Sunça no Cinema – Planeta dos macacos: A Guerra (2017)


Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

140 min – 2017 – EUA

Dirigido por Matt Reeves e roteirizado por Matt Reeves e Mark Bamback. Com Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Terry Notary, Amiah Miller, Judy Creer, Michael Adamthwaite, Aleks Paunovic, Ty Olsson e Devyn Dalton.

Texto originalmente publicado no site Cinema e Cerveja.

Em 2011, sob a direção de Rupert Wyatt, fomos apresentados ao César. “Planeta dos Macacos: A Origem” nos mostrou a relação de afeto de Will Rodman (James Franco) com o protagonista, entendemos o motivo de seu carinho pelos humanos e acompanhamos sua emancipação. Já em 2014 o “Planeta dos Macacos: O Confronto” demonstrou que a convivência pacífica entre as espécies não era algo viável, apesar dos esforços de Malcolm (Jason Clarke). A oposição entre Macacos e humanos se fez obrigatória. E agora o diretor Matt Reeves, que também dirigiu “O Confronto” nos coloca na visão de César e transforma os humanos em vilões. Em uma guerra política e ideológica.

Em “Planeta dos macacos: A Guerra” não acompanhamos uma batalha de fato. É um embate político-filosófico. A cena de abertura é impactante, acompanhamos soldados invadindo o território dos macacos, o objetivo é claro extermínio e dominação dos símios. Na trama o Coronel (Woody Harrelson) e seu grupo militar caçam César (Andy Serkis) e sua tribo, além de perseguir humanos contaminados. Em um dos ataques César sofre consequências trágicas e entra em uma trilha de vingança. O protagonista então fica dividido entre sua vingança pessoal e a segurança de seu bando. O Coronel e seu grupo militar remetem aos nazistas, grupos extremistas, e líderes atuais que perseguem e demonizam determinado grupo oprimido. Harrelson lembra muito o personagem de Marlon Brando em “Apocalypse Now”, é um líder carismático, insano e intolerante com ideias extremas. É uma crítica a nossa sociedade atual (E não é atoa que o Coronel tem como objetivo a construção de um muro).

Não é só Woody Harrelson que faz um bom trabalho, o César de Andy Serkis impressiona. Cada olhar e cada reação demonstra os sentimentos do personagem. É uma ótima performance de Serkis e demonstra bem como a tecnologia de captura de movimento evoluiu de 2011 até hoje. Steve Zahn encarna o Macaco Mau e é o alívio cômico da narrativa. Vale ressaltar que o próprio nome do símio é uma alfinetada. Amiah Miller é a humana Nova que representa fisicamente e possibilidade de um futuro otimista e a humanidade dos humanos.

O visual do longa impressiona. A fotografia de Michael Seresin é opaca, deixa o mundo mais intimista e sombrio. Representa bem a falta de esperança que os personagens estão passando, é nítido durante o filme que a fé na humanidade acabou. Reeves faz um ótimo trabalho, ele apresenta um blockbuster de guerra que na verdade é um drama humano. É uma narrativa filosófica com ritmo constante e foco nos detalhes. É também uma jornada interior de César, que cresce e amadurece em sua busca por vingança. Na verdade não temos uma guerra, o que acompanhamos é a busca pela sobrevivência.

Nota do Sunça:

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