual interessante, porém sem conteúdo.

Nota do Sunça:

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