Sunça no Cinema – Sete Homens e um Destino (2016)


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Refilmagem do clássico faroeste Sete Homens e um Destino (1960), que por sua vez é um remake de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Os habitantes de um pequeno vilarejo sofrem com os constantes ataques de um bando de pistoleiros. Revoltada com os saques, Emma Cullen (Haley Bennett) deseja justiça e pede auxílio ao pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington), que reúne um grupo especialistas para contra-atacar os bandidos.

133 min – 2016 – EUA

Dirigido por Antoine Fuqua, roteirizado por Nic Pizzolatto e Richard Wenk. Com Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung-Hun Lee, Manuel Garcia-Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett e Peter Sarsgaard.      

Vivemos a época dos remakes e reboots. É comum o retorno de antigas franquias, com um remake mascarado, como “Star Wars: O despertar da Força” ou então, o remake de fato,  como “As Caça Fantasmas”. Então era de se esperar que clássicos do cinema como “Sete Homens e um Destino” fossem alvos de novas tentativas de Hollywood. Vale ressaltar que apesar de mau visto um remake não significa que o produto final vai ser ruim, como podemos comprovar em “Onze Homens e um Segredo” e nas sequências de Jason Bourne. E aqui, para atestar o atual momento que vivemos,  temos um remake de um remake. O “Sete Homens e um Destino” original, de 1960, é um remake do também ótimo “Os Sete Samurais” (1954) de Akira Kurosawa. O western que reunia grandes nomes da época,  dirigido e produzido por John Sturges, não estreou bem nos EUA, mas acabou estourando na Europa e só depois quando retornou aos Estados Unidos pela segunda vez acabou conquistando multidões. Fez tanto sucesso na época que rendeu ainda mais três sequências e uma série televisiva.

No bangue-bangue de 1960, fazendeiros mexicanos e pobres sofrem nas mãos do criminoso Calvera (Eli Wallach). Cansados de ter suas colheitas roubadas e sua vila saqueada, eles reúnem o pouco que têm e viajam para comprar armas e se defender, porém em uma cidade mexicana acabam conhecendo Chris (Yul Brynner) e Vin (Steve McQueen) e acabam contratando pistoleiros para os defender. Já no longa atual de Antoine Fuqua, a vila mexicana é substituída por uma cidade de colonos, Rose Creek, no extremo oeste dos EUA. O criminoso vivido pelo ótimo Eli Wallach dá lugar para um rico empresário inescrupuloso Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard) que constantemente ameaça e abusa dos moradores locais. Cansada das constantes intimidações e com medo de ver os colonos serem expulsos ou perderem seus lares por uma mixaria, Emma Cullen (Haley Bennett), que deseja justiça e vingança, parte para conseguir ajuda. Ela acaba conhecendo o pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington)e pede seu auxílio. Ele então reúne um grupo de especialistas para defender a cidade.

Se o longa original conta com grandes nomes no elenco, uma boa química entre a equipe e com a inesquecível trilha sonora de Elmer Bernstein. O atual aposta principalmente na diversidade e representatividade. Apesar de também ter grandes nomes no elenco e contar com uma boa química na equipe formada. Denzel Washington é o líder da equipe, papel de Yul Brynner no anterior, o Sam Chisolm de Denzel lembra bastante o Chris Adams de Yul. Washington confere uma postura digna a Sam, que utiliza vestimentas semelhantes às de Adams até repete frases de efeito “Já recebi muito por meu trabalho, mas nunca tudo”. Ainda é possível notar semelhanças nos demais personagens Josh Farraday, o bebum encantador e imprudente, de Chris Pratt funciona como Vin de Steve McQueen, se diferem em alguns aspectos mas ainda assim compartilham falas, como por exemplo a analogia do homem caindo do prédio. Ethan Hawke com seu personagem Goodnight, um ex-soldado confederado marcado por uma vida de matanças, é uma mistura de Harry Lucky e Lee interpretados respectivamente por Brad Dexter e Robert Vaughn, já o chines Billy Rocks (Byung-Hun Lee) é um Britt (James Coburn) bem mais habilidoso com as facas. As novidades ficam para o mexicano assassino Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo), Jack Horne (Vincent D’Onofrio) um homem das montanhas, imponente e brutamontes, mas com uma voz frágil e  religioso. Nas palavras de Farraday “Eu acho que aquele urso está usando roupa de gente.” E finalizando o guerreiro Comanche solitário Red Harvest (Martin Sensmeier).

“Sete Homens e um Destino” além de remeter ao longa original, faz questão de reverenciar o gênero Western. Um exemplo é a apresentação de Sam Chisolm cavalgando pelo deserto sozinho, que lembra a introdução de “O Estranho Sem Nome” de Clint Eastwood. Em vários momentos temos marcas do estilo, antes de vermos pela primeira vez o rosto de Denzel Washington temos primeiro, um plano detalhe de sua arma. Seu rosto ao longo do filme está sempre nas sombras e Josh Farraday é o herói bom moço, não tão bom moço assim. Duelos, brigas em saloons, pistoleiros girando suas armas, além de belos e amplos takes da cidade, natureza e cavalgadas também estão presentes. É uma pena que a trilha sonora de James Horner seja tão fraca, ainda mas quando o filme antecessor contou com o memorável tema clássico de Elmer Bertein. E quando o filme mantém diálogos e situações idênticas ele se esforça para dá-los novos contextos. Afinal temos como chefe uma mulher forte e determinada Emma Cullen, intitulada como “A única com colhões”, que contrata um grupo de pistoleiros que têm como líder um negro e como integrantes um chinês, um mexicano, um índio e mais três homens brancos. É verdade que um grupo como esse seria estranhado no velho oeste, mas a diversidade étnica oferece mais opções dramáticas e é um esforço memorável da produção (Um esforço que fica claro no fim da trama). Em 1960, John Sturges se esforçou para retratar o desejo de redenção de seus personagens, demonstrando que o sacrifício em prol do próximo é capaz de redefinir a vida de uma pessoa. O que no novo longa também se faz presente, porém menos perceptível.   
A formação do grupo e a apresentação de seus integrantes, assim como no original, é metade da duração do longa. Sua segunda metade é marcada pelo confronto entre os grupos. E aqui, principalmente na sequência final, os tiroteios são mais sangrentos. A qualidade épica esperada de um bom faroeste é garantida. Tiros, machadadas, flechadas, salva de balas de uma gatling gun e atiradores precisos dividem o combate final. Como um grande apreciador de westerns, posso dizer que essa nova interpretação vai agradar os fãs do gênero, e também fãs de ação e cinema em geral. “Sete Homens e um Destino” não é um ícone como o clássico de Sturges, mas não faz feio quando comparado a seus anteriores.

Nota do Sunça:

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